Ensaio Opel Astra Sports Tourer GSe


A Opel recuperou a sigla GSE com um “twist”. Agora significa “Grand Sport Electric”. No passado significava um modelo desportivo, hoje traduz modelos desportivos com um lado ecológico. Equilíbrio entre performances e defesa do ambiente.
Assim sendo, este Astra Sports Tourer GSe tem uma potência de 225 cv partindo do motor a gasolina com 1.6 litros que debita 180 cv e contando com a ajuda de um motor elétrico com 110 cv. A caixa é uma excelente unidade automática da Aisin com oito velocidades.
Contas feitas, é o Astra mais potente e, deixando à parte o modelo 100% elétrico, o mais eficiente. A Opel diz que as versões GSe se destacam por motorizações únicas, suspensões exclusivas e um estilo dedicado. A primeira está conforme: a mecânica híbrida dá-lhe potência e respeita o ambiente. A segunda também, já que o Astra Sports Tourer GSe utiliza suspensões Koni com amortecedores FSD (Frequency Selectiv Dampjng). Ligados aos modos de condução vão do suave ao duro, do confortável ao desportivo com um toque num botão.
Finalmente, olhemos para o estilo. A frente Opel Vizor contrasta, naturalmente, com o branco da carroçaria e joga bem com o tejadilho negro. As jantes são bonitas e aerodinâmicas (rima muitas vezes não conseguida) com 18 polegadas. Por dentro a única diferença está nos bancos desportivos e certificados pela AGR forrados a Alcantara.
Estando tudo certo, teoricamente, o que é que tudo isto significa na prática? Desde logo, viaja ao volante de uma carrinha elegante e dinâmica. Mas, lamento desiludi-lo. Este não é um desportivo. Porquê?
Em primeiro lugar porque a caixa automática tem dificuldade em gerir o sistema híbrido e acaba por ter hesitações menos agradáveis. Por outro lado, para retomar a aceleração exige-se paciência porque a caixa tem de escolher a melhor mudança e com a prioridade ao motor elétrico, o motor térmico tem de acordar antes de se ganhar, verdadeiramente, velocidade.
Depois, a travar o ímpeto desportivo está o chassis. O peso derivado do sistema híbrido leva o ponteiro da báscula para as 1,7 toneladas e a suspensão Koni consegue endurecer o carro, mas sofre com o peso.
Assim, sentimo-nos muito mais à vontade a devorar quilómetros deixando de lado o modo Sport. Isto porque o Astra está bem insonorizado, é muito sereno em linha reta, curva bem e é confortável devido aos bancos AGR firmes, mas confortáveis.
Adiciona-se a isto um modo 100% elétrico com um motor capaz de nos levar até aos 135 km/h (velocidade máxima em modo EV) sem dificuldades e é possível andar na autoestrada neste modo. Pena que a autonomia seja curta: 64 km anunciados. Por outro lado, excelentes consumos verificados (com a bateria carregada): 4,1 l/100 km.