“Quem vê o seu povo vê o mundo todo” proclama a sabedoria popular.

No nosso tempo, este ditado ganha nova configuração pois agora é o mundo todo que cabe na nossa aldeia. A humanidade vive um tempo especial de criação de uma rede global para a transmissão instantânea de informações, de ideias e de juízos valiosos nos sectores da ciência, do comércio, da educação, do divertimento, da política, das artes, da religião e em todos os outros campos. Sem grande esforço damos conta que esta rede está acessível para muitas pessoas, em qualquer lugar do mundo, nas suas casas, escolas e lugares de trabalho. Tornou-se uma banalidade assistir a eventos que acontecem em tempo real, mesmo nas zonas mais recônditas do planeta. As pessoas podem aceder directamente a uma enorme quantidade de dados que, até há pouco tempo atrás, não estavam ao alcance da grande maioria, mesmo de muitos estudiosos e estudantes. A tecnologia mediática conquista constantemente novas fronteiras.Os serões e as conversas de rua dão agora lugar a formas informáticas de comunicar, em que ganham vantagem as chamadas redes sociais. Caminhamos rapidamente de uma amena e amigável cavaqueira presencial para um mundo virtual em que as pessoas são estranhos conhecidos.Apesar da facilidade de comunicação e do contacto directo com o mundo todo, damos conta de que as pessoas vivem cada vez mais isoladas, fechadas sobre o seu próprio mundo que muitas vezes se resume a um telemóvel ou a um computador com acesso à internet. Perante estes novos desafios, será que ainda tem sentido falar na importância da imprensa regional, no caso do Jornal A Guarda, imprensa regional católica, na coesão das comunidades do Interior?Além de utilizar os “mass media” para evangelizar, a Igreja, no que lhe diz respeito, deve ter em conta a observação feita por João Paulo II, quando disse que os meios de comunicação constituem uma parte central do grande “areópago” moderno, no qual se partilham ideias e onde se formam os valores e os comportamentos. Por isso, é necessário integrar a mensagem nesta nova cultura, criada pelas modernas comunicações com os seus novos modos de comunicar com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes. O Jornal A GUARDA procura ser referência não só da cidade da Guarda mas de toda uma região que se estende para além das fronteiras da Diocese e do Distrito. O elevado número de assinantes, espalhados por todo o território nacional e ilhas e nos lugares da diáspora, fala bem da importância que o Semanário Católico Regionalista da Diocese da Guarda continua a ter junto daqueles que aqui nasceram, cresceram ou viveram. Na grande maioria dos casos, o reencontro semanal com as raízes é feito através do folhear do jornal, numa leitura atenta e detalhada de todas as notícias. Famílias inteiras devoram cada folha de uma publicação que, muitas vezes, é guardada e encadernada para memória futura. A pensar nos leitores mais novos, desde há alguns anos a esta parte, o Jornal A GUARDA está disponível em formato digital, e nas redes sociais.Apesar dos poucos recursos, tanto humanos como tecnológicos, de que dispõe, o Jornal A GUARDA continua apostado, em fazer da cidade que lhe dá nome, o ponto de encontro de homens e mulheres que têm a cidade mais alta como referência. Mesmo com as novas formas de comunicar, os jornais ditos regionais continuam a fazer muita falta num mundo que é cada vez mais uma “aldeia global”.Na Mensagem de 2005 para o Dia Mundial das Comunicações, o então Papa João Paulo II pede para que os homens e mulheres dos meios de comunicação assumam o seu papel para derrubarem os muros da divisão e a inimizade no nosso mundo, muros que separam os povos e as nações entre si e alimentam a incompreensão e a desconfiança. Acredito que o Jornal A GUARDA poderá continuar a ajudar a derrubar alguns muros que muitas vezes vão dividindo ainda mais esta região de terra vazia de projectos, ideias e, principalmente, de gente.  Sabemos que na informação de proximidade reside a ligação das pessoas ao Jornal. É por isto que lutamos, é este o nosso compromisso.Francisco Barbeira