“No que diz respeito à antiga Casa da Legião tivemos a informação de que não existe qualquer acordo, escrito ou falado, com a Associação Nacional de Farmácias”

Sérgio Fernando Silva Costa, Presidente da Câmara Municipal da Guarda, tem 45 anos, é natural Peso da Régua mas reside na Guarda há 27 anos. É licenciado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Politécnico da Guarda, Pós-Graduação em Sistemas Públicos de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais.Tem os pelouros do Planeamento, Obras, Urbanismo; Ambiente, Equipamentos e Infra-estruturas; Agricultura; Gabinete de Apoio à Presidência e à Vereação; Serviço Municipal de Protecção Civil; Serviço de Reabilitação Urbana; Serviço de Comunicação, Relações Públicas e Protocolo; e Serviço Florestal e Desenvolvimento Rural.

A GUARDA: Como têm sido as primeiras semanas à frente da Câmara Municipal da Guarda?
Sérgio Costa: Têm sido semanas de muito trabalho, de um árduo trabalho. Bom, mas foi para isso que nos propusemos, ganhar as eleições. E estamos gratos à Guarda por ter escolhido a via do nosso Movimento Pela Guarda para dirigir a Câmara, os destinos da Guarda durante os próximos quatro anos. Mas tem sido um mês de contactos muito intensos com o Estado, com os serviços governamentais, seja em Lisboa, seja no Porto e os serviços desconcentrados do Estado Central, seja com algumas instituições e, fundamentalmente o reorganizar da casa. Beber muita informação de tantos e tantos processos que não nos foram passados. Tantos processos que são importantes para a Guarda, mas que não nos foram passados. Nós estamos agora, paulatinamente, com os técnicos, com os funcionários da autarquia, a perceber o estado da arte de cada um deles, porque a alguns nós estamos simplesmente a dar seguimento mas há outros com os quais nós não concordamos com a estratégia, em função daquilo que é o nosso programa eleitoral. Foi nesse que as pessoas votaram. Nós temos de fazer cumprir estas missivas, e a nossa estratégia afinal que foi a estratégia vencedora, na noite eleitoral.
A GUARDA: Do que encontrou, o que é que mais o surpreendeu pela negativa?
Sérgio Costa: Pela negativa eu destacaria estes tais processos não terem passado. Não tem que haver ressabiamentos quando se perdem eleições. A Guarda fala mais alto. E nós tivemos bons exemplos no País. Veja-se o caso de Lisboa. Um excelente exemplo no País e na Europa e talvez no Mundo. Em poucos casos, a passagem de testemunho foi feita de uma forma tão democrática. Eu acho mesmo que deveria haver uma lei, se possível fosse, que era assim mesmo que devia ser feita a passagem de testemunho. Mas nem todas as pessoas são assim democráticas. Nem todas as pessoas têm um espírito aberto, têm um coração aberto para fazer uma coisa destas, da mesma forma como Lisboa fez.   Destaco este ponto como a grande negatividade deste primeiro mês, cumulativamente com o facto de termos chegado aqui à Câmara, no dia 18 de Outubro, e demos conta que a Câmara estava abandonada sob o ponto da liderança administrativa. Nós começamos a perguntar quem é que poderia tratar do processo A, B ou C sob o ponto de vista administrativo. Era preciso instalar os órgãos, era preciso tratar das competências e não estava ninguém para tratar, sem que nós tivéssemos sido previamente avisados. Ao menos um aviso, ao menos um telefonema: atenção vai acontecer isto. Não, tudo feito nas costas das pessoas. E não é assim. Na política actual não deve ser assim. Não deve haver ressabiamentos. Não deve haver o intriguismo. Não deve haver o pisar dos calcanhares, o morder das pontas dos pés. Isso não deve se feito na política actual. A Guarda precisa e merece muito mais do que isto. É para isso que nós vamos trabalhar e lutar nos próximos quatro anos. 
A GUARDA: E pela positiva?
Sérgio Costa: Pela positiva, os funcionários que vimos com um brilho nos olhos. Que sentiram verdadeiramente uma lufada de ar fresco. Mas também as juntas de freguesia e a população na rua que nós gostamos muito de cumprimentar. Onde quer que seja que nós vamos, neste momento, as pessoas cumprimentam-nos, dão-nos um abraço, salvaguardando as medidas de pandemia, naturalmente, mas é muito reconfortante, tudo isso. 
A GUARDA: A inauguração dos Passadiços do Mondego foi anunciada para o dia 27 de Novembro pelo anterior Presidente, mas, pelos vistos, foi falso alarme? 
