Ensaio VW Taigo 1.0 TSI DSG


Quando um construtor deita mão a automóveis feitos na América do Sul para estender ou completar a sua gama europeia, confesso que me assusto. Desta feita, porém, não há razões para ter medos. O Nivus passou a chamar-se Taigo e a conversão está muito bem feita. Até porque a base é a mesma dos modelos europeus. Pois é verdade, este é mais um SUV da Volkswagen com plataforma MQB A0, a mesma do T-Cross e do Polo.
Ora, o que muda face ao Nivus? Desde logo a qualidade dos materiais no interior. Depois, alguns retoques na maquilhagem, perdão, no estilo e nos equipamentos. Como referi acima, o Taigo é mais caro porque, sendo um SUV coupé, a VW entende que tendo mais estilo e presença você está disposto a gastar mais dinheiro para ter um. Nada contra e face ao aspeto do Taigo e ao tamanho maior face ao T-Cross, os euros a mais acabam por se justificar.
Já na bagageira, o Taigo é melhor que o Polo (351 litros), mas pior que o T-Cross (455 litros) ao exibir somente 440 litros. Olhemos para a mecânica. Mais simples não há! Apenas um motor a gasolina com 1.0 litro de cilindrada e duas potências (95, 110 CV). O motor do automóvel alvo deste ensaio é o TSI 110 acoplado à caixa de dupla embraiagem DSG. E recomendo-lhe vivamente a caixa automática por duas razões. Primeiro pelo conforto de utilização. Depois, pelas menores emissões obtidas. Só existe com tração dianteira e não há versões desportivas.
O Taigo com 110 CV não é nenhum desportivo. Tem genica suficiente para encarar um trajeto pendular casa-trabalho que inclua autoestrada e muita cidade com desenvoltura. Aqui também não há hibridização, portanto, é tudo “old school”.
A maior surpresa deste Taigo reside no conforto inesperado olhando às capacidades em curva. As jantes de 17 polegadas não prejudicam o conforto e permitem que as lombas e buracos menos profundos sejam absorvidos sem grandes problemas. Depois, em curva, a carroçaria não adorna em demasia e a frente mantém um nível de aderência surpreendente. A boa posição de condução encontra-se facilmente, o acesso é bom devido à generosa dimensão das portas e uma altura ao solo razoável. Pena que as embaladeiras sejam tão largas.
O Taigo foi a forma rápida que a Volkswagen encontrou para petiscar num lago de SUV coupé que parece ser a mais recente obsessão dos consumidores. Certamente que se procura um automóvel desses o Taigo estará na sua lista de preferências, mas há por aí alguns carros que podem tornar a vida do Volkswagen mais difícil. Porque se no passado o nome da marca se impunha, hoje as coisas estão ligeiramente diferentes. E por quase 30 mil euros, como disse, há rivais fortes do Taigo. Desde logo e dentro de “casa”, o T-Cross.