Entrevista - Rui Manuel Saraiva Ventura, Presidente da Câmara Municipal de Pinhel


Rui Ventura é o actual presidente da Câmara Municipal de PinhelEstudou na Escola Secundária de Pinhel, no Liceu Afonso de Albuquerque e na Universidade Lusófona do Porto.É natural de Pinhel e vive em Pinhel.
A GUARDA: Pinhel está a comemorar 250 anos de elevação a cidade, podemos dizer que se trata de uma data memorável? 
Rui Ventura: Sim é, sem dúvida, uma data memorável. Aliás são duas datas de 250 anos: a da sede de Diocese e a de elevação a cidade. Uma data está ligada à outra, como é natural. Infelizmente não era aquilo que pretendíamos quer para uma, quer para a outra, tendo em conta a pandemia, mas estamos comemorar a data. Às vezes não é preciso muitas festas para comemorármos, o que é preciso é que a Câmara consiga transmitir a cada um dos pinhelenses o sentimento de ter 250 anos, a importância de ter 250 anos. Eu penso que isso é muito mais importante. É isso que estamos a fazer nas nossas festividades, com pequenos momentos culturais. O senhor Bispo da Guarda esteve cá nos 250 anos da sede da Diocese. Tínhamos programado uma iniciativa muito maior. Como sabe, D. Manuel Clemente, actual Cardeal Patriarca de Lisboa, foi Bispo Titular de Pinhel e, por isso gostaríamos muito de o ter cá, mas não foi possível. O momento com que assinalámos a data também teve muita dignidade. Os momentos que estamos a promover são momentos muito mais tranquilos do ponto de vista de afluência de público mas que dignificam o nome e a cidade e os anos que Pinhel tem. Temos de nos adaptar a estes tempos. Conseguimos que Pinhel fosse Cidade do Vinho não só em 2020 mas também em 2021. Esperamos e desejamos que esta pandemia passe para que possamos retomar aquilo que poderá ser o normal, se é que vamos ter um normal, para podermos comemorar e promover Pinhel através deste título ‘Cidade do Vinho’.
A GUARDA: De que maneira é que a Câmara Municipal vai marcar os 250 anos da elevação de Pinhel a cidade?
Rui Ventura: Houve um momento especial esta terça-feira, dia 25 de Agosto, em que assinalámos a data da elevação de Pinhel a cidade. Na fachada da Câmara Municipal foi colocado, em bronze, o Foral de Pinhel. O Foral de Pinhel vai ficar ali para que todas as pessoas que visitam a cidade possam ter oportunidade de ler o Foral. É uma obra em bronze e estamos a falar de um elemento com cerca de dois metros por um metro e oitenta. Quisemos ali dar a conhecer, a quem visita nossa cidade, que é uma cidade com 250 anos. Temos outros momentos que vão ficar na memória dos Pinhelenses e isso é o mais importante. 
A GUARDA: Nas comemorações o vinho também aparece como um elemento importante. De que maneira é que Pinhel está a aproveitar o vinho para se promover? 
Rui Ventura: Pinhel sempre teve vinho, sempre foi o maior produtor de vinho da BeiraInterior. Hoje, Pinhel tem o título de Cidade do Vinho mas, antes de ter este título, trabalhámos muito para o ter. É uma estratégia da Câmara Municipal naquilo que é o turismo para Pinhel. Hoje, fala-se muito do enoturismo. No concelho temos uma das maiores regiões com vinho. Quisemos aproveitar este néctar aos apreciadores de vinho, aos apreciadores das próprias paisagens que o vinho e a vinha proporcionam em todos os momentos, quer agora no Verão, quer no Outono, com cores fantásticas. Estamos a fazer uma campanha, por todo o país, com outdoors do nosso vinho. O que estamos a fazer é para promover o vinho e o património ao mesmo tempo. Com isto queremos dar nome à nossa cidade, ao nosso concelho. Queremos despertar curiosidade a quem ouve falar de nós e fazer com que venham ao nosso território conhecer não só os vinhos, mas conhecer a nossa história, o nosso património.É uma estratégia que adoptámos, desde há 7 anos a esta parte, com o intuito de incentivarmos, os que gostam de vinho, a visitarem o nosso território.  
A GUARDA: Podemos dizer que a Câmara de Pinhel está a fazer uma grande aposta no turismo?
Rui Ventura: Sim, sem dúvida. Territórios como os nossos têm de apostar, obrigatoriamente, no turismo. Mas deixe-me dizer-lhe que eu vejo o turismo de uma forma concertada entre vários municípios. Nós temos turismo para um ou dois dias, não temos turismo para uma semana. Não há nada melhor do que os municípios, aqui à volta, interagirem e terem actividades complementares uns aos outros, para podermos dar o prolongamento da estadia às pessoas que visitam o território.  É este o caminho que cada vez mais temos de trilhar todos em conjunto, dando possibilidade a quem visita este território aqui possa permanecer uma semana em vez de um dia ou dois, como normalmente acontece. 
