Dia de gratidão e pertença

Na Solenidade de Todos os Santos que se assinala do primeiro dia de Novembro, “a Igreja ainda peregrina sobre a terra venera a memória daqueles cuja companhia alegra os Céus, para que se estimule com o seu exemplo, se conforte com a sua protecção e com eles receba a coroa do triunfo na visão eterna da divina majestade”.
A tradição faz deste dia, por também ser feriado, um acontecimento de família e de regresso às origens. Um pouco por todo o lado, são muitos os que caminham para os lugares mais recônditos, num sentimento de gratidão e pertença.Mesmo sem ser dia de Fiéis Defuntos recordam-se os que morreram, ao mesmo tempo que se avivam memórias de outros tempos e outros lugares. Na romagem aos cemitérios há um misto de saudade e de lembrança. 
Também deveria ser assim este ano, no primeiro dia de Novembro mas a pandemia, que teima em atormentar a Humanidade, ditou outras regras. O aumento dos casos de contágio fez soar os alarmes e tudo foi alterado, de um momento para o outro. As romagens foram proibidas, o mesmo acontecendo com as deslocações das pessoas entre concelhos. Desta vez, as famílias vão ter de recordar os seus mortos de uma forma diferente. As autoridades alertam para a necessidade do cumprimento de medidas consideradas imprescindíveis para evitar a propagação da pandemia. Por todo o lado há apelos ao distanciamento, ao uso de máscara e higienização das mãos. O mundo parece virado do avesso com o medo sempre presente.Resta a esperança de que, até ao início de Novembro, os cemitérios não sejam encerrados.