Celebramos no próximo domingo a solenidade da Ascensão e com ela o mandato dirigido aos apóstolos para irem por todo o mundo anunciar a Boa Nova do Evangelho.

Entre as muitas formas de a Igreja, na actualidade, continuar a missão apostólica está o uso dos meios de comunicação social, na pluralidade das suas formas, que vão desde o papel ao digital e à força da interactividade. Hoje, mais do que nunca, a vida das pessoas e das instituições está profundamente condicionada pelo peso da comunicação social.Partimos do princípio de que esta existe para investigar e propor a verdade dos factos, ajudar as pessoas a fazerem a leitura criteriosa dos mesmos e contribuir para a criação de uma sã opinião pública, também reguladora da vida em sociedade, com base nos grandes valores que dão sentido à vida.Para o fazer, é imperioso procurar compreender o tecido da história em geral e nele cada um se possa inspirar para tecer a sua própria história, em benefício próprio e dos outros. Sabendo nós que a história pessoal é responsabilidade nossa, mas necessitando sempre das referências modelares dos chamados heróis ou santos, é importante, neste processo, o contributo de quem nos conduza a essas fontes e no-las saiba propor.Sabemos, por outro lado que há muitas histórias falsas e às vezes mesmo depravadas que desorganizam a nossa vida pessoal e das comunidades. São aquelas que o Papa Francisco, na sua mensagem para o dia mundial das comunicações sociais deste ano, chama as “deepfake” ou seja as “fakenews” mais profundas. A essas queremos dizer não e, em alternativa, contribuir para a narração de histórias verdadeiras e belas, fundadas na realidade das nossas vidas pessoais e do mundo, incluindo a natureza. Partimos do princípio de que a paisagem do mundo transporta consigo uma mensagem positiva, é uma verdadeira carta escrita com primores de beleza e de bem para todos.Sabendo ler devidamente essa carta com a ajuda da comunicação social, seremos mais capazes de tecer e orientar bem a nossa vida pessoal, determinados a contribuir para advento do mundo novo que todos desejamos e precisamos.Aos meios de comunicação social pedimos não apenas que dêem notícia dos acontecimentos à escala global, mas sobretudo que nos ajudem a ler bem essa carta bonita da história humana e da natureza. Assim, ficaremos motivados para fazer da nossa vida a constante procura da beleza, do bem e do verdadeiro e recusar toda a falsidade.Em geral, a vida, por tendência, faz história. E a memória dos acontecimentos é determinante para que à história de cada um possa aproveitar, da melhor maneira, a história de todos, a começar pelo riquíssimo património que nos é legado para nós fruirmos e transmitirmos, quanto possível enriquecido, ao futuro.Isto é viver com sentido e com esperança. Por isso, pedimos à comunicação social que participe connosco nesta aventura.18.5.2020+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda