Patrono da Biblioteca Escolar do Bonfim


O historiador Adriano Vasco Rodrigues, que dá o nome à Biblioteca da Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Bonfim, na cidade da Guarda, defende o reforço da leitura junto das crianças e dos jovens, numa altura em que os equipamentos electrónicos substituem cada vez mais os livros e os momentos de leitura.
“Eu acho que devíamos, cada vez mais, procurar a leitura por parte dos alunos, porque estão a circunscrever-se a uma parte mecânica que retira o prazer da leitura. Devíamos iniciar os alunos muito mais, quer com jornais escolares e com concursos escolares, quer proporcionado leituras agradáveis”, disse o responsável ao Jornal A Guarda. Em sua opinião, em Portugal, “a leitura tem que ser reforçada porque senão acontece o mesmo que já se verifica com a Tabuada, que deixaram de a ensinar e os jovens não a sabem”.
Adriano Vasco Rodrigues lembrou que defende, há vários anos, sem que seja ouvido, que os professores “que deixam de ter alunos nas Escolas Primárias deviam ser aproveitados para fazer a educação do povo”. Lembrou que a 1.ª República teve o mérito de ter investido na educação e de ter sido a única instituição no Mundo que deu ao Mestre de Escola o título de Professor. Ora, com recurso aos professores que ficam sem alunos e que deixam de dar aulas, devido ao encerramento das escolas, o historiador considera que “podia ser revitalizada a cultura e criados instrumentos de animação cultural nas aldeias”, sendo certo que as crianças acompanhavam os pais nessas actividades.
Adriano Vasco Rodrigues, com uma vasta obra publicada, repartida pelos campos da História e da Arqueologia, que é o patrono da Biblioteca da Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Bonfim, inaugurada no ano lectivo de 2003/2004, referiu ao Jornal A Guarda que a decisão foi para si “uma honra muito grande”. O historiador, que se reformou como director da Escola Europeia de Mool, na Bélgica, cargo que ocupou entre 1988 e 1996, e que ao longo da sua carreira leccionou em três graus de ensino, contou que o início da sua carreira foi justamente como Professor do Ensino Primário. “O meu grande orgulho foi ter sido Professor do Ensino Primário, porque foi a partir daí que fiz toda a minha carreira”, declarou. Quando o seu nome foi atribuído àquela Biblioteca Escolar, lembra que procurou “arranjar o maior número de livros para a Escola do Bonfim e lá estão depositados, o que considero uma honra”.