A loja «O Cantinho da Minha Mãe», de venda de artigos têxteis e artesanais, está instalada na Avenida João de Ruão,

n.º 6, na Guarda-Gare. Abriu as portas em Dezembro de 1997, por iniciativa da empresária Conceição Magalhães, de 60 anos. A proprietária contou ao Jornal A GUARDA que naquele local funcionou anteriormente uma mercearia. “Eu era feirante e deixei a venda ambulante e abri aqui a loja” referiu, explicando que começou a actividade “só com a venda de têxteis”, mas, “para ocupar o tempo”, começou também a fazer bordados e rendas e a vender ao público. “Hoje, vendo também os meus bordados e rendas e os artigos que são feitos por duas pessoas que trabalham, em casa, para mim”, disse. Conceição Magalhães referiu que faz “tudo o que é bordado” e trabalha “com linhos caseiros”. “Também trabalho por encomenda, embora, como gosto muito de trabalhar, faço mais para a montra. Gosto muito de ser eu a criar”, disse, explicando que das suas mãos saem, entre outros artigos, sacos para o pão, panos de sala, jogos de quarto, toalhas redondas e panos de cozinha. “Já tenho clientes certos para as rendas e bordados e o forte da venda é nos meses de Janeiro e Fevereiro, Agosto, Setembro, Outubro e Novembro. Neste momento já estou a trabalhar para o Natal, por encomendas e não só”, disse. Adiantou ainda ao Jornal A GUARDA que “as pessoas antigas dizem que já não se usam as rendas, mas eu vendo muita renda e continua a ter procura. Não se vendem peças muito grandes. Vendo peças elaboradas. Tudo o que seja mais elaborado é o que mais gosto de fazer. Gosto de desafios no meu trabalho”.
O estabelecimento também vende ao público linhas e linho ao metro, para os bordados, que vão tendo procura. “As pessoas compram para fazerem em casa. Elas vêm os meus linhos e depois compram para fazerem. São pessoas mais de idade, os mais novos não têm interesse por isto, embora os mais velhos comprem e façam para darem aos mais novos”, explicou.
A comerciante da Guarda-Gare vende rendas e bordados para vários locais do distrito e do país, mas também “para fora, para o Brasil e muito para a França”. Contou que aprendeu sozinha a fazer rendas e bordados “com 6 anos, em África”. “Aprendi em África, mas lá não fazia. Depois, vim para Portugal com os meus pais e quando estava nas feiras estava sempre a fazer renda, para me manter ocupada, porque eu faço isto para ocupar o tempo e também porque gosto”.
Quanto ao negócio actual, Conceição Magalhães diz que o mesmo é afectado pela crise económica que atinge o país: “O negócio está fraco. As pessoas dizem que não têm dinheiro”. Refere ainda que a clientela diminuiu na sua loja após o fecho da fábrica multinacional Delphi, pois quando aquela unidade industrial funcionava “passava por aqui muita gente”. “As pessoas saiam dos turnos, passavam aqui pela rua e compravam muito. Tenho muitas saudades desse tempo. Depois do fecho da fábrica as vendas baixaram 50% ou mais. Agora, só por aqui passa quem vem mesmo para comprar, ou quem vem de comboio”, adiantou.
Conceição Magalhães explicou ainda que o nome da loja surgiu devido à sua mãe: “«O Cantinho da Minha Mãe» porque a minha mãe gostava muito do estabelecimento. Ela vivia no Porto e quando vinha para a Guarda gostava muito de aqui estar. Então, como homenagem à minha mãe, decidi atribuir-lhe este nome, porque a loja abriu como «Têxteis Anita»”.
O estabelecimento funciona de segunda a sexta-feira das 9.00 às 13.00 horas e das 15.00 às 19.00 horas e aos sábados das 9.00 às 13.00 horas.