O primeiro Presépio do mundo terá sido construído por São Francisco, em 1223.

Nesse ano, o Santo de Assis em vez de festejar a noite de Natal na Igreja optou pela floresta da cidade de Greccio, na Itália. Com o objectivo de explicar melhor o sentido do Natal às pessoas pediu que levassem uma manjedoura, um boi e um burro. Com este gesto quis mostrar, de uma forma muito simples, a história do nascimento de Jesus aos camponeses.
O Presépio também passou a fazer parte da vida das aldeias vilas e cidades de todo o território português e ganhou formas de representação ao gosto dos artistas. Através da pintura da azulejaria, da madeira do barro e de tantos outros materiais, a representação do nascimento em Belém foi ganhando forma e vida um pouco por todo o lado.
O Presépio Tradicional Português tem características próprias de região para região e é formado por figuras muito diversas que não correspondem exactamente à época que deveriam representar. Na representação do nascimento de Jesus, em Portugal, é possível encontrar o moleiro, o moinho, a lavadeira, bailarinos de um rancho folclórico, a mulher com um cântaro na cabeça, a banda de música, entre muitos outros personagens. Estas peças de cerâmica são oriundas da zona de Barcelos, e ainda agora continuam a ser produzidas de forma artesanal.
No Alentejo, o Presépio mais característico é o de Estremoz que aproveitou a arte dos bonecos, peças de cerâmica modeladas segundo tipologias de trabalho secularmente repetidas. Estes bonecos foram classificados pela UNESCO Património Cultural Imaterial, em Dezembro de 2017.
Na região da Guarda o costume de fazer o Presépio também está muito presente. Nesta altura do ano, as igrejas mostram peças mais ou menos recentes da representação do Presépio de Belém. Ultimamente são as próprias juntas de freguesia e as autarquias que têm lançado mãos à obra na construção de presépios em espaços públicos.
No Sabugal, por exemplo, o Presépio ocupa grande parte do largo principal da cidade e tem atraído centenas de pessoas. Os visitantes entram na representação à medida que percorrem cenas da vida campestre misturadas com a gruta de Belém. Nota-se a preocupação de preservar uma tradição secular de uma forma inovadora e adaptada à realidade actual.
Em tempos, na Guarda, os funcionários da autarquia construíam um Presépio, no antigo edifício da Câmara Municipal, na Praça Velha. Esta tradição, que desapareceu nos últimos anos e despertava o interesse de miúdos e graúdos, merecia ser retomada e inserida na programação da Câmara, para que a Guarda fosse, de verdade, “Cidade Natal”.