O homem que impulsionou a dinamização e mecanização da agricultura, no Distrito da Guarda
Faleceu, no dia 11 de Abril, Laurindo Prata, fundador da empresa Matos e Prata, sediada na Guarda desde 1969. Foi um dos grandes impulsionadores da dinamização e mecanização da agricultura no distrito da Guarda. Laurindo Prata nasceu em Cafede, concelho de Castelo Branco em 26 de Novembro de 1932.O opusculo “Memórias – Laurindo Prata”, publicado em 2019, refere que “é filho de pais modestos, com oito filhos sendo ele o mais novo”, que “viviam da pequena agricultura de subsistência, como tantas outras famílias naquela época”. Frequentou a escola local, onde concluiu a 4ª classe, com distinção. Após três anos a ajudar os pais nos serviços agrícolas, foi para a Covilhã, “para se integrar no mundo do trabalho”.Com o que aprendeu na instrução primária e “com o exemplo de trabalho e honradez dos pais”, rumou à Covilhã onde “o irmão mais velho estava já ligado ao negócio dos automóveis”.Começou como empregado de limpeza da oficina, passando a ajudante de mecânica até chegar a caixeiro de peças. Em 1947 estava integrado na nova concessão Ford na Covilhã, Lda., concessionária dos automóveis Fiat, Mercedes Benz e Borgward, e dos tractores agrícolas Ferguson. “Iniciou-se como vendedor dos vários produtos, mas onde encontrou maior satisfação foi na venda de tractores”.O documento adianta que “as suas raízes rurais e o conhecimento da terra permitiam-lhe falar a linguagem que os agricultores entendiam. Através de demonstração no terreno rapidamente conquistou um lugar de líder para a marca que representava”. Em 1969, decidiu criar a firma Matos & Prata, Lda., constituída por escritura pública em 10 de Março de 1969, tendo por base a concessão para o Distrito da Guarda de toda a gama de tractores agrícolas e máquinas industriais Massey Ferguson e lubrificantes SHELL.Iniciou a sua actividade “com 8 trabalhadores, 900 contos de capital, umas instalações com 60m2 e uma equipa com um profundo conhecimento da agricultura regional.O factor de maior peso nas suas prioridades sempre foi a assistência pós-venda e, partindo do princípio de que o cliente é o elemento mais importante para a empresa, foi criado um sistema de assistência no próprio local onde os tractores e as alfaias agrícolas são utilizados, com várias equipas de mecânicos especializados e equipados com viaturas, ferramentas, telefone, peças de manutenção e lubrificantes.Em 1972 ampliou a gama de representações com as viaturas Nissan, a que se juntou em 1987 a concessão dos automóveis BMW e em 1999 as motas BMW e os camiões MAN.Adoptando uma política de reinvestimento dos resultados na própria empresa, foi criando, ao longo dos anos, “instalações bem dimensionadas e bem equipadas assim como uma estrutura económica equilibrada que permitiu um crescimento harmonioso e encarar o futuro com alguma tranquilidade”.A empresa contava, em 2019, ano em que celebrou 50 anos de actividade, com 90 colaboradores. Tem filiais em Trancoso, Figueira Castelo Rodrigo, Gouveia, Covilhã e Castelo Branco.A poucos meses de completar 88 anos, Laurindo Prata foi a sepultar, no Domingo de Páscoa, 12 de Abril, na localidade onde nasceu, em Cafede, concelho de Castelo Branco.
