Ei-los que partem, novos e velhos, com a bagagem carregada de fé, esperança e agradecimento.

Todos os anos, por esta altura, são milhares os que se fazem à estrada com o pensamento na Senhora de Branco, da Cova da Iria.
De perto ou de longe são tantos que, a 12 e 13 de Maio, enchem o recinto do Santuário que abarca o mistério das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco.
Alguns caminham por caminhar, à procura de um novo rumo para a vida, mas a grande maioria deixa os afazeres do dia-a-dia para agradecer, pedir ou implorar uma graça e tantas vezes um milagre. É a fé de um povo que extravasou os limites de uma freguesia pacata e esquecida, antes de 1917, para se alargar, primeiro a Portugal e, logo a seguir, ao mundo.
A grandeza da simplicidade dos pequenos pastorinhos continua a impressionar letrados e entendidos, teólogos e pessoas do povo. Depois do “dia em que o sol bailou” têm acorrido ao local multidões e multidões, engrossadas por gente de todas as classes sociais.
A visita dos Papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco atestam bem a vivência espiritual da Cova da Iria.
A 13 Maio de 1967, Paulo VI apresentou-se como “peregrino humilde e confiante” e quis rezar pela “paz interior” da “Igreja una, santa, católica e apostólica” e pelo “mundo, a paz no mundo”. Na homilia da Missa do dia 13 deixou o pedido: “Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total no mundo. Homens, sede magnânimos”. Um pedido intemporal que continua pleno de actualidade nos nossos dias.
João Paulo II seria o segundo Papa a visitar o santuário da Cova da Iria. Em 1982, um ano após o atentado na Praça de S. Pedro, veio como peregrino. Haveria de voltar em 1991 e em 2000. Na última visita, o “Papa de Fátima” presidiu à beatificação dos Pastorinhos Francisco e Jacinta.
A visita do Papa Bento XVI aconteceu em Maio de 2010 e foi como peregrino entre os peregrinos, que quis falar ao mundo.
“Queridos peregrinos, temos Mãe” disse o Papa Francisco, na homilia do dia 13 de Maio de 2017, quando visitou o Santuário da Cova da Iria, no centenário das aparições e presidiu à canonização de Francisco e Jacinta. A caminho de Roma escreveu que “Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre quando nos refugiamos sob a protecção da Virgem Mãe para Lhe pedir: mostrai-nos Jesus”.
Ontem como hoje, a Senhora de Branco continua a atrair a humanidade caminhante para uma mensagem de Paz e esperança.
Por estes dias, o Jornal a GUARDA promoveu uma viagem/peregrinação ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, na ilha de São Miguel, nos Açores. Também ali demos conta da presença da Senhora de Fátima a apontar para Jesus. Também ali demos conta da fé de um povo que regressa às origens para pedir graças e mostrar gratidão. A imagem do “Ecce Homo”, transportada num imponente e adornado andor, continua a atrair tanta gente movida pela fé.
Foi na alegria da fé comum de um povo orante que recebemos a notícia da nomeação do Padre António Luciano Santos Costa para Bispo de Viseu.