Vila Nova de Foz Côa


Um painel gravado com mais de seis metros, com várias figuras com destaque para um grande auroque (boi selvagem), é a nova descoberta do Vale do Côa. O anúncio da descoberta foi feito pela Fundação Côa Parque, que fala da maior figura da arte do Vale do Côa e da toda a Península Ibérica e uma das maiores do mundo, apenas comparável com os auroques da gruta de Lascaux (França)*.
A Fundação Côa Parque anunciou, na última sexta-feira, 24 de Abril, a descoberta de um novo painel gravado, com mais de seis metros de comprimento, e contendo mais de 20 novas gravuras paleolíticas, que se encontravam cobertas por camadas arqueológicas.A equipa de arqueologia da Fundação, liderada por Thierry Aubry, novo responsável técnico-científico do Museu do Côa e Parque Arqueológico do Vale do Côa, começou, no início do ano, os trabalhos de escavação junto à rocha 9 do Fariseu, um dos principais núcleos de arte rupestre do Vale do Côa, classificados como Monumento Nacional e inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO.Os trabalhos arqueológicos tiveram de ser suspensos no âmbito do plano de contingência do COVID-19.As novas descobertas já foram publicadas na revista Achéologia, a principal revista de actualidade e divulgação arqueológica francesa que dá conta de que os trabalhos foram motivados pela identificação de um traço gravado junto à rocha 9 do Fariseu, que prosseguia sob o solo actual, numa superfície então visível de menos de um metro de comprimento.“Sob os sedimentos escavados percebeu-se que o painel tem mais de 6 metros de comprimento. Verificou-se ainda que o traço que se observava à superfície fazia parte da garupa de um grande auroque (boi selvagem) com mais de 3,5 metros de comprimento”, explica a Fundação Côa Parque.“Trata-se da maior figura da arte do Vale do Côa e da toda a Península Ibérica, e uma das maiores do mundo, apenas comparável com os auroques da gruta de Lascaux”, explica a Fundação. E acrescenta: “No seu interior identificaram-se outros animais gravados por picotagem e abrasão: uma fêmea de veado, uma cabra e uma fêmea de auroque, seguida pelo seu vitelo. No sector direito do painel identificou-se um outro conjunto de gravuras, contendo várias representações de auroques, veados e cavalos, todos sobrepostos, que se encontram ainda parcialmente sob sedimentos”.De acordo com a Fundação Côa Parque “as figuras parecem fazer parte da fase mais antiga da arte do Côa, datada de há mais de 23.000 anos”.A Fundação Côa Parque adianta que para além da importância do achado em si, o facto de o painel ter sido encontrado sob camadas arqueológicas permite “atribuir-lhe uma data mínima. Esta é a única forma de datar objectivamente a arte do Côa, uma vez que é impossível de datar directamente por Carbono 14”.Recorde-se que em 1999, foi identificada a rocha 1 do mesmo sítio coberta por sedimentos arqueológicos, tendo então sido possível datar o início e o fim da arte paleolítica do Vale do Côa. “A continuação dos trabalhos e as datações físico-químicas a realizar permitirão datar de forma científica estas camadas que cobrem as gravuras, mas a sua comparação com o registo da rocha 1 permite dizer que as mais antigas datarão das primeiras fases do Paleolítico Superior”, adianta a Fundação.A escavação em curso surgiu no contexto do estudo do contexto arqueológico da arte paleolítica do vale do Côa, que se vem desenvolvendo há 25 anos e vai continuar assim que as atuais medidas de contenção da pandemia COVID-19 o permitam.
* Lascaux é um complexo de cavernas ao sudoeste da França, conhecido pelas suas pinturas rupestres. As paredes estão pintadas com bovídeos, cavalos, cervos, cabras selvagens, felinos, entre outros animais. A caverna foi descoberta no dia 12 de Setembro de 1940.A caverna foi classificada entre os monumentos históricos da França, no mesmo ano da sua descoberta, a 27 de Dezembro de 1940. Em Outubro de 1979, foi incluída no Património Mundial da UNESCO.