Sérgio Costa: Eu não sei que planeamento foi feito, se era feito ao dia ou à semana, mas nunca no dia da cidade os Passadiços do Mondego estariam concluídos. A informação técnica que nós temos, e já foi à reunião de Câmara, é de que os Passadiços do Mondego nunca, antes de Março, estarão concluídos pelas mais diversas razões: falta de materiais, alterações pontuais ao projecto, falta de recursos humanos. E tudo isto leva a estes atrasos. Mas nós vamos ter de não só concluir esta obra dos Passadiços, neste tempo, mas também temos de encontrar forma de resolver o problema das infra-estruturas. Nunca há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão. E se os forasteiros, os turistas que nos visitarão, se vierem as Passadiços e não tiverem simplesmente uma casa de banho – estamos a falar em 12 quilómetros de percurso – uma zona de estar de repouso, espaços condignos, os parques de estacionamento, então qual é que vai ser a primeira impressão? É uma obra meio feita ou meio acabada. Nós não queremos que isso aconteça. Ao mesmo tempo vamos ter de projectar a promoção turística, pois nada estava feito, nada estava pensado. Tal como a gestão dos Passadiços do Mondego, nada estava pensado, mas porquê é o que nós perguntamos. É isso que nós vamos de ter de trabalhar ao longo dos próximos meses para além do financiamento que andamos à procura. São 3,6 milhões de euros, da tesouraria da Câmara Municipal da Guarda. Procuramos incessantemente financiamento e são essas negociações que andamos a ter pelo País. 
A GUARDA: Há outras obras com os prazos muito atrasados?
Sérgio Costa: É verdade. E eu saliento logo duas, que são as de maior envergadura: a obra da pedovia/ciclovia da cidade, com meio ano de atraso e cujo prazo está a bater já em cima do limite do financiamento deste quadro comunitário de apoio; e o mesmo dizer em relação à segunda fase de ampliação da Plataforma Logística. Isto para não falar em todas as outras obras que estão, todas elas, com imenso atraso. É aqui que entram os tais cinco milhões de euros e que nós arriscamos a perder esse financiamento. É que perdemos mesmo o financiamento. E o mesmo dizer em relação à segunda fase das obras da Escola Secundária da Sé. Esta obras que têm financiamento garantido mas que podemos perder o financiamento se nós não puséssemos os pés ao caminho. Já fomos para Coimbra, já fomos para Lisboa, a par dos telefonemas que temos feito. Vejam só, chegámos há um mês e já conseguimos financiamento para uma obra que não tinha financiamento. A requalificação do espaço público da Rua Virgílio Ferreira, paredes meias entre o Bairro da Luz e a Póvoa do Mileu, uma obra de cerca de 300 mil euros, não tinha financiamento. Já tem o financiamento garantido. A obra está num estado avançado de execução. Estava a sair dos cofres da autarquia e já conseguimos o financiamento. Já está assegurado, agora é só tratarmos da papelada, da burocracia do costume. 
A GUARDA: Então a pedovia/ciclovia é para avançar?
Sérgio Costa: A pedovia/ciclovia é para avançar tal qual como está, embora nós não concordemos, nunca concordámos com o corte que foi feito no projecto, erradamente, ou seja, perdeu-se um ano tal como eu referi na altura, nas reuniões de Câmara, enquanto vereador. Perdeu-se um ano na pedovia/ciclovia, por uma estratégia que foi errada. Porquê? Porque a pedovia/ciclovia já podia estar quase toda concluída e o acréscimo de financiamento viria sempre para a restante parte. A restante parte era a outra parte da pedovia/ciclovia que foi amputada que era o troço entre a ponte pedonal e o Bairro de São Domingos e toda aquela requalificação entre a C+S de São Miguel, a ponte pedonal – aquele pequeno troço da Avenida Cidade de Salamanca – e depois até à rotunda do Parque Urbano do Rio Diz. Tudo isso podia ter sido financiado. Mas, dois erros graves: amputaram o projecto, atrasaram um ano e agora vamos ter de trabalhar para o futuro, nesses projectos, já noutro Quadro Comunitário de Apoio. Mas esta pedovia actual tem de ser rapidamente executada, sob pena de perdermos os fundos comunitários. E vamos todos de ter de trabalhar muito. Porque é bom – não é o ser bom politicamente para o presidente da Câmara, para o executivo municipal, para a Câmara em si – é bom para a Guarda. Tudo o que esteja em causa para defender a Guarda, nós estaremos sempre na vanguarda. Queremos e precisamos e apelamos a todas as forças políticas do nosso concelho para que se juntem a nós e façam uma crítica construtiva, nunca destrutiva. Falar mal por falar mal, as pessoas estão fartas disso. Os calendários eleitorais falam por si. Já acabou a campanha eleitoral autárquica e nós temos de trabalhar muito para o futuro e temos quatro anos para trabalhar muito. 
