Guarda


No dia 16 de Maio, foi apresentado na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (BMEL), na Guarda, o livro “Rostos da Emigração”, da autoria de Joaquim Tenreira Martins, natural de Vale de Espinho, no concelho do Sabugal. “Rostos da Emigração” é um livro cujos enredos se desenrolam no Consulado, onde o autor acolheu, encaminhou e auxiliou milhares de emigrantes durante os largos anos em que trabalhou no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas. Da experiência com os emigrantes, o autor escreveu o livro que teve uma primeira edição em língua francesa.
Na sessão de apresentação do livro, publicado pela Editora Orfeu, o cónego Manuel Pereira de Matos, disse que os ambientes da obra “são cativantes” e, às vezes, “parece que são páginas de um diário”. “O livro consta de 23 narrativas seguidas. Parecem independentes, mas estão ligadas pelo fio da memória do narrador”, disse. Segundo Manuel Pereira de Matos, “os textos são curtos” e, para além da sua qualidade literária, a obra de Joaquim Tenreira Martins, representa um contributo “do ponto de vista temático, mostrando uma realidade quase desconhecida da emigração”. Disse ainda tratar-se de “uma obra de reconhecido valor” pela matéria que aborda e pela arte literária. O autor disse na sua intervenção que depois de ter trabalhado 40 anos no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas, decidiu escrever o livro para que ficasse alguma coisa. Assim, a publicação surgiu da necessidade de dar respostas: “O que fica depois de termos trabalhado tanto num serviço? Fazemos um relatório? O que é que fica? Se fizesse um relatório ninguém leria …”. Referiu que foi para si “fácil” fazer o livro, porque “tinha, de facto, material, a minha memória estava repleta de histórias que me tinham contado”. “Não são histórias de serviço social”, alerta, referindo que a obra foi escrita “muito pela realidade que eu tive”. “No fundo, é uma realidade ficcionada, mas, ao mesmo tempo, uma pessoa toma-a como realidade”, explicou na sua intervenção. Joaquim Tenreira Martins disse ainda que é a primeira vez que se escreve sobre um Consulado, contando que na apresentação do livro, em Bruxelas, o Embaixador “ficou louco, ficou encantado com o livro”.
A obra, com cerca de 180 páginas, tem prefácio de Maria Manuela Aguiar, ex-Secretária de Estado da Emigração. “Rostos da Emigração é uma viagem ao interior do mundo da realidade migratória português, de alguém que alia a experiência de anos e anos de contacto com situações concretas, difíceis e problemáticas a uma grande sensibilidade para o sofrimento de pessoas inadaptadas, marginalizadas, e que possui também um conhecimento das regulamentações jurídicas, das burocracias dos países de acolhimento, dos contornos das questões sociais que se colocam com premência, e que exigem soluções adequadas”, escreve Maria Manuela Aguiar.