Assembleia Municipal da Guarda

Na última Assembleia Municipal da Guarda, o deputado do CDS-PP Henrique Monteiro propôs a anulação do memorando de entendimento que foi celebrado pela Câmara Municipal da Guarda para cedência do terreno do antigo matadouro para construção de um hospital privado.Henrique Monteiro apresentou uma recomendação tendo em vista a anulação do negócio entre a autarquia e um grupo empresarial privado “porque não houve um concurso público com convite” a entidades locais e nacionais.  “Não estou a acusar ninguém de desonestidade, mas o interesse público está aqui em dúvida”, disse Henrique Monteiro. Considerou mesmo que o valor do terreno não foi devidamente acautelado.Recorde-se que o executivo da Câmara da Guarda (Carlos Chaves Monteiro, Vítor Amaral e Lucília Pina) aprovou a proposta de cedência em regime de direito de superfície, por um prazo de 50 anos, o terreno do antigo matadouro ao Hospital Terra Quente e MedCapital tendo em vista a construção de uma unidade hospitalar e uma residência sénior. O preço do direito de superfície do terreno (6.613 metros quadrados) será de 11.281 euros por ano. Sobre este assunto, o deputado PS, Matias Coelho, declarou que o presidente da autarquia deve ser “claro” e apresentar o assunto à população da Guarda, lembrando que o negócio foi feito “a 15 dias das eleições”.Aires Dinis, da CDU, também considerou que um assunto desta natureza não pode ser tratado “a quinze dias da votação” para as autárquicas e referiu que “a salvação da Guarda tem a ver com um hospital público e com dimensão suficiente” e não com um hospital privado. “Ando há muito tempo preocupado com a saúde na Guarda”, disse Aires DinisAntónio Monteirinho, do PS, disse que a discussão sobre este assunto “devia ser realizada no plano do desenvolvimento, no plano da legalidade e no plano político”. E acrescentou: “É um negócio ruinoso para a autarquia”. Não entende a pressa de “realizar este negócio” que “devia ser objecto de um amplo debate”.Para Pedro Nobre, do PSD, o projecto do hospital privado “é uma complementaridade” e não “uma concorrência” para o Serviço Nacional de Saúde. Disse também que o espaço do antigo matadouro está abandonado há 30 anos. Na reunião da Assembleia Municipal da Guarda, a presidente Cidália Valbom entregou uma medalha e uma publicação sobre o trabalho realizado no mandato 2017-2021 aos antigos presidentes daquele órgão, aos familiares de dois deputados municipais falecidos e a todos os eleitos.