A GUARDA: A pensar no futuro, a Alameda dos F’s também é para concretizar?
Sérgio Costa: É um dos nossos compromissos. Está no nosso programa eleitoral. Com ou sem financiamento nós vamos ter que a fazer, num médio prazo. Por isso é que já na próxima reunião de Câmara vai já lá a abertura, novamente, do procedimento do Plano de Pormenor do Cabroeiro. Esse Plano de Pormenor cujo princípio inicial foi adulterado. Porque, vejam só, no actual PDM do Plano Director Municipal que está em vigor ainda, estava previsto uma unidade operativa chamada UO2 (unidade Operativa nº 2) e essa unidade operativa era para fazer precisamente a variante da Ti Jaquina, a variante dos F’s, a Avenida da Europa, a Avenida do Futuro, como lhe quisermos chamar e toda aquela zona, todo aquele vale, o solo é urbano, neste momento. Ora se nós vamos, em função do plano de urbanização, transformar aqueles solos noutras características, sem chegarmos a acordo com os proprietários e como em qualquer processo de expropriação, isso vai-se arrastar durante anos e anos nos tribunais e a autarquia poderá ter de pagar milhões e milhões de euros de indemnizações com esse prejuízo. Por isso é que nós temos de entrar em negociação com os proprietários na tal perequação. Afinal de contas, aquela avenida tem de ser uma avenida urbana. Já todos nós falamos que a VICEG devia ter um carácter mais urbano do que aquilo que tem. Por esta razão e por outras, aquela Avenida da Ti Jaquina, Avenida dos F’s, vai ter de ter mesmo carácter urbano, porque é uma zona de expansão da cidade. 
A GUARDA: Está disposto a falar com os proprietários dos terenos?
Sérgio Costa: Com todos, um por um. Com todos os proprietários para chegarmos a acordo. Bem sabemos que cada cabeça sua sentença, somos humanos, mas estamos dispostos a sentarmo-nos à mesa com os proprietários, um por um, e falarmos de uma forma franca e aberta, sem tabus, mas sempre com verdade e transparência. 
A GUARDA: O que é que a autarquia vai fazer com os imóveis da Praça Velha que foram adquiridos pelo executivo anterior?
Sérgio Costa: No que diz respeito aos imóveis que estão paredes meias com a CIM (Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela), já estamos a agendar uma reunião com a CIM para percebermos as suas necessidades de expansão. A Comunidade Intermunicipal vai ter que crescer e vai ter de crescer tecnicamente com mais postos de trabalho e isso é bom para a Guarda. Teremos mais pessoas a trabalhar na Guarda, mais pessoas a trabalhar naquele espaço, mas também precisam de mais espaço e teremos de dialogar rapidamente com eles. Mas, naquele espaço também que tão grande que é, teremos de criar um pouco de economia, dar apoio, dar suporte à Praça Velha. Queremos que o turista vá à Praça Velha e possa visitar ali algumas coisas. É nesse projecto que estamos a trabalhar. Esta semana estive em Lisboa, em várias reuniões – já é semanal, mas é mesmo assim, onde estivemos a falar sobre tudo isto. É importante estar sentado a esta mesa, nesta bela mesa que tem 30 anos nesta casa, que é histórica e eu fiz questão de recuperar, pois é património municipal, é a história da cidade, é a história da Câmara, é a história dos presidentes de Câmara, quer se queira quer não. Muitas decisões foram tomadas nesta mesa, decisões importantes para a Guarda.   No que diz respeito à antiga Casa da Legião tivemos a informação, esta semana, de que não existe qualquer acordo escrito ou falado com a Associação Nacional de Farmácias para que venha para a Guarda a colecção anunciada. Nós não queremos falar sobre ela, muito respeitamos o senhor Piné. Ninguém respeita mais, podem respeitar de igual forma, mas mais do que nós não respeitam o senhor Piné, a sua colecção e a Associação Nacional de Farmácias. Respeitamos muito o senhor Piné e as instituições e são intocáveis e, por isso, nós não queremos falar muito sobre isso. Mas no que diz respeito à antiga Casa da Legião nós vamos lançar uma discussão pública. Porque nós ouvimos dois tipos de opinião. Há pessoas que dizem que aquele edifício deve ser recuperado, reabilitado, o que custará nunca menos de dois milhões de euros. Mas também há outras pessoas que nos dizem e opinam, que ali deve ser criada uma Praça aberta. Abrir aquele espaço à porta da Sé catedral que merece um espaço digno. É esta discussão que queremos que os guardenses façam de uma forma construtiva, sempre, para podermos, nós os políticos, tomar as decisões. 
