Há tradições que vão passando de geração em geração e, neste ponto, a música assume um papel predominante.

Ainda hoje há cantigas trauteadas por miúdos e graúdos que, apesar da antiguidade, continuam a avivar acontecimentos, sorrisos e saudade. O tempo de Natal, que chegou ao fim esta segunda-feira, 8 de Janeiro, com a celebração do Baptismo, é rico em melodias ao Menino Jesus. São muitos os que ainda recordam cantigas de antigamente, que não esmorecem com o passar dos anos. Em casa, nas igrejas, nas escolas e até mesmo pelas ruas é fácil ouvir trautear canções desta época festiva.
Noutros tempos, o primeiro dia do ano era de festa e convívio, em todas as aldeias, com o cantar das Janeiras. A garotada andava de casa em casa, batendo a cada porta, sempre na esperança de uma oferta generosa, que muitas vezes não passava de um punhado de rebuçados, de uma ou duas maças, ou mesmo laranjas. Os enchidos, que nessa altura do ano estavam nos fumeiros, também faziam parte da lista de ofertas aos cantadores.
Com os farnéis e os sacos às costas, os grupos das janeiras não se cansavam de repetir o mesmo refrão vezes sem conta.
Agora os tempos são outros e há cada vez menos gente nas ruas com vontade de “pedir e cantar as Janeiras”. A abundância de tudo, não só no tempo de Natal mas também ao longo de todo o ano, tem esmorecido esta tradição tão portuguesa que consiste no cantar de músicas pelas ruas anunciando o nascimento de Jesus, desejando um feliz ano novo.
Esta tradição genuína e única está a perder a sua essência em relação ao sentido e aos lugares em que apareceu para se tornar num espectáculo de palco. Mas, mesmo aí, o canto das janeiras continua com o entusiasmo de outros tempos, arrebatando multidões e palmas de quem se senta para ver e ouvir. É a força da música popular que não pode nem deve ser esquecida.