Domingo é Dia Mundial das Comunicações Sociais, a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963.

A efeméride assinala-se no domingo antes do Pentecostes, este ano, no dia 2 de Junho.

A mensagem do Papa Francisco para este dia faz um apelo à redescoberta do sentido de comunidade como forma de superar os desafios levantados pelo recurso crescente às redes sociais e internet.

“Não basta multiplicar as conexões para ver crescer também a compreensão recíproca”, sublinha, na sua mensagem para 53.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que tem como tema ‘Das comunidades de redes sociais à comunidade humana’.

Num mundo cada vez mais interligado pelas novas formas de comunicar ganham terreno as chamadas redes sociais, onde proliferam grupos de amigos, a grande maioria virtuais. A presença física e os contactos presenciais dão agora lugar a encontros ausentes.
O Papa Francisco lembra que “no cenário actual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade”.

A ilusão de que a social web pode satisfazer completamente a nível relacional, ganha maior número de seguidores nas gerações mais novas, chegando muitas vezes ao perigoso fenómeno dos “jovens eremitas sociais, que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade”. Esta realidade acaba por encontrar repercussão a nível político, cultural, social e religioso.

Tal como em tudo, também neste ponto tem de haver equilíbrio. A mensagem do Papa Francisco lembra que “cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura”, advertindo ao mesmo tempo que “é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma”.

Cada vez mais, os meios de comunicação constituem uma parte central do grande “areópago” moderno, no qual se partilham ideias e onde se formam os valores e os comportamentos. Por isso é necessário integrar a mensagem nesta nova cultura, criada pelas modernas comunicações com os seus novos modos de comunicar com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes.

Por estas e outras razões, a imprensa regional católica, ou imprensa regional de inspiração cristã, tem de ter em conta os novos desafios das redes sociais, sem nunca esquecer que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, mas também um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.