A GUARDA: E o edifício da antiga Citrobeira, na Guarda Gare, tem ideia do que vai nascer ali? 
Sérgio Costa: Só espero que não seja um elefante branco para a Câmara da Guarda, um sorvedouro de dinheiro, porque está em reunia. A médio prazo nós iremos resolver esse problema. É mais um dossier que não nos foi passado e nós começamos a perguntar aos técnicos o que é que se passa com isto e com aquilo. A ideia que existia, no anterior executivo, era acabar com a Central de Camionagem conforme ela é e transpor parte dos autocarros, parte do transporte rodoviário, precisamente para aquele espaço. Mas aquele espaço não tem condições para os autocarros. Só quem nunca conduziu um autocarro – eu já conduzi um autocarro, o meu falecido pai era motorista de autocarros – só quem não sabe, quem não conhece esse metier é que poderia comprar aquele espaço para esse efeito. Temos que revisitar tudo isso e aquele espaço não pode ser um elefante branco., mas nos próximos meses nós ditaremos arreitas. 
A GUARDA: Quando é que a Guarda vai ter uma rede de transportes urbanos que satisfaça a população?
Sérgio Costa: Como sabem nós fomos condenados. Chegámos à Câmara da Guarda e recebemos logo a condenação do Tribunal para adjudicarmos ao segundo concorrente, fruto de uma adjudicação mal feita - tal como eu referi, na altura, numa reunião de Câmara e seguindo a opinião do consultor jurídico da autarquia. Recebemos a condenação e tivemos que adjudicar. Neste momento está a decorrer o processo para a adjudicação, para entrega ao segundo concorrente. É nisso que nós estamos a trabalhar rapidamente, para que se ponha em prática este concurso. No futuro veremos as adaptações que é possível fazer ao concurso, eventualmente. 
A GUARDA: Como é que a Câmara pretende fazer da Guarda a cidade da saúde?
Sérgio Costa: Há uma coisa que nós nos próximos meses nos vamos dedicar, que tem a ver com a constituição do conselho Municipal da Saúde, em primeiro lugar. É ali que se deve debater o futuro da saúde do nosso concelho, com a Câmara, com o Hospital, a ULS e outros intervenientes. É fundamental que ali se fale nas duas grandes vertentes da saúde. Em primeiro lugar as infra-estruturas. Esperemos que as obras do Centro Materno Infantil avancem rapidamente porque existe financiamento garantido e, acto contínuo, que seja feita a requalificação, porque não pode ser feito tudo ao mesmo tempo, do edifício do comboio, vulgarmente assim designado. Mas é preciso cativar aqui os jovens médicos e os restantes profissionais da saúde, os enfermeiros e outros profissionais, outros técnicos e outros assistentes técnicos e operacionais. É muito importante fixar aqui as pessoas. E aquilo que nos dizem, da parte dos médicos, não é tanto a parte financeira para eles se fixarem, porque eles fixam-se e nem é a questão das casas, do apoio, da habitação. Facilmente encontram uma casa aqui ou ali, por mais ou menos dinheiro, naturalmente. Mas o que os médicos querem é qualidade de vida também, e nós temos de saber vender a nossa qualidade de vida e aumentar a nossa qualidade de vida na Guarda. E é também criar as condições para que aqui possam desenvolver as suas carreiras, desenvolver a sua profissão, a sua investigação.Por isso é que nós queremos uma aposta firme em conjunto como o Hospital, com a ULS, mas também com o Instituto Politécnico da Guarda, para o tal Centro Nacional do Envelhecimento. Porque à volta do envelhecimento estão todas as especialidades. Quando estamos mais velhos é normal, é isso que nos dizem os livros, que nos diz a ciência, nós ficamos mais vulneráveis a várias doenças. Tudo isto é importante para fixar aqui os médicos: qualidade de vida e qualidade da sua profissão, o desenvolvimento das suas carreiras. Fazerem aqui a investigação. Este Centro Nacional do Envelhecimento é muito importante e é nisso que nós queremos trabalhar, nestas matérias e com outras, com a ULS, com o Instituto Politécnico, com todas as entidades que muito podem dizer na área da saúde. 
A GUARDA: É importante a Guarda assumir o papel de liderança na defesa do Hospital da Guarda?
Sérgio Costa: Claro que sim, é a capital do Distrito. E ter-nos-ão à frente sempre de toda e qualquer manifestação pela defesa do nosso hospital, das nossas instalações, dos seus profissionais e da qualidade da saúde na Guarda. Ter-nos-ão sempre à frente. 
