Carlos Chaves Monteiro,


Engenheira civil: Qual a razão para a demora tão prolongada na resposta e aprovação dos processos de obra que dão entrada na Câmara Municipal?Carlos Chaves Monteiro: Duas coisas: Não enjeito responsabilidade que não se possa fazer melhor nisso, mas também tenho a dizer que, muitas vezes, são os processos que vêm de fora que não estão devidamente instruídos ou que estando instruídos não respondem cabalmente a todas as exigências legais e que, por vezes, a resposta que é dada à resposta do município demora muito tempo. Dos casos que às vezes as pessoas me colocam para eu ver, pergunto se já receberam uma folha amarela e peço que ma tragam ou vou vê-la ao processo. Dou conta que há lá um conjunto de itens e o processo foi visto a tempo e foram detectadas uma série de anomalias e quanto tempo demorou a resposta a essas anomalias. Por isso é que é importante, muitas vezes, antes de entrar os processos, vir à Câmara, tomar-se uma posição comum, tirarem-se as dúvidas todas, para quando o processo vier de fora para dentro ser devidamente instruído e não correr o risco de haver muita coisa que não está compatível com a lei. Os nossos técnicos vão analisar os processos de acordo com a lei ou da interpretação que eles fazem da lei. Não retiro responsabilidade também de que nós possamos fazer melhor. Garanto que é uma luta. Eu não tenho gosto, nem a economia ganha, nem a população beneficia, se nós demorarmos mais que é normal para responder a questões que são essenciais para a vida das pessoas. Presidente de Junta de Freguesia: Existindo um crescente despovoamento/desertificação das nossas aldeias qual o plano desta autarquia para combater este flagelo?Carlos Chaves Monteiro: O investimento que temos feito nas freguesias. E, nos últimos anos, investimos muitos milhões de euros nas freguesias, em saneamento, arruamento, em pavimentação, em reforço de arranjo de imoveis em colaboração com as freguesias. Todo este investimento nas infra-estruturas tem de ter alguma contrapartida e uma delas era que as pessoas se sentissem hoje mais atraídas para voltar à sua terra ou poder dinamizar mais os recursos endógenos de cada terra. Primeiro foi o investimento que nós fizemos nas infra estruturas, agora é preciso criar novas lógicas de investimento. Por exemplo, os passadiços ao atraírem um milhão de pessoas, esse milhão de pessoas precisa de comer, precisa de dormir, precisa também de visitar e de estar. As freguesias têm de se mobilizar para um projecto desta natureza e mobilizar a sociedade civil, os seus fregueses para que os seus espaços, as suas casas, sejam requalificadas, se criem os alojamentos locais, que se possa concentrar numa loja os produtos locais para se poderem vender. O município não vai fazer tudo. O município não vai ter um funcionário numa freguesia rural para poder vender os produtos endógenos. É importante que as freguesias, naquilo que são os projectos alavancardores de desenvolvimento, como é o caso dos passadiços, elas próprias, com as pessoas à porta, possam criar formas de dinamizar a economia e potenciar novos negócios. Engenheiro electrotécnico: Que importância tem a cobertura integral em fibra e 5 G para a competitividade e o desenvolvimento do concelho?Carlos Chaves Monteiro: Em primeiro lugar não é o município directamente que está a fazer esse investimento, se o fizesse teria também de definir o seu critério próprio e de abrangência. É a própria Altice que tomou na sua mão a disponibilização do 5G ao território, e nisso há logo um critério territorial: eles pagam, eles fazem. Nós não estamos a dizer, comece por aqui ou comece por ali. Tenho é a garantia que no prazo de execução de obra, 95% do território do concelho esteja abrangido. Isto é aquilo que vou exigir e é aquilo que nós acordámos mas, sinceramente, a nossa preocupação foi trazer o 5G ou trazer a rede digital a todo o território. Mas a opção e a execução do projecto é da responsabilidade exclusiva da empresa, embora nós queiramos, no mais curto espaço de tempo, que ela abranja todo o território. Depois é fundamental para a economia, é fundamental para o ensino, é fundamental para estarmos próximos do mundo através da tecnologia digital.Presidente de uma Associação Cultural: Porque é que as associações, que estão no terreno e conhecem a realidade cultural do concelho, não são tidas nem achadas na candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura Guarda 2027? Carlos Chaves Monteiro: Essa pergunta já a ouvi. Há uma coisa que eu garanto: o documento final não será concluído sem estarem envolvidas as associações culturais do concelho. Elas são o sangue também da nossa força naquilo que representa esta candidatura. E, portanto, muito do que elas fazem tem de ser reportado, tem de ser reescrito no documento. Se não foi feito até agora, é verdade que eu não estou todos os dias sobre o processo da Capital Europeia da Cultura mas, com certeza que haverá e nalgumas já terá havido, digo eu, algum contacto. Elas vão ser envolvidas na elaboração desse documento final mas, também 2021/2027 será fundamental para a acção destas associações naquilo que é a afirmação da nossa candidatura.