Tradição


Dos talhos instalados no Mercado Municipal da Guarda já sai pouca carne para as pessoas fazerem os enchidos em casa, de acordo com os talhantes contactados pelo Jornal A GUARDA.
O talhante António Júlio Coelho da Costa referiu que “pouco ou nada” vende, em relação à carne para os enchidos, porque, nuns casos “já se retomaram as matanças” tradicionais e as pessoas fazem os enchidos para autoconsumo e noutros casos porque optam por comprar o enchido já feito. “Há meia dúzia de anos até vendia porcos inteiros (para o enchido caseiro). Agora já não”, disse.
José Cabral contou que no seu talho os clientes “ainda compram” carne para o enchido, “mas já pouco”. “Há uns anos toda a gente das aldeias matava o porco. Depois as matanças acabaram e passaram a comprar a carne e, agora, ainda compram alguma, mas a grande maioria das pessoas compra as chouriças já feitas”, disse o talhante.
O talhante Armando Costa Neves também disse ao Jornal A GUARDA que a carne de porco para confecção de enchidos tem pouca procura. “Os velhotes morrem e os mais novos já não estão para fazer o enchido e outros até nem saberão”, justifica. “Nas aldeias pouca gente mata o porco. Quem continua a fazer enchido vem ao talho e compra a carne para as chouriças, mas já é pouca gente a fazer isso”, adiantou Carlos Pires, do Talho Reduto. O mesmo cenário foi relatado pelo talhante Victor Antunes.