A GUARDA: E no ensino, como é que a Câmara vai gerir as novas competências? Sérgio Costa: A delegação de competências na área da educação, na Guarda, não foi bem pensada. Foi feita em cima do joelho, sem uma estratégia, sem percebermos afinal o que é vinha em termos de custos e o que é que viria em termos de receitas. A Câmara da Guarda, desde Setembro que teve de assumir essas competências, está numa fase de transição e de estudo e de readaptação. Eu tive oportunidade de dizer, esta semana, à tutela governamental, numa reunião que tivemos em Lisboa, que a forma como estão a ser feitas estas competências é apenas para que o Município possa pagar aos funcionários e fazer obras de requalificação. Não tem qualquer competência na gestão dos recursos humanos, nem na gestão dos espaços., claro que não, têm de ser os Agrupamentos. Mas, afinal de contas, para que servem estas competências? Porque no médio prazo aquilo que pode acontecer é que o dinheiro que vem do Estado Central não chega para pagar as despesas. É o que vai acontecer no médio prazo e por isso é que com o próximo Governo - estamos à porta de eleições legislativas – vamos reter de falar sobre essa delegação de competências e, eventualmente o necessário reforço das verbas. A Câmara Municipal da Guarda não pode ser apenas um veículo para pagamento de despesas. Para isso não valia a pena a delegação de competências. Mas nessa matéria, a Câmara da Guarda está numa fase de readaptação e, naturalmente, no próximo ano, será fulcral nessa análise para podermos tomar decisões no futuro. 
A GUARDA: A Guarda será capital regional do Desporto?
Sérgio Costa: Nós ambicionamos e queremos ser a capital regional do desporto mas para isso vamos ter que ter boas infra-estruturas. Nós iremos dar início ao projecto com o objectivo de podermos conseguir o financiamento necessário para a cidade desportiva na zona do Rio Diz. É uma excelente zona paredes meias com o Polis, com o Parque Urbano do Rio Diz, com a antiga Fábrica Tavares, toda aquela zona e com o Pavilhão de São Miguel, para ali podermos fazer a cidade do desporto, construirmos a cidade desportiva. Mas é importante também a requalificação do Estádio Municipal, das Piscinas Municipais e do Pavilhão de São Miguel.Aproveitaremos sempre as sinergias que nós teremos com o campo de Vila Cortês do Mondego e futuramente com o campo sintético de Casal de Cinza e o sintético de Gonçalo. É fundamental esta articulação das infra-estruturas desportivas para podermos ambicionar no futuro, aí sim, a cidade desportiva para a Guarda.
A GUARDA: Como é que a Guarda pode atrair novas empresas de maneira a fixar as pessoas?
Sérgio Costa: A Guarda tem de ser diferenciadora, em vários aspectos, em vários níveis. Não podemos ser iguais aos outros. O que é que todos fazem hoje em dia? A roda já foi inventada há muitos anos. Nós temos de saber cativar os jovens quadros. Jovens e menos jovens, em início de vida e também os quadros altamente qualificados, oferendo-lhes qualidade de vida, oferecendo-lhes condições para trabalhar. Trabalharemos também na criação de um pacote de incentivo, juntamente com o Estado Central, para que aqui as pessoas se possam fixar. É nisso que nós trabalharemos nos próximos meses e nos próximos anos. Vai ser uma luta incessante porque a concorrência é grande e seja ao nível das novas indústrias ligadas à tecnologia ou a outro nível, todas são importantes. Todo o tipo de investimento é bem-vindo à Guarda. É mesmo preciso todo o tipo de investimento. Toda e qualquer empresa que traga um, dois, três, quatro postos de trabalho, é importante para a Guarda. Porquê? São logo quatro, cinco, seis famílias. É só fazermos as contas e tudo isso ajudará a alavancar a nossa economia. 
A GUARDA: E quais os incentivos às empresas que se queiram fixar na Guarda?
Sérgio Costa: Existem alguns incentivos e nós queremos estudar mais e novos incentivos, como aquilo que nós falámos na nossa campanha eleitoral: a redução do IMI para as empresas e da Derrama e a isenção ou redução das taxas urbanísticas. É nisso que nós queremos trabalhar. Naturalmente, nós chegámos há um mês e estamos a beber muita informação e queremos projectar o futuro. Teremos de ter aqui algum tempo para desenhar todas essas medidas bem desenhadas e depois saber promovê-las em todo o País, em toda a Europa e em todo o Mundo. Há muitos portugueses espalhados pelo Mundo e com a ajuda fulcral dos nossos emigrantes podemos projectar a Guarda. Nós temos pessoas aqui da Guarda que estão emigradas há muitos anos e que certamente quererão dar o seu contributo e a sua ajuda. Estaremos muito gratos a todas essas pessoas, a esses homens e essas mulheres que desde cedo tiveram de sair de Portugal para singrar, para lutar pelas suas vidas, mas estão dispostos a ajudar a Guarda, a sua terra Natal, para a projectarmos no futuro.