A GUARDA: Como é o relacionamento da Câmara Municipal com as freguesias e respectivos presidentes de junta do concelho?
Rui Ventura: É total. Tenho um bom relacionamento com todos os presidentes de junta de freguesia, nem fazia sentido de outra forma. Desde que sou Presidente de Câmara Municipal e mesmo como vereado, o nosso intuito foi sempre juntar as instituições. Só juntos conseguimos o que quer que seja. Se cada um remar para seu lado não é possível. Tenho tido o entendimento e muito grande, de todos os presidentes de junta de freguesia, no sentido de perceberem que a cidade, a sede de concelho, precisava de infra-estrutura, precisava de atrair turistas, atrair pessoas, atrair empresários. Fomos fazendo algumas infra-estruturas ao longo dos anos, não descorando aquilo que era feito nas freguesias, mas fazendo, essencialmente muito na cidade, até porque o programa dos Fundos Comunitários era muito vocacionado para a sede de concelho. E essa compreensão tem sido muito boa, porque, depois, os próprios presidentes de junta de freguesia perceberam que a Câmara tem com eles o melhor tratamento possível. Eu tenho uma reunião mensal com os presidentes de junta de freguesia, transmitindo-lhes aquilo que é o pensamento da Câmara Municipal nas várias vertentes, incluindo a vertente do turismo, obviamente para perceberem até que ponto podemos chegar. Vamos começar a explorar um outro turismo, que é o turismo religioso. Também temos de agarrar esse tipo de turismo. Ou seja, o nosso concelho tem vários segmentos que pode e deve explorar e é isso que vamos fazer. 
A GUARDA: A Feira das Tradições tem servido para promover as freguesias?
Rui Ventura: A Feira das Tradições, eu diria mesmo que, é o exponencial daquilo que as freguesias podem mostrar a quem nos visita, onde as pessoas podem ficar com o sabor daquilo que cada uma das nossas freguesias tem para poderem voltar a Pinhel. No fundo, é a nossa montra do concelho em todas as áreas, em todas as vertentes, para podermos mostrar aquilo que podemos e sabemos fazer de melhor. Cada uma das freguesias está ali representada a fazer isso mesmo. Desde o nosso artesanato, à nossa gastronomia, ao nosso divertimento, ao nosso património, à nossa paisagem, tudo está ali. É, normalmente, a iniciar o ano que fazemos esta actividade. A Feira das Tradições não é por acaso que tem, actualmente, 55 mil visitantes, ao longo dos três dias. Temos outros eventos como a Feira dos Vinhos da Beira Interior, mas também a nossa Feira Medieval para mostrarmos um pouco daquilo que é a nossa história. No fundo, desculpe-me a expressão, a Câmara Municipal está a conduzir um buldózer e leva tudo à frente, mas tem de levar tudo de uma forma muito concertada para conseguir atingir todos os objectivos que pretende. 
A GUARDA: No combate à pandemia foi importante a interligação com as freguesias?
Rui Ventura: Bom, eu quero dizer-lhe que foi um dos momentos mais difíceis enquanto autarca e há muitos anos que sou autarca. De facto os presidentes de junta de freguesia tiveram uma interligação muito próxima com a Câmara Municipal. Nós, felizmente, temos também um bom relacionamento com as instituições. Isto fez com que cada uma das instituições soubesse ocupar o seu lugar e assim podemos dar resposta áquilo que nos era solicitado. E os presidentes de junta de freguesia tiveram um papel muito preponderante nesta matéria uma vez que são eles que estão nas localidades, que estão mais próximos das pessoas. Ou seja, o que quis dizer com isto é que as juntas de freguesia fazem parte, em qualquer área, do que é a estratégia da Câmara Municipal. Só assim faz sentido. Não podemos deixar nenhuma para trás. 
A GUARDA: É um Presidente realizado?
Rui Ventura: Nunca sou um presidente realizado. Quero sempre mais para o meu concelho, quero sempre mais para cada uma das nossas freguesias. Um autarca nunca está realizado. Por exemplo, no local onde estamos agora (Vale de Madeira), eu quero, obrigatoriamente, fazer um equipamento que o concelho não tem, que é uma praia fluvial. Muitas pessoas questionam porque é que não temos uma praia fluvial no concelho de Pinhel, mas o único local que pode ter uma praia fluvial é este. E é este porquê? Porque uma praia fluvial tem de ter água corrente. As pessoas não podem tomar banho numa água que está estagnada. Há a possibilidade de fazê-la aqui (Vale de Madeira). Infelizmente não há possibilidade de a fazer nas barragens. Isto para lhe dizer que nunca estarei realizado porque quererei sempre mais e melhor para o meu concelho e para os meus munícipes.