A Guarda celebra, no dia 27 de Novembro, o 819º aniversário.

Mais de oito séculos de história principiados em 1199, com a fundação da cidade através de carta foral de D. Sancho I, com o propósito de servir de centro administrativo, de comércio e de defesa da fronteira da Beira contra os Reinos da Meseta do centro da Península Ibérica. Pouco tempo depois, em 1202, tem lugar a criação da Diocese da Guarda, transferida de Idanha-a-Velha, antiga cidade romana da Egitânia.

Qual sentinela, a urbe foi crescendo, primeiro dentro de muros e, mais tarde, ao longo de toda a encosta virada para Castela. Numa simbiose única, em que o útil se juntou ao agradável, as moradias foram surgindo por entre ruas e vielas misturadas com monumentos imponentes para a época, onde a Sé Catedral assumiu um lugar de referência.

A vida da cidade foi girando à volta de património militar, religioso e civil, de granito puro e são, à semelhança das suas gentes. A cidade ganhou contornos e fama e a população aumentou significativamente. Sopraram ventos de mudança e esperança. Criaram-se escolas, hospitais, estradas e apareceram empresas que ajudaram na fixação das pessoas. A população nunca deixou de aumentar.

Mas, mudam-se os tempos e as vontades também e a segunda metade do último século acabaria por ser madrasta para estas terras, com a debandada em massa de tantos homens e mulheres ávidos de novos mundos. Começava uma vaga de emigração anunciadora de despovoamento das aldeias e abandono dos campos.

Nos nossos dias, e com tantos séculos de história, a Guarda não pode adormecer embalada pela recordação de um passado glorioso. A cidade, o concelho, bem como a região envolvente, podem e devem superar-se, na maneira de encarar o futuro. Criaram-se zonas industriais, que é preciso potenciar. Rasgaram-se estradas e caminhos-de-ferro, que é preciso valorizar. Apostou-se no ensino superior, que é preciso renovar e acarinhar. A saúde, o desporto e a cultura ganharam novos equipamentos que precisam de ser devidamente aproveitados.
Houve uma aposta incontestável, no bem-estar das populações, que parece não estar a surtir o efeito desejado.

Quando a Guarda celebra mais um aniversário da carta foral de D. Sancho I, que queria fazer deste lugar um centro administrativo, de comércio e de defesa da fronteira, é preciso dar novo impulso a tão nobres desejos. Também agora são precisos incentivos positivos para continuar a fixar e atrair pessoas. E, neste ponto, o poder central ainda tem muito para fazer.