A GUARDA: A Plataforma Logística e o Parque Industrial ainda continuam a responder às necessidades ou há necessidade de serem ampliados?
Sérgio Costa: É necessário fazer a sua ampliação urgente, a sua grande ampliação. Seja a Plataforma Logística, seja o Parque Industrial da Guarda, seja o Parque Empresarial da Arrifana no Outeiro de São Miguel, seja o Parque Empresarial de Vale de Estrela e as onze pequenas áreas de localização empresarial que nós queremos criar no meio rural, teremos de encontrar os fundos comunitários necessários para esta via para estas necessidades. Isso é fundamental para podermos atrair cada vez mais empresas. Este é o caminho das infra-estruturas em paralelo com o caminho do pacote de ajuda que nós queremos dar às empresas para aqui se fixarem.
A GUARDA: E o mundo rural?
Sérgio Costa: Vejam só, quarenta e tantos anos depois do 25 de Abril, as aldeias, grosso modo, a sua grande maioria tem boas acessibilidades, têm todas as infra-estruturas, têm água, têm saneamento, têm energia eléctrica, têm comunicações. Nós estamos a lutar muito pela fibra nas aldeias. Afinal de contas uma das grandes lições que nós aprendemos com a pandemia foi que o trabalho nómada, o teletrabalho veio para ficar cada vez mais e a partir daqui pode-se trabalhar para todo o Mundo, eu diria para todo o Universo, mas o homem por ora, ao que se conhece, o ser humano só habita apenas o planeta Terra. Mas a partir daqui pode-se trabalhar para todo o Mundo. Nós temos de criar condições para que as pessoas se fixem nas aldeias. Temos de ter boas redes de comunicações e temos de ter qualidade de vida. Temos de saber vender a nossa qualidade de vida.Eu, orgulhosamente, vivo numa aldeia actualmente e gosto muito. Tem qualidade de vida viver numa aldeia. No caso concreto, estamos a um quarto de hora do centro da cidade. Portanto temos de saber vender a qualidade de vida nas aldeias. Isso é fundamental mas temos de criar as condições nas aldeias para que as pessoas se possam ali fixar. Boas redes de comunicações, as comunicações digitais. Isso é fundamental. Temos de criar, e podemos estudar isso no futuro, alguns pacotes adicionais para podermos revitalizar e reabilitar o edificado mais antigo das aldeias que muito dele está em condições precárias, em condições muito devolutas. É esse pacote que nós queremos criar da recuperação, da reabilitação dos núcleos históricos da cidade e do mundo rural. 
A GUARDA: As novas energias também entram no concelho da Guarda?
Sérgio Costa: Falando das grandes empresas do País, em primeiro lugar, temos dois parques eólicos que, dentro em breve, entrarão em funcionamento. Já reunimos com a empresa para perceber o estado da arte e falaremos, em breve, sobre os parques solares e sobre o potencial eólico que ainda existe no nosso concelho. Mas também ao nível do edificado municipal. É uma matéria que o próximo quadro comunitário de apoio, seja o 20/30, seja o PRR, vai versar muito sobre tudo isso e nós queremos trabalhar, criar equipas para ajudar as pessoas, as juntas de freguesias, para saberem onde se dirigir e aproveitar os fundos que aí vêm, ao nível das energias renováveis. Na iberdização do sector eólico/solar é muito importante ajudarmos as empresas e por justaposição, também os particulares para que se possam candidatar, naturalmente, aos fundos que estarão disponíveis. 
A GUARDA: Como é que pretende valorizar o potencial cultural que existe no concelho da Guarda?
Sérgio Costa: Nós chegámos aqui há um mês atrás e uma das primeiras reuniões que tivemos foi com os responsáveis da Capital Europeia da Cultura. E já se gastou bem mais de um milhão de euros na Capital Europeia da Cultura. Os números não podem ser mascarados, são reais. Há várias rubricas orçamentais. Há a rubrica A, B e C e quando juntamos e quando juntamos as rubricas todas aí temos o valor do montante. Mas julgávamos nós que a candidatura pudesse ter sido envolvente de toda a sociedade, das associações culturais, das escolas, das juntas de freguesia. Afinal de contas, a cultura somos todos nós. A cultura será aquilo que todos nós quisermos que ela seja. Não houve este envolvimento com a sociedade civil e devia ter havido. A ordem que nós demos, porque pouco ou nada poderíamos fazer, era simplesmente dar seguimento ao que vinha de trás, à candidatura a Capital Europeia da Cultura. Dar simplesmente o seu seguimento. Queremos acreditar que seja possível alcançar bons resultados com a Capital Europeia da Cultura. Mas nós queremos fazer, no futuro, muito mais com os de cá que neste momento estão muitas vezes afastados de tudo isto. Queremos fazer muito mais com os de cá, apoia-los na justas medida. Nós não temos dinheiro para andar a distribuir grandes quantidades. Não temos, porque temos de fazer face a tantas e tantas necessidades. Mas queremos apoiar cada vez mais as associações e puxar por elas. Há aí tantos talentos escondidos na área cultural, é aquilo que nos dizem. Não é preciso ser um grande especialista na área da cultura, uma pessoa com muitos estudos na área da cultura. Não! É preciso ser prático e pragmático, saber ouvir as pessoas. Os políticos têm de tomar decisões depois de ouvirem as pessoas e é nisso que nós queremos trabalhar.
