Guarda - Centro de Estudos Ibéricos


“Sinto-me muito feliz e muito honrada por ter este Prémio com o nome de Eduardo Lourenço” disse a vencedora da edição 2023 do Prémio Eduardo Loureço. Lídia Jorge, visivelmente emocionada com a distinção que recebeu no dia 7 de Dezembro, na Biblioteca Municipal Eduardo Loureço, na Guarda, lembrou que “ao longo dos anos este prémio tem vindo a reconhecer figuras que têm uma importância imensa no domínio da cultura quer do lado português quer do lado espanhol”. E explicou: “É um prémio que, no fundo, acaba por juntar duas culturas e fazer a ponte entre elas, distinguido aquelas figuras que o juiz tem pensado que são figuras que representam essa união”
Lídia Jorge destacou, não só, toda a admiração que ao longo da vida manifestou pela obra de Eduardo Lourenço, mas também o facto de o considerar “um grande amigo”. “Respeito imenso por aquilo que foi a figura singularíssima que é o Eduardo Lourenço e depois a amizade que nos uniu ao longo de tantos anos”, referiu.
Detentora de imensos postais, que recebeu de Eduardo Lourenço, vê, de bom grado, a possibilidade de os entregar à guarda da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. “Os postais possivelmente irei guardá-los, juntá-los e entregá-los aqui na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, pois de certa forma esta é a casa mãe dele, próximo da terra onde ele nasceu, a cidade que ele reconhecia como a sua cidade de origem”, disse Lídia Jorge. E acrescentou: “Eduardo Lourenço enviava postais a muitos amigos e eu serei uma que terá postais dele. Talvez outros queiram fazer exactamente o mesmo”.
Ao premiar Lídia Jorge, o júri do Prémio acolheu duas candidaturas, uma apresentada por duas escritoras portuguesas e outra apresentada por uma Universidade espanhola.
O Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, considerou que a atribuição do galardão foi “uma decisão verdadeiramente ibérica”, pois a “dimensão e o relevo da obra de Lídia Jorge na literatura portuguesa e a sua importante projecção no espaço nacional, internacional e ibero-americano foram destacados na proposta apresentada pela Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca”, bem como pelas proponentes portuguesas, Hélia Correia e Anabela Mota Ribeiro.
Sérgio Costa adiantou que “no ano em que celebramos o Centenário do Nascimento de Eduardo Lourenço, o Prémio com o seu nome é entregue a uma das mais reconhecidas romancistas do panorama literário português, a escritora que Eduardo Lourenço tanto apreciava, uma sua amiga de longa data e fundos laços”. Disse que “em boa hora, o júri da 19ª edição do Prémio tomou a justa e unânime decisão de distinguir Lídia Jorge, cuja obra, rica e multifacetada traduz um notável percurso intelectual, cultural e cívico”.
Instituído em 2004, o Prémio Eduardo Lourenço destina-se a premiar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas.
“Este Prémio homenageia, em primeiro lugar, o filósofo e cidadão, o ensaísta e o estudioso; aquele que, como raros, pensou Portugal, a Europa e o Mundo”, disse Sérgio Costa.