A morte de um pensador

A Guarda ficou mais pobre. No primeiro dia de Dezembro, veio de Lisboa a notícia da morte do grande pensador Eduardo Lourenço. Num outro primeiro de Dezembro, de 1640, também se divulgou a partir de Lisboa, a Restauração da Independência, com a revolta dos portugueses contra a tentativa da anulação do Reino de Portugal pela governação da dinastia filipina castelhana.
Se noutros tempos a boa nova, do aniquilamento do domínio filipino, foi recebida com júbilo e entusiasmo, desta vez o anúncio da morte de Eduardo Lourenço, mentor do Centro de Estudos Ibéricos, foi recebida com um misto de perda e tristeza.
Perde Portugal e a Europa, para não dizer o Mundo, um dos maiores pensadores da actualidade. Perde a Guarda, perde Almeida e São Pedro do Rio Seco, uma das grandes referências deste tempo. Desde há muito que a gente da Guarda se habituou a associar Eduardo Lourenço à Biblioteca Municipal e ao Centro de Estudos Ibéricos, que agora, passados tantos séculos, procuram fazer da Ibéria um povo, uma cultura. 
Ouvir falar de Eduardo Lourenço é ouvir falar destas terras inóspitas e esquecidas que tanto têm contribuído para o engrandecimento da Nação e do Mundo. Daqui têm saído homens e mulheres da cultura, das letras, das artes, da ciência, da política e de outros ramos do saber. Infelizmente, esta região pouco ou nada tem recebido em troca e continua à mercê do despovoamento e ao abandono. 
Com a morte, Eduardo Lourenço quis regressar às raízes, às origens e, com ele, voltou a despertar consciências para a necessidade de um território mais solidário e irmanado. Agora, mais do que nunca, esta região precisa de ser verdadeiramente restaurada de maneira a ganhar uma verdadeira centralidade ibérica a caminho da Europa.