A GUARDA: É possível criar uma nova centralidade a partir do Teatro Municipal da Guarda?
Sérgio Costa: Nós queremos desenvolver o vale de São Francisco, todo aquele espaço, entre o Bairro da Senhora dos Remédios, o Bonfim e a Avenida Rainha Dona Amélia e o Teatro Municipal. A zona mais a sul da cidade, todo aquele vale. Ali queremos construir um novo espaço para a Feira quinzenal, porque no espaço actual vai nascer a nova mata municipal, o novo pulmão da cidade. Mas no Vale de São Francisco, em paralelo com a Feira quinzenal, outras actividades vão ter que ser estudadas, vão ter de ser criadas, seja da habitação ou seja a nível empresarial. É nesse plano de pormenor que nós iremos trabalhar no futuro. 
A Guarda: Como estão as promessas feitas pelo Governo à Guarda?
Sérgio Costa: Como disse, nós estamos, quase semanalmente, em Lisboa e andamos a bater às portas. Andamos a cobrar as promessas e no futuro falaremos sobre tudo isso. É na reserva, no recato das reuniões que nós falamos sobre isso. É o trabalho de formiga que nós gostamos muito de fazer. Dá trabalho, é verdade, mas nós temos de o fazer e por isso é que andamos constantemente nestas reuniões com os diversos gabinetes ministeriais e dos secretários de estado. Já se comenta em Lisboa que a Câmara da Guarda anda a bater a todas as portas. Já se comenta isto e é bom que se comente. Nós gostamos de o fazer e é assim que deve ser feito. Trabalharmos com todos e para todos. Afinal de contas foi esse um dos nossos lemas na campanha eleitoral. Por isso é que somos independentes. Nós podemos trabalhar com todos sem clivagens políticas. Por isso nós andamos a bater às portas a cobrar as promessas eleitorais. Se o cidadão comum da Guarda também vem cobrar, irá cobrar ao Município da Guarda, a este executivo, os seus compromissos, as suas palavras eleitorais, também nós temos de o fazer junto do estado central, seja ele qual for. Seja de que partido for nós andaremos lá a bater às portas para cobrar aquilo que prometeram aos guardenses. É esse trabalho de bastidores, de formiguinha, que nós andamos a fazer neste momento. 
A GUARDA: Já teve oportunidade de falar sobre o Hotel de Turismo com o Governo?
Sérgio Costa: Já. Ontem mesmo (18 de Novembro), ao final do dia, uma nova conversa. No dia 23 fechará o concurso. Estamos expectantes com o que vá dar o concurso, para acto contínuo uma empresa concorrer – mas que seja uma empresa do sector turístico, do sector hoteleiro, que não seja nenhuma empresa imobiliária, porque empresas imobiliárias são só para fazer render o peixe, para fazer render o negócio. Queremos que haja uma empresa, um grupo hoteleiro que pegue no Hotel, que possa reabilitá-lo e abrir nos próximos quatro anos. O que nós dissemos, olhos nos olhos, ao Estado Central, já o dissemos: se o Governo não for capaz, o negócio tem de voltar atrás. Se nada for feito, que devolvam o Hotel à Câmara da Guarda, porque nas câmaras municipais é sempre tudo mais fácil. É só fazer um caderno de encargos e lançar um concurso público, limpo e transparente. É isso que nós devemos fazer no futuro em relação ao Hotel de Turismo para, no horizonte dos próximos quatro anos, poder ser aberto à população e aqui fazer economia. É muito importante porque centenas de pessoas podem aqui pernoitar, jantar. O Hotel de Turismo pode ser uma empresa aqui no meio da cidade e será certamente.
A GUARDA: Sabe se há interessados? Sérgio Costa: O concurso decorre e só quando o concurso fechar é que nós saberemos. 
