Faz hoje anos, nada mais nada menos do que quinhentos, que nascia, em Ávila,

Teresa de Cepeda e Ahumada, mulher célebre pela sua inteligência iluminada, pelos seus escritos ainda hoje repletos de vida, pela sua acção apostólica repleta de dinamismo sobre a humanidade que ainda hoje é influenciada pela sua palavra e testemunho.
A sua existência projectou-se de tal modo na história que, hoje, brilham, sobretudo na Igreja católica vestígios da sua cultura e santidade.
Os livros por ela escritos continuam a ter numerosos leitores, mesmo entre pessoas não baptizadas, e, nas comunidades religiosas por ela fundadas, prosseguem as maravilhas do seu exemplo e doutrina.
Não que tivesse muitos estudos, pois, naquela época, as mulheres não tinham escolas e ela se quis aprender teve de deixar as brincadeiras da sua idade e ir com toda a sua atenção sentar-se junto dos irmãos que entretanto iam aprendendo.
Lê as novelas da sua época e entusiasma-se de tal modo que arrasta o seu irmão Rodrigo, um pouco mais velho que ela a demandarem ‘a terra dos mouros’.
Órfã de mãe, aos catorze anos, vê todos os seus irmãos, eram quatro? E, ao chegarem os seus vinte anos, bem contra a vontade do progenitor, abandona a sua casa e vai acolher-se ao mosteiro da carmelitas da Encarnação da sua terra.
Ali passa os anos de sua formação religiosa, terminados os quais faz os votos perpétuos.
Assalta-a depois uma doença mui grave que a leva a um coma profundo de três dias. Dada por morta, fazem-lhe as exéquias e então deu sinal de si. Conta no Livro da sua vida os paroxismos de que foi vítima. Nunca mais teve saúde perfeita.
Vieram as graças místicas que a arrancaram do mosteiro e a tornaram a ‘Andarilha de Deus’.
Daí em diante, toma o nome de Fundadora, pois o seu viver transforma-a mestra e guia de comunidades formadas sobre a sua experiência religiosa e sobre os impulsos de graça divina que a acompanhava.. Ia pelos quarenta e cinco anos. A sua comunidade seria pequena formada por doze monjas, como ‘o colégio de Cristo’ – dirá ela. Pobres, como manda o Evangelho, ganhando o pão com o trabalho de suas mãos. Orantes, sobretudo com ideal contemplativo, rezando pelas necessidades da Igreja e da comunidade.
Vencida a combativa resistência do Conselho de Ávila, inaugura o primeiro Carmelo a 24 de Agosto de 1562. Após cinco anos de experiência, o Padre Rubeo, entusiasmado com a sua obra, dá-lhe a patente de fundadora.
Era o ano de 1567, principia então a correria por várias províncias de Espanha, começando por Medina del Campo, onde tem a ventura de conhecer frei João de S. Matias, mais tarde São João da Cruz que era então apenas estudante em Salamanca, que um ano depois funda um convento em Duruelo, enquanto se continuam a erecção de outras fundações: Malagón, Valladolid, Toledo, Pastrana, Salamanca, Alba de Tormes, Segóvia, Beas de Segura, Sevilha, Caravaca, Villanueva de la Jara, Palencia, Soria, Granada (fundação levada a termo por João da Cruz e Ana de Jesus e Burgos).
Embora sejam de reduzidas dimensões estes grupos religiosos de monjas, podemos ajuizar o sacrifício para erguê-las e dar-lhes uma sólida organização para além do tempo necessário para uma formação básica de espiritualidade interior e ainda o início prático da vida em comum.
A sua morte chegou em Alba de Tormes, na noite de 4 de Outubro de 1582.
Deixou-nos em seus livros a explanação da sua história tanto da vida normal quanto dos episódios místicos de uma vida orante perfeita como uma alma embrenhada na busca e no encontro com Deus descoberto na vida e ensinamentos de Cristo Jesus.
Até literariamente seus escritos têm sido estudados e divididos nos múltiplos aspectos de uma história real.
É normal que alma entregue totalmente a Deus saiba olhar para o Evangelho e restantes Livros da Escritura e além disso se prenda a obras dos teólogos e sobretudo santos canonizados pela Igreja.
Mesmo eruditos de pouca fé cristã se têm debruçado sobre os seus escritos que nos oferecem a história do seu tempo com as relações da sociedade, problemas então passados e questiúnculas de opções feitas por diversas pessoas diferentes no seu pensar e sentir.
Temos de saber ainda, ter-lhe sido dado por Paulo VI, a 27 de Setembro de 1970, o título de doutora da Igreja, facto então perfeitamente invulgar. Por isso, começou a ser mais lido o seu testemunho de vida unida a Cristo.