“Carta da Paisagem da Guarda”

Tendo como ponto de partida o cobertor de papa, que se produz em Maçainhas, e a cestaria fina de Gonçalo, a Câmara da Guarda está empenhada na realização da “Carta da Paisagem da Guarda”, em que pretende abarcar todo o concelho. A iniciativa é apontada como um dos projectos mais importantes de salvaguarda e afirmação identitária do património cultural imaterial da Guarda, das pessoas e dos seus saberes.
O trabalho é conduzido e coordenado pelo antropólogo, Paulo Lima, responsável pelas candidaturas do Fado e do Cante Alentejano, a Património da Humanidade da UNESCO. O processo parece, assim, bem encaminhado e poderá ser o ponto de partida para o despertar de tantos lugares esquecidos de um concelho que precisa de ser mostrado e vivido. 
A riqueza de um povo está na sua diversidade e complementaridade. E, no concelho da Guarda, há uma imensa diversidade de patrimónios e culturas, de lendas e tradições, que precisam de ser recuperados e preservados. 
O cobertor de papa, que serve de referência à “Carta da Paisagem da Guarda”, não pode ficar limitado às fronteiras de uma freguesia, mas deve ser estudado e enquadrado nas vivências familiares, religiosas e pastoris da grande maioria dos povos de todo o território do concelho. A transumância, a lã, os abrigos dos pastores e a cultura do centeio podem enriquecer este ponto de uma forma notável e numa maior envolvência dos povos da encosta nascente da Estrela com os do Planalto do Sabugal. 

O ditado popular sugere que “cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso” e, de facto, todas as terras têm as suas próprias tradições ou tradições comuns adaptadas à sua realidade. Num tempo em que o Mundo passou a “aldeia global” é cada vez mais imperioso saber valorizar e proteger o que nos distingue como povo e território. É por estas e outras razões que a “Carta da Paisagem da Guarda” tem de ser um trabalho de equipa, feito com rigor e sem pressa, não esquecendo nenhum dos povos que fazem parte do concelho.