Direcção foi recebida na Presidência da República


A direcção da Associação Distrital de Agricultores da Guarda (ADAG) foi recebida na quarta-feira, dia 1 de Abril, na Presidência da República, onde entregou um documento a pedir mais atenção para a agricultura familiar e para os pequenos agricultores.
De acordo com o vice-presidente da ADAG, Mário Triunfante Martins, a comitiva foi recebida pela assessora do Presidente da República para os assuntos da Agricultura, que tomou nota das preocupações manifestadas “e disse que vai comunicar ao senhor Presidente para ele exercer as suas influências”. A direcção da ADAG também entregou um documento, dirigido ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, onde dá conta das preocupações actuais e aponta caminhos para o futuro, alertando que tem sido feito “um ataque cerrado à agricultura familiar e aos pequenos agricultores, não só com as exigências fiscais, como com outras”. “Desde há décadas que se vem assistindo a uma progressiva degradação da agricultura em Portugal. Mas nunca foi tão grave como a situação que se verifica actualmente, fruto de sucessivas políticas agrícolas erradas e que culminam com a Reforma da PAC e o PDR 2020”, é referido no documento. Segundo a ADAG, uma das áreas mais fortemente afectada é a agricultura familiar, “já que o Governo Português segue uma política de apoio incondicional à agricultura de maior dimensão e ao agro-negócio”.
A associação dá vários exemplos de situações que afectam os agricultores, em áreas como o azeite, a castanha, a batata, o vinho e o queijo. Em relação ao sector do queijo, indica que se assiste a um “decréscimo do pastoreio de pequenos ruminantes, com a consequente e drástica diminuição do fabrico artesanal de queijo da Serra - grave ou quase total risco de se perder um saber ancestral, um produto único, devido ao crescente abandono da actividade, face às exigências burocráticas e fiscais completamente desajustadas à realidade do sector”.
A ADAG alerta ainda que é urgente “a revisão das políticas oficiais agrícolas e de mercados, que hoje continuam centradas nos apoios ao grande agro-negócio, virados, sobretudo, para a exportação”. “É imperativo e urgente que seja prestada atenção à agricultura familiar e aos mercados internos e de proximidade, com potencialidades para o escoamento da produção nacional”, acrescenta. Refere ainda a necessidade de ser aprovada a Carta e o Estatuto da Agricultura Familiar propostos pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Para além da audiência na Presidência da República, a ADAG também já foi recebida pela Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República. A direcção está ainda a aguardar por uma reunião com a Ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas.