Ciclo terminou com apresentação de livro na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço


As Câmaras Municipais da Guarda e do Sabugal podem vir a reeditar as obras de Nuno de Montemor, escritor natural de Quadrazais (Sabugal). O desafio partiu da vice-presidente do Município do Sabugal, durante a apresentação do livro “Nuno de Montemor: alma brava, meiga” de José Manuel Monteiro, no Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, no dia 7 de Janeiro.
“Podemos e devemos dar continuidade ao ciclo dedicado ao autor e que envolveu as duas autarquias, trazendo à luz as suas obras, que estão um pouco esquecidas” referiu Delfina Leal.
O repto teve o aplauso do vereador da Cultura da Câmara Municipal da Guarda, Victor Amaral, que se comprometeu a pensar na proposta de reedição dos livros de Nuno de Montemor. “Vamos pensar na proposta aqui lançada, no sentido de reeditar os livros de Nuno de Montemor”, disse o vereador.
Sobre o livro “Nuno de Montemor: alma brava, meiga” de José Manuel Monteiro, Victor Amaral explicou tratar-se do “culminar de um ciclo dedicado a Nuno de Montemor que resultou da cooperação institucional entre as Câmaras Municipais da Guarda e Sabugal” e que envolveu o Lactário Dr. Proença.
Referiu que apesar de ultimamente terem aparecido alguns estudos sobre Nuno de Montemor, “para a maioria dos portugueses é, ainda, um desconhecido”. Victor Amaral acredita, no entanto, que “a obra de Nuno de Montemor acabará por se impor”.
Na abordagem do livro, o autor José Manuel Monteiro disse tratar-se de “uma obra incompleta por falta de tempo, que não permitiu uma investigação mais cuidada”.
Lembrou a projecção alcançada por muitos dos livros de Nuno de Montemor, “que se vendiam aos milhares”.
Falou do Padre Joaquim Álvares de Almeida - que usou o pseudónimo de Nuno de Montemor - como escritor de livros, pastor de almas e modelador de corações. “Pôs a Guarda a agir em função de uma causa, o Lactário, porque havia muita gente a passar fome na cidade”.
“De uma maneira ou de outra, realista, ou lírico, ou romântico, a obra de Nuno de Montemor merece ser relida e divulgada, especialmente nos nossos dias, em que os valores cristãos e inatos ao ser humano, andam tão arredios da nossa sociedade”, escreve José Manuel Monteiro, no livro. E acrescenta: “Seria também uma grandiosa homenagem, como já pedia Bonito Perfeito em 1981, que a sua obra literária fosse reeditada. É uma pena que obras como Água de Neve, Amor de Deus e da Terra, na poesia, Coração de Barro, Rapazes e Moças da Estrela e Maria Mim, na prosa, não possam ser lidas porque estão de há muito esgotadas e, hoje, se encontram apenas nos alfarrabistas”.
A apresentação do livro “Nuno de Montemor: alma brava, meiga”, o nº 8 da colecção Gentes da Guarda, encerrou o ciclo dedicado ao autor, organizado pelas Câmaras Municipais da Guarda e do Sabugal.