É um grande prazer escrever um depoimento a propósito dos 117 anos do jornal A Guarda – e por duas razões. 

A primeira é que é uma ocasião para saudar um jornal cujo trabalho ao longo de mais de um século foi, década após década, dando conta da vida desta cidade, do seu concelho e da sua região. A influência da Igreja católica no jornal A Guarda foi construindo uma linha editorial que, em paralelo com temas religiosos, da vida paroquial ou diocesana, sempre teve apreço pelo desenvolvimento local e regional, pelo progresso das pessoas e pela correção das desigualdades sociais.São virtudes que, juntamente com algumas lacunas, falhas e imperfeições que também existiram, mantiveram sempre o mérito principal deste jornal: procurar estar, com honestidade editorial, ao serviço dos seus leitores!A segunda razão do prazer de prestar este depoimento é, precisamente, o desafio que me foi lançado: refletir “sobre a importância da imprensa regional na promoção e divulgação das notícias de proximidade”.Essa importância é muita. O grande desafio que se coloca hoje aos autarcas é o de construírem condições para que os seus munícipes possam viver, estudar e trabalhar em igualdade de nível de vida, e em igualdade de oportunidades, com as populações das zonas mais ricas de Portugal e dos países mais desenvolvidos. O principal objetivo de um autarca deve ser fixar pessoas, talento e empreendedorismo no seu território.Estes objetivos só são possíveis de alcançar se houver uma nova geração de políticas autárquicas que – passada que está a fase das infraestruturas e dos serviços básicos – se fixe agora na qualidade de vida, no aumento do rendimento “per capita” das famílias, do seu acesso à educação, ao conhecimento e à cultura.É uma mudança de nível, uma subida de patamar. Estas novas políticas autárquicas exigem tanto ou mais dinheiro do que as anteriores, mas exigem mais do que isso: exigem que haja na população um debate alargado sobre o caminho a seguir.  Este debate tem de ser baseado em informação credível, em dados e factos objetivos, única forma de produzir o envolvimento coletivo e o empenho da maioria para dar os passos que é necessário dar e para fazer os investimentos que é preciso fazer.Nesta dinâmica local – e nas trocas de ideias e nas lutas políticas que caraterizam o Poder Local democrático – é essencial que existam nas cidades e nos concelhos órgãos de comunicação independentes e imparciais que sejam um espelho honesto, tanto quanto possível objetivo, e credível sobre o que se está a discutir e sobre quais as opções e as alternativas que as populações têm, de facto, à sua disposição. As muito usadas redes sociais, apesar de terem promovido uma interconectividade quase universal, não cumprem essa função: são fundamentais para que cada cidadã ou cidadão possam expressar o que lhes vai na alma, mas não asseguram nem a objetividade, nem o rigor técnico, nem a deontologia, nem a ética que só o jornalismo pode assegurar. Essa é a grande importância da imprensa regional: oferece às pessoas informação de proximidade com um grau de rigor e de fidelidade à realidade objetiva dos factos e das intenções que mais nenhuma forma de comunicação, digital ou analógica, consegue proporcionar.O jornal A Guarda tem honrado esta capacidade, esta responsabilidade que pesa nos ombros da comunicação social local. Parabéns por isso – e desejos de longa vida!Carlos Chaves MonteiroPresidente da Câmara Municipal da Guarda