Em várias dioceses do nosso país e do mundo além, a Festa da Apresentação do Senhor tem sido, alguns anos já, acrescida, com o esteio de na própria liturgia, com a menção das pessoas consagradas a Deus,

sobretudo por votos públicos. O povo cristão suplica para elas a graça divina, a fim de crescerem em santidade e se aumentar o seu número, em toda a Igreja.
Lembrar o estado religioso significa rezar pelas pessoas consagradas e procurar suscitar vocações em ordem a promover-se, por toda a terra, o número dos trabalhadores na vinha do Senhor para se dedicarem ao labor apostólico, numa doação total. Cuidarão dos baptizados e também dos gentios, com o intuito de seguirem a lei do Evangelho.
Parte importante na vida eclesial, os religiosos mereceram, na Constituição Dogmática sobre a Igreja, no Vaticano II, um estudo importante e além disso um Decreto dedicado à análise do seu lugar na vida cristã.
“A conveniente renovação da vida religiosa compreende não só um contínuo regresso às fontes de toda a vida cristã e à genuína inspiração dos institutos mas também a sua adaptação às novas condições dos tempos”- afirma o respectivo decreto.
Os principais temas tratados nessa constituição já mereceram à Igreja estudos, onde se analisaram adaptações e renovamentos, nestes anos passados.
Por mandato papal, deve consagrar-se ao Estado Religioso um ano de 30 de Novembro último até a 2 de Fevereiro do ano a vir, com o objectivo de neste tempo se dedicar à Vida Consagrada uma atenção especial. Pela Carta Apostólica enviada, a 21 de Novembro de 2014, a todos os religiosos e hierarcas sagrados se divisam os assuntos a tratar e a viver.
Podemos resumi-los em quatro pontos importantes:
Olhar com gratidão o passado, revendo a própria história, para manter viva e actual a vocação recebida, não nos fixando apenas nos relatos, mas despertando em todos acções de graças e humildade.
Viver com paixão o presente, deixando-nos interpelar pelo Evangelho, no seu radicalismo e lisura.
Abraçar com ânimo o futuro, apesar das dificuldades experimentadas na época ora vivida.
Tudo isto para reavivar, recompor, reconstituir e restabelecer não apenas as ordens, congregações e demais institutos, mas ainda, por meio deste empenhamento, tornar toda a comunidade eclesial mais perfeita e santa.
Segundo as indicações do Papa Francisco, no documento que vamos compendiando, a finalidade de sua promulgação será:
Incrementar a alegria na vida, pois onde houver religiosos, para mostrarem quanto Deus torna felizes os que a Ele se dedicam de todo o coração, pois a audácia e o ânimo de um crente é viver o Evangelho, no testemunho do amor fraterno, da solidariedade e da partilha.
A palavra divina da profecia, a fazer ressoar por todo o mundo, deverá, através da vivência da lógica do evangelho, no dom da fraternidade, do amor recíproco, do acolhimento dos irmãos; a comunhão praticada logo na própria comunidade crescer cada vez mais. Através do acolhimento recíproco, da partilha das dádivas pessoais para o enriquecimento de todos, tem de irradiar a glorificação da inteira comunidade cristã até à saída para as periferias onde moram os mais infelizes e necessitados, os mais desprotegidos e pobres que necessitam de promoção espiritual e cível, sempre atentos ao que Deus pede e ao que precisa a humanidade de hoje.
É claro que os benefícios e vantagens a despertar, no Ano da Vida Consagrada, não serão apenas em favor das comunidades monásticas, claustrais, religiosas e outros cristãos consagrados por votos de fidelidade à Igreja. Têm de se alargar aos leigos que costumam partilhar da espiritualidade dos monges ou dos Institutos Seculares na sua vida pessoal, tendo em conta a direcção de sua piedade e devoção.
Precisamos de espalhar por toda a comunhão dos crentes, por toda a Igreja, a santidade mais profunda e alargada dos mosteiros, conventos e demais casas religiosas. Pela oração, sacrifício, penitência e exemplo, os religiosos saberão ser um ponto de atracção, uma luz a brilhar nas trevas que o povo recordará, ao considerar a sua santidade e o seu grande exemplo, sem se ficar apenas nos fundadores mas reparando também nos herdeiros actuais de seus carismas e dons, pois eles vão continuamente actualizando e adaptando para os tempos de agora quanto predisseram e praticaram os seus predecessores.
Nesta perspectiva, os leigos terão muito que aprender, imitar e, ao mesmo tempo, no seu próprio viver cristão, instruir e partilhar.
Viver o Ano da Vida Consagrada será pois fazer brilhar a sua beleza e santidade na Igreja para obter a paridade, a similitude, a influência e a ligação na grande comunidade dos fiéis.