Semana Santa


Uma graça, porque nos compromete a viver na fé e a conhecê-Lo, entrando no íntimo do seu coração, abarcando a força da sua palavra. Um risco, porque, em Jesus, as suas palavras, os seus gestos, as suas acções são bem diferentes do espírito do mundo e da ambição humana.

Há, no entanto, uma certeza que enche de esperança a Via-Sacra: Jesus percorreu-a com amor e viveu-a também com Maria, Ela que, desde o início da Igreja, quis sustentar com a sua ternura o caminho da evangelização.

Neste ano Missionário o arciprestado da Guarda recordou o caminho de Jesus, nas ruas de Jerusalém, transpondo-o para as ruas da Guarda, com o Evangelho segundo de S. Lucas.

A partir do Largo da Misericórdia e da Rua do Comércio, foi possível recuar no tempo e na história e fazer de cada casa, de cada porta, de cada janela, um espaço da entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém. Na Praça Velha, lugar de tantos encontros de festa e alegria, olhámos para o egoísmo de Judas e para o gesto de amor com que Jesus se torna para sempre presente na vida da humanidade. Entrámos no Jardim das Oliveiras, ali mesmo junto da Sé Catedral, olhando Jesus que reza por nós ao Pai, mesmo no meio da nossa sonolência. No Solar de Alarcão juntámos a nossa voz ao grito de tantos que ainda agora acusam Jesus e revimo-nos nas lágrimas arrependidas de Pedro envergonhado do seu pecado. Na Escola de Santa Clara, qual palácio de Pilatos, a água voltou a lavar as mãos de tantos que não querem ver a verdade. No caminho para a Torre de Menagem encontrámos homens bons, como Simão de Cirene, que ajudam a carregar a cruz. Também houve mulheres penosas que derramaram lágrimas pelos filhos do nosso tempo.
Lá no alto, a cruz ligou o céu e a terra num grito de dor que transformou a morte em vida espelhada na alvura da ressurreição.

Na encenação que aconteceu na Guarda, no início da Semana Santa, o arciprestado da Guarda quis recordar com as Escrituras que “o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos…”.
E o povo, sempre ele, lá esteve na sua simplicidade, para mostrar que a mensagem de Jesus continua a ser anunciada e vivida.