A loja «JMPavicolor», localizada na Rua Calouste Gulbenkian, Bloco 1,

Rés-do-Chão, na cidade da Guarda, abriu as portas em meados de 1999, por iniciativa do empresário José dos Santos Mendonça. Trata-se de um estabelecimento de venda de tintas e de pavimentos em madeira para obras de construção civil.
O empresário José dos Santos Mendonça disse ao Jornal A GUARDA que a crise económica que continua a afectar o país e a concorrência das grandes superfícies comerciais têm contribuído para a redução do negócio, que está muito diferente daquilo que era em 1999 quando abriu a loja. “Se calhar tivemos uma quebra de 50% nas vendas, ou até mais. Infelizmente, na área da construção, os clientes são pouco fiéis. Costumo dizer, em tom de brincadeira, que grande parte dos construtores da nossa zona foram parar à construção civil por mero acaso e a formação académica é fraca. Daí que, muitas vezes, não reconheçam a qualidade dos produtos e só visem o lucro. Isso faz com que eu venda uma lata de tinta, por exemplo por 50 euros, e se amanhã aparecer um indivíduo que a venda por 30 euros ele compra a de 30 porque não olha ao produto, mas apenas ao preço. O mesmo acontece com os consumidores nas grandes superfícies comerciais”, justificou. Em 1999, recorda, a construção civil “estava bastante forte” e “havia muita obra, embora o meu raio de acção fosse 60 a 70% na cidade da Guarda e os restantes 30 a 40% nalguns pontos da região, mais propriamente clientes que andavam com obras na cidade e que traziam, paralelamente, obras em algumas aldeias”. “Nessa altura vendia-se bem, facturava-se bem e recebia-se bem. Hoje em dia, quase não se vende nada e há dificuldade em receber. De há dois a três anos para cá foi quando se notou mais quebra no negócio. Talvez tenha coincidido com o fecho da fábrica Delphi”, referiu. A concorrência das grandes superfícies comerciais também “passou a ser grande”. “Há determinados materiais, por exemplo ao nível dos pavimentos em que não é necessário ser-se um especialista, basta ter algum jeito, paciência e algumas ferramentas adequadas. As pessoas passaram a fazer as obras por elas próprias e já não recorrem tanto às casas especializadas. E como a grande construção libertou muitos desses pequenos biscateiros, isso faz com que isto tivesse esse decréscimo”, disse o empresário.
A «JMPavicolor» tem clientes na cidade da Guarda e na região e, para além da venda, também dá aconselhamento técnico. “O serviço que presto, além da venda, é o aconselhamento técnico, pois faço um estudo prévio em relação áquilo que o cliente pretende fazer. Esse estudo passa por fazer um levantamento da obra, ver os problemas existentes e quais os materiais mais adequados, e tentar, sempre que possível, que o cliente compre bons produtos e que cumpra as normas correctas de aplicação, porque se isso for feito, mesmo trabalhando com produtos de qualidade mais fraca podemos ter um resultado satisfatório em temos de obra”, disse.
Quanto ao futuro da sua área de negócio, diz que o vê “muito negro, porque actualmente o sector da construção civil “está parado”. “Neste momento, não há construção nova, vai havendo alguma reabilitação e as pessoas não têm grande poder de compra. Às vezes, há determinados prédios em condomínios que já deviam ter sido reabilitados há meia dúzia de anos, mas como algumas habitações estão vagas, nem sempre os proprietários estão disponíveis para gastar dinheiro na reabilitação e as obras não são executadas”. “Eu ainda espero por melhores dias, porque a esperança é a última coisa a morrer, mas já começa a ser pouca”, remata.
O estabelecimento, que presta serviço personalizado, funciona das 9.00 às 13.00 horas e das 15.00 às 19.00 horas, de segunda a sexta-feira, e das 9.00 às 13.00 horas, aos sábados.