A GUARDA: O que gostaria de destacar no programa das comemorações do Dia da Cidade?
Sérgio Costa: A Guarda sabe acolher bem as pessoas. A economia social na Guarda é muito importante. Nesta campanha eleitoral nós demos conta que há tanta pobreza escondida e aquilo que nós gostaríamos de destacar é precisamente a necessidade de um apoio social cada vez mais efectivo. Mas não é um apoio social de cigarra para mostrarmos nos holofotes todos que nós andamos a dar um simples saco de arroz ao cidadão mais pobre do concelho. Não! É na reserva das coisas que nós devemos actuar. Trabalhando com as instituições sociais aos mais diversos níveis, nas IPSS, as instituições ligadas à Igreja, à Diocese e não só. É muito importante trabalhar com todas elas. O papel social no apoio àqueles que mais necessitam, mas um apoio discreto, sempre um apoio discreto. 
A GUARDA: O que é para si a Guarda?
Sérgio Costa: A Guarda foi a terra que me acolheu, que me abriu as portas, os horizontes. Eu estou muito grato à Guarda. Como sabem, eu não nasci na Guarda. Nasci em Trás-os-Montes há 45 anos e há 27 anos que estou na Guarda. Vim para cá estudar e por cá fiquei. A Guarda abriu-me as portas, aqui constitui família. O que eu digo à minha filha mais velha, que foi agora estudar para Aveiro, o que lhe digo é: estuda, estuda muito para teres boas notas, aliás ela já tem essa prova que por ter estudado muito já teve direito à bolsa do primeiro ano. E eu disse, continua porque já estás a ganhar dinheiro. E é assim mesmo no futuro, quando estudamos, quando trabalhamos nós ganhamos dinheiro. E a Guarda abriu-me estas portas, acolheu-me e eu estou muito grato e por isso, a Guarda é actualmente a minha terra. Afinal de contas nós somos da terra onde vivemos e a Guarda abriu-me as portas. Se Deus quiser por aqui ficarei por muitos e bons anos. Deus me dê saúde para aqui continuar por muitos e bons anos e a fazer coisas pela Guarda, seja na política ou fora dela. Eu sempre me habituei a fazer coisas pela Guarda e um dia nas minhas memórias poderei escrever tudo isso. Sem dar conta, ao longo destes 27 anos, já fui fazendo mesmo muita coisa pela Guarda, na política ou fora dela, no associativismo, na vida simples como cidadão.É importante dormirmos descansados. E falando um pouco com o coração, é sempre bom falar com o coração, não é com a cabeça que eu gosto de falar destas coisas, é mesmo com o coração e é com este sentimento, o sentimento de querer trabalhar para a Guarda, dar-lhe tanto quanto aquilo que a Guarda já me deu. É isto que todos os dias eu gosto de fazer. 
A GUARDA: O que é que mais aprecia nas pessoas do concelho da Guarda?
Sérgio Costa: O saber acolher, a amizade, o bem receber beirão, naturalmente à parte do bom ar que nós temos na Guarda e das boas iguarias, as boas comidas que por aqui se fazem, os vinhos da região. Mas as pessoas que sabem acolher, o serem amigas do seu amigo, isso é fundamental. Infelizmente, não é na Guarda, é na sociedade mundial, isto é um bem cada vez mais escasso. Mas na Guarda continua e continuará a existir. E é bom que isto continue a ser protegido e praticado no futuro. Isto é muito importante. Afinal de contas isto também é qualidade de vida, que nós nos sintamos bem no meio dos nossos amigos, no meio das pessoas guardenses. 
A GUARDA: Como é que gostava de ver a Guarda daqui a quatro anos?
Sérgio Costa: Gostava de ver, e é para isso que nós trabalharemos, uma cidade mais limpa; uma cidade mais cuidada; uma cidade mais bonita; com o Centro Histórico a ser requalificado; com as variantes já construídas ou na sua fase final de construção – a variante dos F’s, a variante da Sequeira, a variante dos Galegos; com o Porto Seco já construído ou na sua fase final de construção – já temos reuniões agendadas para falar sobre isso com as tutelas governamentais; e o mesmo é dizer em relação à ampliação das zonas empresariais, dos parques industriais como nós referimos; iniciar o estancamento ao problema da demografia em toda esta região – é um problema do País e desta região também, estancar a inversão completa da pirâmide.Paras tudo isto acontecer, todos temos de trabalhar no mesmo objectivo, afincadamente. Apelamos a todas as forças políticas que nos ajudem em tudo isto. A Guarda está farta das forças de bloqueio, de falar mal por falar. Deixem-nos trabalhar. É isso que nós pedimos. Deixem-nos trabalhar em prol do futuro da Guarda.