Saber quem é o primeiro bebé do ano,

há muito que se tornou uma curiosidade a nível local e nacional. E, no início de 2022, não foi diferente. Se o primeiro nascimento, a nível nacional, aconteceu aos primeiros segundos do novo ano, na Guarda foi preciso esperar até ao meio da tarde do segundo dia. Desde há várias décadas que o número de nascimentos, principalmente no interior do país, tem vindo a diminuir drasticamente. Há muito que se fala na necessidade de avançar com medidas de apoio à natalidade e, consequentemente, às famílias mais jovens. Os nascimentos ocorridos na região apontam para o envelhecimento da população e para o despovoamento da grande maioria das aldeias. Sabendo que a taxa de natalidade exprime o número de nados-vivos em relação a um grupo médio de 1000 habitantes, na grande maioria das terras desta região da linha de fronteira, a percentagem é altamente desproporcional pela negativa. Apesar desta triste realidade, continuam a faltar medidas concretas de incentivo à natalidade e à fixação de pessoas, nomeadamente no âmbito da economia e da saúde.No início de um ano, que arranca com eleições legislativas, exige-se, dos candidatos à Assembleia da República, um maior envolvimento e comprometimento com os territórios e com as pessoas. A qualidade de vida, o ar, as paisagens e o património, as tradições e a gastronomia, que tão bem caracterizam estas terras, só fazem sentido se forem motores de desenvolvimento. De uma vez por todas, é preciso passar das palavras aos actos e não ter medo de assumir a necessidade de combater desequilíbrios. Que 2022 possa ser o ano de início de uma grande viragem, de maneira a dignificar e promover o País, de uma forma mais justa e equilibrada.