Aniversário

O jornal “A Guarda” cumpre a bonita idade de 116 anos.Damos-lhe os parabéns e associamo-nos ao balanço do percurso até agora feito e também ao esforço de projetar o seu futuro.É inquestionável o serviço que este semanário regionalista tem prestado à região da Guarda, quando interpreta as propostas da Igreja, como jornal de inspiração cristã que é, nas suas várias vertentes para bem da sociedade; mas sobretudo quando leva às gentes da nossa terra, residentes aqui ou fora, as grandes inquietações de que é feito o nosso viver pessoal e em sociedade. O mesmo se diga  com o dar voz às populações locais para se pronunciarem e contribuirem para o bem de todos ou quando exigem que os seus direitos sejam devidamente respeitados.Não são muitas, entre nós, as instituições que cumprem 116 anos de vida, como agora acontece com o nosso jornal. E foram anos de percurso muito variado, que o fizeram passar por duas guerras mundiais, por importantes transformações na vida local, nacional e mesmo mundial, onde deixou também as suas marcas. Certamente que as mudanças sociais o obrigaram a muitas e decisivas adaptações para responder aos novos desafios. As mudanças tecnológicas são um dos exemplos mais visíveis. Longe vai o tempo, embora ainda fresco na memória de muitos, em que quer a composição quer a impressão nada tinham a ver com os processo computorizado que hoje utiliza.Acreditamos, por isso, que a capacidade demonstrada na gestão de todas estas e outras mudanças, ao longo de mais de um século, possa agora ser devidamente aproveitada para vencer os desafios do presente e garantir futuro sustentável.Se as mudanças foram grandes no passado, hoje são um processo ainda mais rápido. E não têm a ver só com a tecnologia, mas sobretudo com os hábitos das pessoas. Muitas desabituaram-se da leitura pausada e preferem “spots” e resumos de notícias rápidos, se possível na hora, ou em tempo real, como agora se diz e melhor ainda, quando exigem pouco à capacidade de pensar. Gostam dos caminhos da interatividade e querem ter possibilidade de responder e perguntar, na hora, como quem diz, querem entrar no jogo.É verdade que uma sã opinião pública bem pensada, bem refletida, continua a ser necessária para todos e não podemos dispensar os fazedores de opinião. Por isso, a arte de transformar destinatários da comunicação em pensadores capazes de dar o seu contributo para fazer andar a história é desígnio muito nobre que auguramos para o “A Guarda”, neste dia de aniversário.Mas, para fazer andar a história no sentido certo, há que não descurar o necessário esforço de ir às fontes genuínas da justiça, da verdade e do bem, sem as quais a vida em sociedade se torna insípida e, por fim, insustentável. E ao olharmos para o estatuto editorial do “A Guarda”, vemos que é imprensa de inspiração cristã e, como tal, sócio da AIC. Não é um jornal de sacristia, mas dele se espera que, tanto na leitura dos acontecimentos como nas suas propostas, sobretudo enquanto criador de opinião, faça o devido jus a essa sua fonte de inspiração.Finalmente, sentimos que toda a imprensa, mas predominantemente aquela que privilegia a comunicação no papel, como é o nosso caso, precisa de diversificar as suas formas de comunicar e entrar em redes de cooperação, cada vez mais alargadas, com outros órgãos do mesmo género, para mais facilmente resistir e superar a crise. Ser competitivo tem o seu lugar também no mundo da comunicação, mas o certo é que a sustentabilidade exige cada vez mais a escolha de caminhos de cooperação. Esperamos que também o nosso “A Guarda” seja inovador e entre por estes e outros caminhos novos que lhe garantam o desejado futuro sustentável. Em frente e parabéns.
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda