Vítima de infecção por Covid-19

O escritor Luis Sepúlveda morreu, no dia 16 de Abril, no Hospital Universitário Central de Astúrias, na cidade espanhola de Oviedo, onde se encontrava internado desde o final do mês de Fevereiro, depois de ter testado positivo ao novo coronavírus.Os primeiros sintomas de infecção manifestaram-se dois dias depois de Luis Sepúlveda ter marcado presença no festival literário Correntes d’Escritas, que se realizou, entre 15 e 23 de Fevereiro, na Póvoa de Varzim.No dia 27 de Fevereiro deu entrada no Hospital Universitário Central de Astúrias, em Gijón, onde foi diagnosticado com pneumonia aguda e, posteriormente, infecção por Covid-19.Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, a 4 de Outubro de 1949. Cresceu no bairro San Miguel de Santiago e estudou no Instituto Nacional, onde começou a escrever por influência de uma professora de História. Aos 15 anos ingressou na Juventude Comunista do Chile. Militou no Exército de Libertação Nacional do Partido Socialista. Após os estudos secundários, ingressou na Escola de Teatro da Universidade de Chile, da qual chegou a ser director. Licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Da sua vasta obra - toda ela traduzida em Portugal -, destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas todos os seus livros conquistaram em todo o mundo a admiração de milhões de leitores. Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço, promovido pelo Centro de Estudos Ibéricos, na Guarda, que visa galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura ibérica.  Para além de romancista, foi realizador, roteirista, jornalista e activista político. Em 1970 venceu o Prémio Casa das Américas pelo seu primeiro livro, Crónicas de Pedro Nadie, e também uma bolsa de estudo de cinco anos na Universidade Lomonosov de Moscovo. Membro activo da Unidade Popular chilena nos anos 70, teve de abandonar o país após o golpe militar de Augusto Pinochet. Viajou e trabalhou no Brasil, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Em 1979 alistou-se nas fileiras sandinistas, na Brigada Internacional Simon Bolívar, que lutava contra a ditadura de Anastácio Somoza. Depois da vitória da revolução sandinista, trabalhou como repórter. Em 1982 rumou a Hamburgo, movido pela sua paixão pela literatura alemã. Em 1997, instalou-se em Gijón (Astúrias), em Espanha, na companhia da mulher, a poetisa Carmen Yáñez. Luis Sepúlveda vendeu mais de 18 milhões de exemplares em todo o mundo e as suas obras estão traduzidas em mais de 60 idiomas.