“Foram suspensas todas as actividades lectivas presenciais, bem como os Estágios e Ensinos Clínicos”


Paula Pissarra é Diretora da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda. É natural da Guarda. Estudou sempre na Guarda, no antigo Liceu Afonso de Albuquerque e depois fez o Curso de Enfermagem na então designada Escola de Enfermagem da Guarda, hoje Escola Superior de Saúde, da qual é neste momento a Directora.
A GUARDA: Como é que a Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda está a lidar com a actual situação de saúde em Portugal, relacionada com a infecção por COVID-19?
Paula Pissarra: Tal como todas as escolas a nível nacional, estamos a seguir as orientações da Direcção Geral de Saúde, dos nossos Governantes e também da Presidência do IPG.Numa 1ª fase foi elaborado e implementado um Plano de Contingência para todo o Instituto, mantivemo-nos atentos a todas as situações e fomos alertando toda a comunidade académica para os cuidados a ter no dia-a-dia.Posteriormente, foram suspensas todas as actividades lectivas presenciais, bem como os Estágios e Ensinos Clínicos.Neste momento a Escola Supeior de Saúde, bem como todas as outras Unidades Orgânicas do IPG, estão a funcionar apenas com serviços mínimos e com o horário mais reduzido. A GUARDA: Na sequência da decisão governamental de suspender todas as actividades lectivas e não lectivas presenciais nas escolas de todos os níveis de ensino, por tempo indeterminado, como é que a Escola Superior de Saúde acompanha os alunos à distância?
Paula Pissarra: Os estudantes que ainda tinham actividades lectivas em sala de aula, estão a ter um acompanhamento à distância, com aulas online e orientação de trabalhos.A maior dificuldade é nas aulas de tipologia PL (Práticas Laboratoriais), pois obriga a que os estudantes estejam em laboratórios, onde treinam técnicas de enfermagem em modelos anatómicos ou outras técnicas laboratoriais na área da Farmácia. Assim, essas aulas terão de ser leccionadas na escola logo que possível.Ainda é cedo para se fazerem planos, embora tenhamos que pensar em reequacionar o semestre, se isso for possível.
A GUARDA: A Escola e os alunos estão preparados para este tipo de situação?
Paula Pissarra: Penso que sim, embora seja uma forma diferente do habitual, há uma grande boa vontade por parte de todos e uma grande cooperação, tanto dos docentes como dos estudantes. O IPG dispõe de plataformas às quais alunos e docentes podem aceder para esse fim É claro que isso implica rever e acertar alguns parâmetros, pois as aulas não são leccionadas exactamente como no formato presencial.
A GUARDA: Perante situações como as que estamos a viver, é ou não necessário repensar o actual sistema de ensino ainda muito dependente do presencial?
Paula Pissarra: É claro que as aulas presenciais são muito importantes, há uma interacção de alguma forma diferente entre professor e estudante. Mas por outro lado isto vem de alguma forma mostrar-nos que as tecnologias nos permitem uma grande proximidade e até mesmo em outras situações pode começar a equacionar-se esta metodologia.Por exemplo na ESS, o Curso de Mestrado em Ciências Aplicadas à Saúde, como é em parceria com o IP de Bragança, já utilizam esta metodologia o que torna mais fácil o acesso dos estudantes e também dos professores, pois não necessitam de se deslocar e os estudantes assistem todos às aulas em simultâneo. A GUARDA: O que é esta pandemia que está a dar a volta ao Mundo? Paula Pissarra: A definição de pandemia não depende de um número específico de casos. Considera-se que uma doença infecciosa atingiu esse patamar quando afecta um grande número de pessoas espalhadas pelo mundo. Esta pandemia surge na sequência de uma infecção respiratória grave provocada por um vírus da família dos coronavírus.O SARS-CoV-2 é o nome do novo vírus e significa Severe Respiratory Acute Syndrome (Síndrome Respiratória Aguda Grave) – Coronavírus – 2. COVID-19 (Coronavirus Disease) é o nome da doença e significa Doença por Coronavírus 2019, fazendo referência ao ano em que foi descoberta.Considera-se que a infecção por COVID-19 pode transmitir-se: Por gotículas respiratórias (partículas superiores a 5 micra); Pelo contacto directo com secreções infecciosas; Por aerossóis em procedimentos terapêuticos (inferiores a 1 mícron).
A GUARDA: O que está a acontecer em Portugal e no Mundo exige uma convergência de esforços. Quais as práticas de prevenção e controlo de infecção promotoras da redução do risco de transmissão?
Paula Pissarra: É muito importante as pessoas seguirem as orientações da Direcção Geral de Saúde e dos nossos governantes.Todas as notícias estão a ser dadas com muita cautela, mas é importante que as pessoas tomem consciência do perigo a que se expõem e principalmente a que expõem os outros.Por isso é importante que nesta fase as pessoas adquiram bons hábitos que no seu dia-a-dia devem cumprir, nomeadamente Medidas de prevenção Individual:Higienização das mãos: Lavar frequentemente as mãos, com água e sabão, esfregando-as bem durante pelo menos 20 segundos; Na impossibilidade de lavar, esfregar com solução alcoólica; Lavar as mãos antes e após as refeições, antes e depois do uso da casa de banho e sempre que as mãos estejam sujas (por exemplo uso de telemóvel, compras, dinheiro, etc); Evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca com as mãos, se o fizer lavar as mãos de seguida; Nas situações em que é necessário colocar máscara, higienizar as mãos antes da colocação e após a remoção da máscara.Etiqueta respiratória: Tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o cotovelo flectido, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo); Usar lenços de papel (de utilização única) para se assoar; Deitar os lenços usados num caixote do lixo e lavar as mãos de seguida ou passar com solução alcoólica.Conduta social: Manter distância social de um/dois metros para/com as outras pessoas; Evitar cumprimentos sociais que impliquem contacto físico. 
A GUARDA: Foi sensato declarar o Estado de Emergência?
Paula Pissarra: Na minha opinião, penso que sim, pois ao ser declarado estado de emergência permite aos nossos governantes adoptarem uma série de medidas excepcionais, que obrigatoriamente terão de ser cumpridas, e que irão permitir dar respostas de contenção a esta pandemia.