A Guarda está a viver dias diferentes, com a presença de centenas de jovens de todas as partes do Mundo.

A “pressa no ar” também passa por aqui e já está a deixar uma marca de vida e esperança. Num concelho marcado pelo despovoamento e abandono das terras ainda há quem continue a acreditar que é possível fazer diferente. Que o digam as dezenas de jovens voluntários que, ao logo dos últimos meses e de forma especial das últimas semanas, tudo fizeram para acolher de braços abertos todos os que escolheram a Guarda para os dias que antecedem a grande Jornada Mundial da Juventude.
Não se pouparam a esforços e importunaram até os mais acomodados. Andaram de casa em casa, contactaram instituições, sempre a pensar nos outros. O mural que estão a pintar, junto da Central de Camionagem e assinala a JMJ Lisboa 2023, pretende ser um tributo ao esforço e empenho de todos os jovens. É uma marca para o futuro que prolongará no tempo a presença de jovens de todo o Mundo na Guarda.
O discurso desanimador e derrotista de tantos que vivem na Guarda é abafado, nestes dias, por palavras de elogio, estima e agradecimento. Os jovens vindos de outros lugares falam da Guarda como uma cidade limpa, segura, hospitaleira e com uma gastronomia de excelência. Nas palavras de muitos, “o lugar ideal para se viver em paz e segurança”.
Perante tal descrição, os que aqui residimos quase nos envergonhamos da maneira como, às vezes, tratamos o que é nosso. Os que nos visitam dão conta da nossa falta de sensibilidade para os valores culturais, patrimoniais, ambientais e gastronómicos. Sempre ouvi dizer que “a galinha da vizinha é melhor do que a minha”, um ditado sábio do povo, que a Guarda tem de saber inverter, dando mais valor ao que a torna primeira entre pares.