Distinção atribuída por unanimidade

O ensaísta Eduardo Lourenço venceu o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes. O júri atribuiu a distinção por unanimidade.Este prémio, concedido pela Igreja católica através do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, e com o apoio da Renascença, pretende destacar o percurso e obra de personalidades que, além de atingirem elevado nível de conhecimento ou criatividade estética, reflectem o humanismo e a experiência cristã.O Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes costuma ser entregue na reunião da Pastoral da Cultura, mas este ano, devido ao estado de crise pandémica, esse encontro não terá lugar e ainda não há data para a entrega do prémio.A acta da 16ª edição deste prémio da Igreja Católica em Portugal refere que o júri decidiu “por unanimidade” atribuir o galardão ao ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço, destacando que o mesmo “nunca renegou os princípios e os ditames do humanismo cristão”.“Numa atenção compreensiva e crítica aos problemas culturais e sociais emergentes no mundo contemporâneo e numa renovadora mitografia do ser lusíada, desde há meio século Eduardo Lourenço constituiu-se no mais reputado pensador português da actualidade”, pode ler-se.O júri destaca a “obra ensaística e a escrita de rara qualidade literária”, bem como a “fecunda questionação da sua circunstância nacional e internacional”.“Através das vicissitudes e perplexidades de décadas de adverso devir no Ocidente do mundo das ideias e da atitude da intelectualidade dominante, manteve-se fiel aos seus fundamentos antropológicos, axiológicos e éticos, bem como à consequente obrigação de suportar a liberdade humana em todos os domínios”.A justificação do júri realça a “radicalidade pensante” que levou ao “confronto inquieto com o sentido do trágico”, em autores como Antero de Quental, Kierkegaard ou Fernando Pessoa, “em ordem à edificação de uma sabedoria trágica da vida, porventura conciliável com a vivência eclesial da Fé.“A incomensurável Transcendência divina tem, para Eduardo Lourenço, o Mediador imprescindível em Cristo, arquétipo da abertura amorosa do Eu ao Outro e de um sentido redentor para o Tempo”, é referido.O júri desta edição foi constituído por D. João Lavrador, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; D. Américo Aguiar, presidente do Conselho de Gerência da Renascença; o padre António Trigueiros, S.J.; a académica Maria Teresa Furtado; Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação Gulbenkian; e José Carlos Seabra Pereira, diretor do SNPC.Eduardo Lourenço é natural de São Pedro do Rio Seco, concelho de Almeida. Venceu a 25ª edição do Prémio Pessoa, em 2011.
Prémio de Árvore da Vida – Padre Manuel AntunesNas edições anteriores foram galardoados: o poeta Fernando Echevarría; o cientista Luís Archer S.J.; o cineasta Manoel de Oliveira; a classicista Maria Helena da Rocha Pereira; o político e intelectual Adriano Moreira; o trabalho de diálogo entre Evangelho e Cultura levado a cabo pela Diocese de Beja; o compositor Eurico Carrapatoso; o arquitecto Nuno Teotónio Pereira; o pedagogo e ex-ministro Roberto Carneiro; o jornalista Francisco Sarsfield Cabral; a artista plástica Lourdes Castro; o professor de Medicina e Bioética Walter Osswald; o encenador e actor Luís Miguel Cintra; o actor Ruy de Carvalho; e o historiador José Mattoso.