A Guarda tornou-se o centro da Península Ibérica

Dois governos juntos com a protecção apertada das forças de segurança, a que se juntou a cobertura mediática de televisões, rádios, jornais, plataformas online e ainda os protestos de sindicalistas, trabalhadores, activistas e ambientalistas, fizeram da Guarda, ainda que por algumas horas, o centro da Península Ibérica. Não tivesse sido o nevoeiro que trocou as voltas à comitiva vinda de Espanha e tudo teria corrido na perfeição. A Guarda soube receber bem e projectou a imagem de uma cidade atractiva, pacífica e organizada. O programa da Cimeira foi decorrendo sem atropelos e em lugares muito bem escolhidos para um acontecimento desta natureza. A cidade foi amplamente divulgada, principalmente em Portugal e Espanha. É louvável a persistência dos autarcas, primeiro Álvaro Amaro e, na parte final, Carlos Chaves Monteiro, em trazer para a Guarda um acontecimento desta natureza. Quer queiramos quer não, a Guarda esteve nas bocas do mundo. Sobre as conclusões desta Cimeira, a Guarda pouco ou nada beneficiou, mas deu nome a um encontro que juntou o Primeiro-Ministro da República Portuguesa, António Costa e o Presidente do Governo do Reino de Espanha, Pedro Sánchez com o objectivo de acertarem uma Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço. De acordo com o Governo de Portugal esta é a primeira estratégia comum de desenvolvimento entre Portugal e Espanha e contribui com medidas concretas para colocar o Interior de Portugal no centro do mercado ibérico, criar nova centralidade económica e diminuir o abandono destes territórios.Deste encontro, em que a Guarda foi o Centro da Península Ibérica, não podem ficar apenas vontades e desejos, é importante que se passe das palavras aos actos para que, de facto, toda a zona da raia de um e outro lado da Fronteira, deixe de ser o parente pobre de Portugal e Espanha.