Proposta do PAN é vista como um ataque ao mundo rural

A ANEB - Associação Nacional dos Engordadores de Bovinos considera a proposta de novas taxas a aplicar sobre o preço da carne, defendida pelo PAN, “completamente insensata”.Para esta Associação “a coberto de motivações ambientalistas, a proposta do PAN para taxar a carne esconde uma agenda radical e agressiva, que pretende alterar os hábitos de consumo e as opções de escolha dos portugueses”. Em comunicado lembra que “a aplicação da taxa e o aumento do preço da carne impediria, a um número crescente de consumidores, o acesso a esta fonte de proteína, tão importante para uma dieta equilibrada”. A ANEB considera a proposta do PAN como uma “medida que seria irresponsável e socialmente discriminatória, uma vez que teria impacto acrescido junto dos consumidores com menos recursos”.Nuno Lagoa Ramalho, Presidente da ANEB, considera que “a proposta, que pretende justificar a aplicação da taxa sobre a carne com a pegada ecológica, não tem em conta os impactos ambientais positivos do sector agro-pecuário na fixação de populações nas zonas rurais e do interior e não valoriza a relevância destas actividades no ordenamento do território, na sustentabilidade das terras e no contributo decisivo que dão para assegurar a biodiversidade”.O comunicado adianta que “no caso da produção agro-pecuária em extensivo, a qual tem um maior peso no nosso país e representa cerca de 50% da produção bovina em Portugal, há até evidências científicas que sustentam um reduzido impacto ambiental, uma vez que as pastagens e a floresta têm um papel determinante na fixação de carbono”.Para esta Associação o sector agro-pecuário garante a não desertificação do interior e a valorização do território nacional em toda a sua extensão, exigindo igualmente o desenvolvimento de todas as actividades económicas e a manutenção dos serviços necessários às populações residentes, contribuindo para atenuar as assimetrias que a redução do agro-pecuário no interior iria potenciar de forma ainda mais evidente.A diminuição do consumo de carne resultaria numa quebra da produção nacional e numa crescente fragilização da economia portuguesa, e implicaria uma perda de competitividade dos empresários portugueses. ANEB refuta todas as propostas populistas e agendas políticas específicas e parciais que, de forma ardilosa, não pretendem enquadrar todas as dimensões (ambiental, económica e social) que devem presidir a uma discussão séria destas questões, que não pode, de todo, ser feita em sede de discussão de orçamento.