Na estrada com…


Após um período com um rumo algo questionável e simultaneamente incompreensível, a DS assumiu-se como marca premium do grupo com uma estratégia muito bem definida. O DS 3 Crossback é prova disso. Depois de provas dadas com o DS 7 Crossback, modelo que marcou o início da carreira como marca independente, DS tem demonstrado que é possível beliscar os segmentos premium com o “savoir-faire” francês.
No interior sente-se o conforto e o ambiente requintado, contribuindo para tal os bancos em pele com o padrão em losangos e a suspensão que sabe filtrar as irregularidades, apesar das enormes jantes de liga leve de 183, ou não fosse a DS uma parente nobre da Citroën. Os materiais agradam, tanto à vista como ao toque, e para que não houvesse rigorosamente nada a apontar, bastava que a zona inferior do habitáculo, nomeadamente nas portas, acompanhasse tudo o resto. A pele, as costuras, e maioria dos botões por toque compõem um interior declaradamente premium e tecnológico, onde o pormenor foi tido em conta. O ecrã da instrumentação permite vários modos de apresentação com grafismos e animações que enchem a vista.
No exterior as opiniões dividem-se. É um facto que este novo DS 3 Crossback assume a identidade do modelo que lhe deu origem. E se a solução encontrada na linha de cintura e que divide a parte da frente da secção traseira é questionável, é também um facto que os detalhes como a assinatura LED, o desenho das jantes de liga leve, a grelha frontal com a presença do logo DS e os puxadores cromados retráteis marcam a presença de um modelo que se destaca dos restantes. Aqui, entendemos que solução encontrada pela DS não foi a mais feliz, uma vez que ao contrário do que acontece em outros modelos com a mesma solução, no DS 3 Crossback os puxadores não fixam na posição aberta, o que significa que podem entalar a mão se a porta for fechada através do próprio puxador. Por outro lado, o ruído que fazem ao recolher quando arrancamos, requer hábito para ser ignorado.
A fechar a imagem desta unidade em particular, equipada com a versão mais potente do motor 1.2 PureTech com 155 cv, estão as duas ponteiras de escape redondas e de generosas dimensões. Os restantes pormenores até lhe conferem um aspeto desportivo, apenas contrariado pela elevada altura ao solo.
Ao volante, nada a apontar, tendo uma condução que agrada em tudo. A caixa automática de oito velocidades tem um funcionamento exímio e um bom escalonamento. Os comandos foram herdados dos modelos da outra marca do grupo, a Peugeot. O volante tem uma boa pega, a direção tem uma relação de precisão/conforto bem conseguida, o que dinamicamente também lhe atribui um bom posicionamento.
Os modos de condução estão bem diferenciados e o motor 1.2 PureTech nesta versão de 155 cv é bem mais expedito, embora também mais “guloso”. O modo Eco permite uma condução 100% relaxada onde a caixa evita as reduções e fica com um funcionamento muito suave. Para um andamento mais ágil e solícito, é obrigatório o modo Normal, e se pretendermos tirar mais partido desta versão mais potente do bloco 1.2 PureTech, o modo Sport é a melhor opção. Registamos apenas a ausência de um sistema de “hill hold”, ou seja, um sistema que trave o carro no trânsito sem ser necessário manter o pedal do travão pressionado.
Para completar, o conjunto o sistema de info-entretenimento é fácil e tem tudo o que é necessário, inclusivamente ligação a smartphones através de Apple CarPlay ou Android Auto. Existe ainda um carregador wireless e uma ligação USB.
Atrás o DS 3 Crossback beneficia de cinco portas para facilitar o acesso e o espaço é francamente aceitável para o segmento. A habitabilidade é superior ao esperado, pecando apenas por uma visibilidade reduzida e pela ausência de ligações USB para carregamento de dispositivos móveis nos lugares traseiros. O espaço para bagagem é também generoso, com 350 l, mas o portão, não sendo elétrico, é algo pesado, o que dificulta a manobra de fecho.
Se contra factos não há argumentos, é um facto que o DS 3 Crossback é dono e senhor de um conjunto diferenciador para o segmento. Sabe marcar a diferença, o que se reflete obrigatoriamente no preço. O DS3 Crossback tem o valor base de 39 450€, sendo que a unidade ensaiada custa 42 000€.
A versão 1.2 PureTech de 155 cv é a mais apelativa em termos visuais e dinâmicos. Existem, no entanto, outras duas versões menos potentes do mesmo bloco, bem como versões Diesel e 100% elétrica. Ou seja, para todos os gostos.