“Vietnammese Language Foundation” quer homenagear promotores da romanização da língua vietnamita

A “Vietnammese Language Foundation” quer instalar na Guarda uma estela de homenagem ao Padre Francisco de Pina, um dos maiores promotores da romanização da língua vietnamita. O monumento pretende indicar “a gratidão do povo vietnamita ao seu benfeitor”, natural da Guarda, e será proposto por artistas vietnamitas, em conformidade com a localização definida pela autarquia da Guarda. A “Vietnammese Language Foundation” está a desenvolver um processo de homenagear os promotores da romanização da língua vietnamita, em que se inclui o Jesuíta Francisco de Pina, natural da Guarda. Pretende um grupo de intelectuais vietnamitas instalar na Guarda uma estela de homenagem ao Padre Francisco de Pina cuja inscrição “deve indicar claramente a gratidão do povo vietnamita ao seu benfeitor”. De acordo com os proponentes, “a forma da estela será proposta por artistas vietnamitas”, em conformidade com a localização, cuja escolha ficará a cargo da Câmara Municipal.O entusiasmo destes intelectuais vietnamitas, que na Guarda contam com a colaboração do Professor António Morgado, “é tão grande que estão interessados em desenvolver, com a colaboração de Portugal, um processo de identificação do túmulo de Francisco de Pina recorrendo a traços de ADN”. “Um processo certamente complexo e demorado. Importa, no entanto, que as instituições portuguesas correspondam da melhor maneira aos objectivos daquela fundação vietnamita”, adiantou António Morgado ao Jornal A GUARDA.Os primeiros passos já foram dados numa reunião havida, na última semana, com um dos elementos da “Vietnammese Language Foundation”, o Presidente e a Vice-Presidente da Câmara Municipal da Guarda, que ficaram entusiasmados com os projectos apresentados. No encontro, que decorreu na Câmara Municipal da Guarda, e em que também participou o Professor António Morgado, “ficou decidido desencadear os actos conducentes à instalação da estela”. “Quanto à realização do outro projecto, estando para além das competências da Câmara Municipal, importará desencadear primeiro um processo de estudo que se crê tenha de ser pluridisciplinar”, acrescentou. Recorde-se que, em Dezembro de 1625 faleceu, em trágico naufrágio na costa do actual Vietname, o Padre Francisco de Pina, nascido na cidade da Guarda. Naturalmente o local exacto da sua sepultura foi ficando esquecido ao longo destes quatro séculos, embora nos relatos da época conste que fora sepultado em Faifo – actual Hoi An – ou nas suas imediações.É bem natural que tenha sido sepultado na antiga Cacham – actual Phuoc Kieu, a poucos quilómetros de Faifo. Ali Francisco de Pina havia criado uma “escola de língua” onde, com a ajuda de jovens locais, estava a desenvolver um esmerado processo linguístico de transcrição da língua local em caracteres romanos. Hoje a língua nacional vietnamita é a única na região que abandonou os caracteres ideográficos de tipo chinês e utiliza os caracteres latinos.Recentemente foram descobertos dois túmulos naquela localidade. Alguns académicos vietnamitas suspeitam que um deles possa ser de Francisco de Pina.
Francisco de Pina era natural da GuardaO padre jesuíta Francisco de Pina era natural da cidade da Guarda (1585/1586?) e terá chegado à Cochinchina (actual Vietname) por volta do ano de 1618, onde terá desenvolvido a sua actividade até à morte, em 1625, na cidade vietnamita de Da Nang.Entrou para a Companhia de Jesus aos 19 anos e desenvolveu os seus estudos em Letras e Teologia, no Colégio Jesuíta de Macau.Quando terminou os estudos, Francisco de Pina mudou-se para a missão de Hoi Na, onde, no contacto com os falantes nativos, se apaixona pela língua vietnamita. Decide realizar uma tarefa de todo exigente e pioneira: romanizar a língua escrita do Vietname, que até então era apresentada sob o antigo registo baseado em ideogramas de feição chinesa.Francisco de Pina terá sido o iniciador do processo, no que viria a concretizar-se no Quoc Ngu ou “Língua Nacional” e no desenvolvimento e adopção oficial de um registo romanizado e distinto do chinês.Este ilustre mas também desconhecido filho da Guarda tem merecido a atenção e o estudo do colaborador do Jornal A GUARDA, António Salvado Morgado, que continua empenhado na divulgação e promoção da vida e obra de Francisco de Pina.