Estender a mão

Este domingo, 15 de Novembro, vai ser dedicado de forma especial aos pobres. Pelo quarto ano consecutivo e a pedido do Papa Francisco, vamos celebrar o Dia Mundial dos Pobres, desta vez com o tema “Estende a tua mão ao pobre”.  A mensagem dá conta de que no tema proposto “a sabedoria antiga dispôs estas palavras como um código sacro que se deve seguir na vida. Hoje ressoam com toda a densidade do seu significado para nos ajudar, também a nós, a concentrar o olhar no essencial e superar as barreiras da indiferença”.  Muitas vezes passamos de forma anónima e envergonhada, diante de mãos que se estendem na nassa vida. A desconfiança em relação à seriedade do gesto acaba por encolher muitas mãos que se privam de partilhar, quem sabe, com quem precisa. Infelizmente há cada vez mais mãos estendidas que acabam esquecidas. Ao nosso lado, na nossa cidade, somos confrontados com este gesto humilhante e ao mesmo tempo grandioso. “Estender a mão leva a descobrir, antes de tudo a quem o faz, que dentro de nós existe a capacidade de realizar gestos que dão sentido à vida” recorda a Mensagem para o IV Dia Mundial dos Pobres. Mais do que nunca, neste tempo marcado por tantas barreiras entre as pessoas, “estender a mão é um sinal: um sinal que apela imediatamente à proximidade, à solidariedade, ao amor”. Também há cada vez mais mãos que se estendem não para pedir mas para dar. Basta olharmos para os últimos meses marcados por uma epidemia sem precedentes para vermos tantas mãos estendidas. A mão estendida do médico, da enfermeira e do enfermeiro, do farmacêutico, do voluntário, do sacerdote, do trabalhador de supermercado ou de quem presta serviços essenciais e segurança. São mãos que se estendem a pensar no bem-estar dos outros.E como refere a mensagem “todas estas mãos desafiaram o contágio e o medo, a fim de dar apoio e consolação”. Neste mundo tão desigual em que vivemos, a uma mão que se estende para pedir deveria corresponder sempre o gesto de uma mão que se estende para dar.