Entrámos no mês de Maio envolvidos na alegria do anúncio do Papa Francisco

que comunicava o propósito da sua vinda a Fátima, nas celebrações centenárias das aparições de Nossa Senhora à terra abençoada da Cova da Iria. Ao mesmo tempo, começamos a preparar-nos para receber a visita da imagem peregrina da Virgem do Rosário, a fim de nos dispormos a receber as bênçãos das solenidades de tão importante acontecimento para o nosso Portugal, a Igreja e o mundo.
Na verdade, as aparições de Fátima não esgotaram ainda toda a sua verdade, o seu impulso, o seu carácter universal que abrange as almas, a vida eclesial e ainda a história recente do mundo, não apenas na sua objectividade já cumprida como ainda em múltiplas facetas já prognosticadas que nos anunciaram o futuro e nos estimularam para os tempos a  vir.
Como do Alto só vêm mensagens de benefícios e favores celestes, cumpre-nos estar disponíveis no íntimo do coração e preparados e desejosos de aceitar os dons divinos que nos vêm ajudar a ser mais felizes e a vivermos na paz e no amor.
Nas comunicações celestes, onde sempre palpita o coração de Deus, a finalidade e o conteúdo do recado aponta sobretudo o bem espiritual do mundo e do homem, visando a sua salvação eterna, que se há-de realizar na caridade, na paz, na indulgência, tudo bens importantes para a tranquilidade e o bem-estar  da raça humana.
Como estas coisas não estão ainda alcançadas, necessário se torna, mesmo passado o centenário da sua notícia que nos unamos, para cumprir as directivas dadas pela Senhora, a fim de conseguirmos alcançar os benefícios profetizados. A mensagem de Fátima, como bem o afirmou Bento XVI, na homília proferida, perante milhares e milhares de pessoas, na esplanada da Cova da Iria, a 13 de Maio de 2010, não atingiu o seu termo, precisa de ser efectivada pelo mundo.
Assim o afirmou: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída” e prosseguiu: “daqui a mais sete anos, voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora vinda do Céu, como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana”.
A Mensagem de Fátima mui alargada na sua complexidade dirige-se aos cristãos tanto praticantes como sobretudo aos descuidados da sua vida espiritual, a recordar-lhes as obrigações de ordem religiosa e ainda ao mundo inteiro que se debate com tamanhos problemas de fraternidade, compreensão, interajuda e sobretudo de ordem supernatural em ordem à salvação perpétua.
O homem visitado por Nossa Senhora, que depositou no coração e na boca sincera de três crianças segredos do além, tem de apurar a sua atenção e pôr-se à escuta dos grandes recados, profundos e fundamentais, deixados pela visão celeste.
Os pastorinhos, apesar de seus defeitos e maneiras simples, entregaram-se, quase de imediato, ao querer de Deus, fazendo da sua vida uma oferta total, e deixaram-se envolver pela oração não só a ensinada pelo Anjo ou por Nossa Senhora, lembrando-se cada vez mais das necessidades dos pecadores e do mundo decaído, e introduzindo-se na contemplação das maravilhas de Deus invisíveis, mas patentes ao olhar contemplativo da natureza num louvor contínuo e num agradecimento jamais acabado por tantas graças derramadas sobre o mundo e sobre a Igreja.
Proximamente, a imagem peregrina começará a percorrer todas as dioceses portuguesas, para que a sua presença física, embora sob a forma de estátua, torne mais sensível a sua lembrança e nos traga à memória os pontos fundamentais da sua mensagem, a fim de activarmos em nós a memória dos deveres exigidos pelos tempos conturbados que correm. Nunca será tarde para escutarmos Deus e nos tornarmos disponíveis diante da sua vontade santa.
Por isso, a disponibilidade exigida pelo clamor de Nossa Senhora na Cova da Iria tem de ser reavivada no íntimo de nós mesmos e para tanto, preparada na vida de cada um. Não esqueçamos ter o Céu enviado à terra por três vezes, o Anjo, a fim de preparar os pastorinhos para os tornar mais receptivos da mensagem que lhes seria comunicada, a fim de eles a divulgarem pelo mundo além.
Tal missão não se poderia realizar sem o testemunho de sua modificação interior e sem o apoio do sacrifício e oração que o Anjo inculcaria no seu íntimo e, através dele, na conversão realizada nas suas vidas.
Assim, para a celebração do centenário das aparições de Fátima, estaremos mais disponíveis para a graça divina que de uma forma mais profunda, Deus nos enviará nesta ocasião.