Olaria de Juncais


A Mimoso - Olaria de Juncais distingue-se de outras pequenas empresas do ramo do artesanato pelo facto de ser pioneira na personalização dos artigos que foram sendo criados nos últimos anos. Os artigos, produzidos a partir de barro proveniente das Caldas da Rainha, são criados e idealizados pelo proprietário Pedro Mimoso e estão registados na IGAC - Inspecção Geral das Actividades Económicas. O processo de fabrico das peças de olaria começa com a colocação do barro, que já chega à oficina pronto a utilizar, numa máquina de onde sai amassado para utilização nos moldes. As peças são feitas por dois métodos: enchimento (barro líquido) e prensa (barro prensado). Segue-se a cozedura da “chacota” (quando o barro passa de cru para cozido). As peças vão ao forno e são cozidas a 1.000 graus de temperatura durante cerca de 6 horas e meia. Depois ocorre o arrefecimento que também tem de ser gradual, para evitar a quebra das peças, durante cerca de 7 horas. Após a cozedura as peças são pintadas e decoradas. A decoração pode ser manual ou por estampagem. A olaria tem três mulheres na unidade de pintura e de decoração das peças produzidas.
O empresário Pedro Mimoso contou ao Jornal A GUARDA que a olaria faz trabalhos à base de encomendas. “Não fazemos peças de uma linha de stock. Personalizamos cliente a cliente”. Os clientes são Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, associações, lojas de artesanato, comissões de festas, etc. “Não vendemos para o estrangeiro, só para o mercado nacional, embora a maior parte das peças produzidas seja destinada ao turismo. Como personalizamos é difícil de trabalhar com o estrangeiro. Já tivemos algumas encomendas para o estrangeiro, mas é difícil, porque os nossos clientes têm todos um desenho personalizado e é difícil trabalhar com os estrangeiros desta forma, porque estão mais habituados ao standard. Aqui, cada cliente tem um design exclusivo. Concebemos até o desenho se nos derem uma maquete do que pretendem fazer”, justificou, adiantando que é ele próprio que faz a aguarela a partir de fotografias ou desenhos.
Pedro Mimoso lembrou que o grande impulso da casa foi dado em 1985 com os pratinhos com os nomes. “Depois, andámos uns 10 anos só a fabricar isso. Passados esses 10 anos evoluímos para uma diversidade grande e todos os anos temos que inovar, porque se não for assim, os clientes acabam por ter sempre as mesmas peças. Temos que apostar em produtos novos e acompanhar o mercado”. Da loja saem anualmente milhares de peças como copos para ginja, canecas, pratos, tigelas, porcos mealheiro, ímanes para os frigoríficos, chávenas de café, suportes para guardanapos, jarras, jarros, prémios para concursos, etc. A unidade fabril também produz painéis de azulejos, placas toponímicas e números de polícia. Em termos de placas toponímicas e de números de polícia, a olaria do concelho de Fornos de Algodres já fez trabalhos para localidades como Abravezes (no concelho de Viseu), Juncais (Fornos de Algodres), Penaverde e Mosteiro (no concelho de Aguiar da Beira). Existem também grandes painéis de azulejos executados por Pedro Mimoso em algumas localidades, como por exemplo em Infías, no concelho de Fornos de Algodres.
A empresa de Juncais possui uma carteira com 950 clientes, mas não são todos de encomendas regulares “porque há muitos que encomendam uma vez por ano”. A fábrica também executa os expositores que os clientes colocam nas lojas com os produtos, por exemplo para os ímanes dos frigoríficos, para os nomes ou para as canecas. É um serviço adicional que disponibilizamos aos nossos clientes, mas que tem procura porque “aqui podemos fazer os expositores à medida que queremos”, disse o empresário. A localização da olaria em Juncais, no concelho de Fornos de Algodres, tem, segundo o empresário, a desvantagem de estar longe das matérias-primas e de ser servida pela auto-estrada A25 que representa custos acrescidos devido ao pagamento das portagens. “Nós temos um comercial na rua e, com as portagens, as deslocações tornam-se cada vez mais difíceis. Por vezes, é mais barato ficar numa determinada região do país e dormir lá, do que voltar para Fornos de Algodres e voltar a ir no dia seguinte”, referiu, a título de exemplo. Em relação ao futuro, o responsável disse que pretende “continuar como as coisas estão e manter” a olaria que é a única em funcionamento na região.