Sérgio Costa – Presidente da Câmara Municipal da Guarda


A GUARDA: A Guarda vai celebrar o 823º aniversário no dia 27 de Setembro. É uma grande responsabilidade ser presidente de uma cidade com mais de 800 anos?

Sérgio Costa: Claro que sim. Esta nossa cidade faz, em 2022, 823 anos. É com sentido de responsabilidade que assumo esta missão. A Guarda é sede de distrito e sede da Comunidade das Beiras e Serra da Estrela e isso aumenta ainda mais essa responsabilidade.
É com grato prazer, com grande orgulho que sou Presidente da Câmara Municipal da Guarda e que tudo farei para honrar a palavra que dei aos guardenses. É para isso que continuo a trabalhar todos os dias, sete dias por semana, eu e as senhoras vereadoras, para irmos de encontro às pretensões e toda a nossa população e, naturalmente, cumprindo o programa eleitoral com que nos propusemos.

A GUARDA: O que é que a Câmara preparou para o programa das comemorações do Dia da Cidade?
Sérgio Costa: Há algumas inovações que fizemos no tradicional programa das comemorações do aniversário da nossa cidade e o tema também é um pouco diferente do que tem sido habitual.
Começando pelo tema: vamos dedicar este aniversário à inauguração de espaços empresariais para além das tradicionais homenagens. Vamos inaugurar o espaço tecnológico do Centro Histórico, na Rua General Póvoas, onde já temos três empresas a trabalhar. Há um ano atrás este espaço não existia. Adquirimos o edifício e há empresas que vieram trabalhar para a Guarda com os seus recursos humanos e aqui se instalaram.
É com muito gosto que vamos entregar este novo espaço para que a cidade perceba onde é que está a ser gasto o dinheiro do nosso orçamento.
Vamos inaugurar também as instalações da empresa Remarkable do grupo ACI na Plataforma logística. Ajudámos a fazer o caminho desta empresa que já está com alguns postos de trabalho criados.
Na mesma tarde, vamos assinar as escrituras públicas para a alienação de dois grandes lotes na Plataforma Logística com duas empresas espanholas. São aquelas empresas da indústria cervejeira com as quais, há cerca de meio ano atrás, foram assinados os contractos de promessa de compra e venda. Agora vamos assinar as escrituras dando seguimento ao processo que a empresa está a fazer para se poder implantar aqui na Guarda nos próximos anos, com a criação de mais de 70 postos de trabalho.
Vamos fazer também as justas homenagens a alguns homens e a uma instituição que dizem muito a esta terra. Começando com Dom Martinho Pais, vamos descerrar uma placa toponímica alusiva ao primeiro Bispo da Guarda. A antiga Estrada Nacional 18, do troço limite da freguesia da Guarda com a Rotunda do G, será a Avenida Dom Martinho Pais.
Vamos descerrar uma placa toponímia de homenagem a título póstumo a Tiago Gonçalves, uma pessoa que bem conhecemos desaparecida há cerca de um ano e meio atrás. Assim a actual estrada da Pocariça vai passar a designar-se Rua Tiago Gonçalves.
Também será descerrada uma placa toponímia de homenagem a Laurindo Prata. O jardim que foi construído na Rua Vergílio Ferreira, paredes meias entre a Póvoa do Mileu e o Bairro da Luz, é ali que vamos colocar esta placa.
Na sessão solene vamos homenagear o saudoso cónego Manuel Geada. Sabemos bem o percurso que ele fez no Outeiro de São Miguel, na obra do Outeiro de São Miguel e na Liga dos Servos de Jesus, o quanto ele trabalhou e dedicou a sua vida a tudo isso.
Valos homenagear também o senhor Padre Virgílio Mendes Ardérius, com todo o trabalho que ele fez e que nós reconhecemos na Fundação Frei Pedro. Toda a sua vida foi dedicada à causa social e à causa da comunicação.
Vamos homenagear o Coronel Cunha Rasteiro, que está nas funções de Comandante Distrital da Guarda Nacional Republicana e ao serviço da região da Guarda há mais de trinta anos.
Homenageamos também a Fundação José Carlos Godinho de Almeida que tem trabalhado muito para a causa social na nossa cidade.
A título póstumo vamos homenagear também Laurindo Prata, na sessão solene.
Há outros momentos que vão marcar as comemorações, nomeadamente a homenagem a título póstumo, que vamos fazer a João Mendes Rosa, no dia 24 de Novembro. Foi o mentor do SIAC – Simpósio Internacional de Arte Contemporânea, há alguns anos atrás. Vamos dar o nome João Mendes Rosa a uma das salas de exposição do Museu da Guarda.
Teremos o concurso da Bola Parda. Queremos reavivar as memórias, as tradições e os bons costumes da nossa terra, do nosso concelho para que as novas gerações continuem a perceber e a gostar daquilo que é a nossa Bola Parda.
No dia da cidade, iremos colocar uma coroa de flores e fazer uma guarda de honra à estátua do Rei D. Sancho, na Praça Velha, pela primeira vez, pelo Regimento de Infantaria 14 de Viseu. D. Sancho é o responsável por nós estarmos a comemorar 823 anos.
No hastear da bandeira, pela primeira vez também, para além das corporações de bombeiros voluntários da Guarda, Gonçalo e Famalicão, e da Banda Filarmónica de Famalicão da Serra, estarão presentes os agrupamentos de escuteiros da Guarda e uma guarda de honra formada pela Guarda Nacional Republicana. A PSP também se irá associar pela demonstração de meios junto ao Jardim José de Lemos. Na exposição de meios estarão presentes as várias forças militares, da GNR, da PSP, o Regimento de Infantaria 14, as corporações de bombeiros, a Cruz Vermelha e os Agrupamentos de Escuteiros.
Será uma inovação, que nós quisemos fazer nos 823 anos, com a associação das forças militares e policiais adstritas ao nosso território, para além dos nossos bombeiros, escuteiros e Cruz Vermelha, para que possamos perceber o que é que eles vão fazendo ao longo do ano.
Por último, falar da Invernal de BTT que terá a sua partida, logo cedo, no dia 27 de Novembro, e que terá o número record de participantes. Este ano conseguimos que o número de participantes da Invernal de BTT chegasse já próximo das oitocentas pessoas. É este o número de pessoas com que vamos fazer a Invernal de BTT este ano. É um número muito encorajador, porque quer dizer que fizemos o caminho certo, ao longo do último ano. Mais do que triplicámos o número de inscritos, sempre com a estreita parceria do Clube de Montanhismo da Guarda. É uma aposta verdadeiramente ganha.

