As imagens que nos chegam de Moçambique impressionam mesmo os mais insensíveis. O ciclone Idai provocou um rasto de destruição e morte.


No meio da desgraça gostei de ler as palavras de D. Cláudio Dalla Zuanna, arcebispo da Beira quando afirmou que “não há espaço para o desespero” ao mesmo tempo que destacava a força de uma população jovem com esperança para o futuro.

“No último senso de 2017, 45% da população tem menos de 14 anos, é gente jovem, então, há uma vitalidade, uma esperança, um desejo de futuro, de abrir-se caminhos que vão ser uma força”, considerou D. Cláudio Dalla Zuanna.

No meio de uma desgraça sem precedentes é sempre bom haver alguém que nos ajuda a ver para além do imediato. “Penso que a boa vontade e a positividade seja fundamental nesta obra de reconstrução que é necessária” considerou este responsável pela igreja presente nesta porção de terra tão cruelmente fustigada.

Logo que foram divulgadas as primeiras imagens da catástrofe, o povo português, e não só, desdobrou-se em gestos de solidariedade e proximidade. “Podemos não ter produtos nossos, mas esta rede de Caridade, esta presença no território que a Igreja Católica tem, é um recurso muito grande que queremos por à disposição. Mais do que recursos económicos podemos dar o recurso de proximidade que temos com as pessoas”, destacou o arcebispo da Beira.

A água e a comida são agora as duas emergências desta zona de Moçambique onde 90% das casas ficaram afectadas e nos bairros de periferia muitas foram praticamente arrasadas.

O arcebispo da Beira explicou que para além da construção de casas, as estruturas da Igreja também precisam de ser reconstruídas, pois as 25 paróquias nesta área “ficaram afectadas” e a “igreja maior, a mais ampla, foi derrubada totalmente, tal como aconteceu com várias casas paroquiais e escolas”.

Tenho a certeza que a onda de solidariedade que se gerou em torno desta causa nos fará acreditar que “depois da tempestade virá a bonança”. A Beira, em Moçambique, voltará a erguer-se da lama com a ajuda de todas as pessoas de boa vontade.