Nas vésperas do encontro de toda a diocese com a Imagem da Cova da Iria

que, percorrendo as terras principais da Igreja Egitaniense de tantas tradições cristãs, hemos de aproveitar a hora para reflectir sobre a nossa vida interior e fortalecer em nós o amor a tão excelsa e bondosa Mãe.
No próximo dia vinte sete, estará connosco e, nesse mesmo dia, é recebida na sede da nossa comunidade eclesial, a Sé catedral, a sua excelsa imagem que tantas recordações desperta em nós.
Além de vir recordar-nos a branca Senhora que, em Fátima, transmitiu o recado haurido no céu, e os pastorinhos espalharem pela terra, pede-nos orações pelo mundo.
Num resumo reduzido da sua mensagem, podemos apreender o Evangelho aplicado aos homens de hoje: a conversão a Deus, a oração pelos pecadores, a penitência numa transformação de vida, a recitação diária do terço do Rosário, a devoção dos primeiros sábados do mês, tudo a lembrar-nos o compromisso baptismal da vida em graça e a solicitude fervorosa pela salvação dos pecadores.
Antes mesmo de considerarmos a missão fundamental da Virgem Santa nas aparições da Cova da Iria, bom será olhar o fundamento da sua missão através da qual se reconstruirá o mundo afectado pela desobediência da Adão e Eva. Ela assumirá o encargo de ser a raiz e a porta donde brotará a Luz divina incarnada no seu puríssimo e virginal seio.
Após a habilitação realizada pelas três aparições do Anjo de Portugal, a 13 de Maio de 1917, a Santa Mãe de Deus principia a revelar a sua mensagem , numa linguagem acessível a crianças de tenra idade. Começa por falar do Céu, expondo-lhes a certeza da sua entrada no reino de glória e prossegue, revelando as aparições de mais cinco meses e um pedido, aliás repetido sempre: “Rezai o terço todos os dias para alcançardes a paz do mundo e o fim da guerra”
Na segunda aparição, prossegue os ensinamentos, recapitulando algo já dito: “Quero que continuem a vir aqui nos outros meses, que rezem o terço todos os dias e que aprendam a ler”. Promete-lhes de novo o céu e abre o caminho ao anúncio da devoção ao Imaculado Coração de Maria, afirmando desde já. “Às almas que a abraçarem (tal devoção) prometo a salvação e serão queridas de Deus...).
Na terceira aparição, principia a inculcar nos pastorinhos a chama do apostolado: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei, muitas vezes, em especial quando fizerdes algum sacrifício: ‘Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria’”. Aqui, foi a visão do inferno e a manifestação do segredo.
Como óptima pedagoga, prossegue, na aparição seguinte realizada nos Valinhos, a pedir orações, depois de referir que o milagre de outubro seria menos grandioso: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, pois vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.
Finalmente veio o dia 13 de outubro. É o coroamento da mensagem de Fátima: “Quero dizer-te – diz à Lúcia – que não ofendam mais a Nosso Senhos que já está muito ofendido, que rezem o terço todos os dias a Nossa Senhora do Rosário e que façam aqui uma capela. Eu sou a Senhora do Rosário. Se acreditarem, a guerra acabará e esperem cá pelos militares, muito em breve”.
Depois da morte dos pastorinhos mais novos, a mensagem da Cova da Iria prosseguiu, em Pontevedra, onde a Senhora apareceu à Lúcia com o Menino Jesus suspenso numa nuvem que lhe disse: “Tem pena do coração da tua Santíssima Mãe coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um acto de reparação para os tirar”.
Nesse dia, a Senhora aparecida começa o período do Coração de Maria e disse: “Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de me consolar e diz que a todos aqueles, durante cinco mesas, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de Me desagravarem, Eu prometo assistir-lhes na hora da morte, com todas as graças necessárias à salvação”.
A visita da Senhora do Rosário será ocasião para, aos seus pés, recordarmos estas advertências e ensinamentos, a fim de tirarmos deles os frutos espirituais prometidos nas aparições da Santíssima Virgem.