A GUARDA: É preciso correr muito para governar este concelho?

Sérgio Costa: É! Há uma expressão que diz que quem corre sempre alcança. Eu sempre gostei muito de correr! Já pratiquei atletismo no Desporto Escolar, na Escola Secundária onde estudei. Sempre me habituei a correr.
Agora correr, sob o ponto de vista político, é um desafio pois o concelho da Guarda é muito grande. O concelho da Guarda com as suas 43 freguesias, os seus cerca de 150 aglomerados populacionais, é muito grande. Está entre os dez maiores concelhos do país. É preciso correr, é preciso andar. Para mais nós somos apenas três vereadores com pelouros no executivo. É o Presidente e as duas vereadoras: a Doutora Amélia Fernandes e a Doutora Diana Monteiro. Corremos os três muito, com a prestimosa ajuda do Doutor José Relva, Presidente da Assembleia Municipal, que muito nos ajuda na nossa acção governativa a resolver muitos problemas nesta Câmara. Problemas Jurídico Legais, burocráticos com dezenas de anos.
Foi assim que nós nos predispusemos a governar, foi assim que nos apresentámos à população da Guarda. A população da Guarda foi soberana, o povo é sempre soberano. Decidiu o que decidiu! Decidiu entregar-nos apenas três mandatos e nós vamos continuar a fazer o melhor que conseguimos e que podemos para irmos de encontro às suas pretensões e cumprirmos aquilo que nos predispusemos que foi o nosso programa eleitoral, que foi sufragado pelos guardenses.

A GUARDA: O Hotel de Turismo continua a fazer muita falta?

Sérgio Costa: O Hotel de Turismo é imprescindível. Esperemos que possa abrir na vigência do nosso mandato. Mas sabemos que isso não depende só de nós. Neste ponto temos feito um diálogo franco e aberto com a tutela governamental do turismo, para que o Hotel de Turismo possa ser entregue a uma empresa e possa ser feita obra e possa reabrir no mais curto espaço de tempo, como hotel. São necessárias camas na nossa cidade.
Mas a Guarda é a ponte entre a Serra da Estrela é o Planalto Beirão. Nós temos muito de Planalto Beirão e a nossa história diz muito sobre tudo isso.
Damos muito apoio às regiões de vinho que nos vão circundando, com aquela aposta forte que nós temos do Guarda Wine Fest, com os eventos que estamos a calendarizar para que possamos ter, ao longo do ano, vários eventos marcantes, marcantes a nível nacional, para que nos possam visitar.
Temos de apostar muito na visitação das pessoas, muito na aposta turística, para podermos encher as nossas unidades hoteleiras e os nossos restaurantes também, os que existem hoje e os que possam surgir no amanhã.
Queremos dar as condições para que depois os empresários possam fazer os seus investimentos.
Esta é apenas uma vertente do nosso desenvolvimento, o turismo. Temos a vertente económica com as empresas que temos anunciado ao longo do último ano e não estamos em ano de eleições. Em ano de eleições é habitual fazer-se o anúncio de postos de trabalho e depois ninguém os vê. Foi aquilo que aconteceu na última campanha eleitoral.
Ao longo de um ano já conseguimos consubstanciar esta grande aposta nos postos de trabalho. Já estão aqui algumas centenas de pessoas a trabalhar e outras, se Deus quiser, o irão fazer ao longo do próximo ano.
A Guarda tem de apostar nos trilhos e percursos pedestres
que temos espalhados por todo o concelho
A GUARDA: Podemos dizer que a Guarda é uma cidade de montanha e de turismo?

Sérgio Costa: A Guarda tem de se afirmar verdadeiramente de algumas formas. A Guarda é o concelho do Parque Natural da Serra da Estrela que mais área tem no Parque Natural da Serra da Estrela. A Guarda é Serra da Estrela, a Serra da Estrela é Guarda. Duma vez por todas é esta associação que tem de ser feita. Por isso é que nós, na promoção dos Passadiços do Mondego, fizemos questão de dizer: passadiços do Mondego na Serra da Estrela, na Guarda. Esta associação de ideias trespassou por completo não só no país, mas em Espanha e na Europa.
A Guarda tem de se afirmar como sendo um concelho de uma forte atracção turística, por via da Serra da Estrela ou dos Passadiços do Mondego, que terão uma grande palavra a dizer. Os números das pessoas que passaram pelos Passadiços do Mondego, na primeira semana, são muito encorajadores e muito surpreendentes.
A Guarda tem de apostar nos trilhos e percursos pedestres que temos espalhados por todo o concelho, com paisagens completamente diversificadas, desde a Serra da Estrela à zona nascente do concelho.
A Guarda assume-se como mais uma porta para a Serra da Estrela. É por isso que nós dizemos que as pessoas vão passar a ver a Serra da Estrela como nunca antes a viram. É verdade e aqueles passadiços do Mondego isso dizem.
Todos os outros percursos têm de ser feitos. Os trilhos do Noemi que foram abandonados como nós sabemos. Primeiro queremos terminar e estabilizar a obra dos Passadiços do Mondego. A seguir teremos de fazer também a reabilitação e a divulgação dos trilhos do Noemi. Há muitos outros trilhos que nós queremos continuar a fazer e projectar para o futuro.
Roma e Pavia não se fizeram num dia e nós não vamos conseguir fazer tudo num ano: nem num ano, nem em dois, nem em três, nem em quatro.
Tudo isto é um caminho que vai paulatinamente ser programado e ser feito, para que a Guarda se afirme muito sob o ponto de vista do turismo de natureza e as pessoas aqui possam pernoitar. Por isso é que nós precisamos de mais camas, na cidade e no concelho.

A GUARDA: Num concelho virado para o turismo de ambiente qual o papel da água em tudo este processo?

Sérgio Costa: Sabemos bem o que foi o flagelo dos incêndios. Toda a gente ouviu no País e no Estrangeiro, a postura que eu tive de adoptar para proteger e defender as minhas gentes.
Também falei recentemente sobre a necessidade de aumentar as reservas de água no Parque Natural da Serra da Estrela.
Já está marcada uma reunião, pedida por mim, com os autarcas do parque Natural da Serra da Estrela e com as tutelas governamentais e os serviços desconcentrados do Estado necessários, para reiniciarmos, no âmbito do Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, este processo conducente para aumentarmos as reservas de água. É uma coisa que não se faz num ano, nem em dois, nem em três.
Neste ponto basta apenas irmos rebuscar aquilo que os antigos souberam bem-fazer, os estudos. Eu defendi em primeira instância a Barragem da Cabeça Alta, em Celorico da Beira. Porquê em Celorico da Beira aquela Barragem? Porque actualmente é a Barragem do Caldeirão que serve para abastecimento de grande parte do concelho de Celorico da Beira e de Fornos de Algodres, por via das descargas que têm de ser feitas no rio Mondego. Cada vez que tem de ser feita uma descarga, a Barragem do Caldeirão desce dois a três metros e no pico do Verão aconteceu o que aconteceu. Por isso é que nós defendemos a construção dessa barragem.
O meu colega da Covilhã também tem a pretensão de fazer lá uma barragem que já estava prevista há muitos anos.
Mas nós também temos outra pretensão, que é a velha aspiração de construir a Barragem da Senhora da Assedasse. Essa barragem, paredes meias entre o concelho da Guarda e o concelho de Gouveia, é fundamental para assegurar o abastecimento de água à nossa cidade e até a produção eléctrica. A Guarda não abastece só a Guarda! Para além do concelho, em cerda de 95%, a Guarda abastece Celorico da Beira directamente e a zona sul do concelho de Pinhel. É bom que nós tenhamos
esta noção. Temos de salvaguardar tudo isto.
É esta força política que nós queremos fazer em conjunto, de braço dado com o Estado Central para que se inicie este trabalho conducente à possível construção, no futuro, destas represas de água. A água é fonte de vida e precisamos dela para viver. É por tudo isto que nós temos de lutar.

A GUARDA: E a zona nascente do concelho que continua a ver passar a água no Inverno e a viver meses de seca no Verão?

Sérgio Costa: No final do ano de 2021 decorreu uma discussão pública sobre novos regadios, novas barragens de regadio no País. Foi lançado pelo Ministério da Agricultura e a Câmara da Guarda fez o trabalho de casa. Nós fizemos o estudo em pouco tempo, o estudo prévio onde sinalizamos várias barragens com vista ao regadio. Mas se dá para o regadio também dá para outras necessidades. Dá para o combate aos incêndios e até, no limite, para abastecimento de água se houver alguma necessidade nesse sentido.
Nesse estudo incluímos a barragem do Luzelo e outra próxima desta barragem numa ribeira adjacente. Incluímos barragens na ribeira do Massueime e mais duas na ribeira das Cabras.
Fomos repescar projectos antigos. Fizemos os estudos hidráulicos necessários.
Apresentámos também a necessidade do alargamento do regadio da Cova da Beira à zona Sul do nosso concelho, como sendo à Benespera, à Vela, a Gonçalo e a Valhelhas, tal como a criação de um regadio no Vale do Mondego. E a Barragem da Senhora de Assedasse já daria também para reforçar este regadio no Vale do Mondego. Colocámos tudo isto nesse estudo prévio.
Desta forma nós conseguiríamos abranger praticamente todo o concelho.
Sabemos que não se consegue fazer tudo mas queremos que haja decisões do Estado Central perante o estudo que nós fomos fazendo. É fundamental continuarmos a salvaguardar a água para a nossa agricultura, para embeberar os animais e para a vida humana.

A GUARDA: Olhemos agora para o centro da cidade onde a Câmara tem vários imóveis. Para quando o início das obras nas casas da Praça Velha?

Sérgio Costa: Estamos a projectar o futuro. Quando tivermos os projectos no ponto certo faremos a apresentação à população da Guarda. Temos os imóveis da Praça Velha mas também adquirimos, recentemente, o antigo “Teatrinho dos Bombeiros”, onde foi a Igreja de Santa Maria do Mercado, na Rua Augusto Gil, bem como outros imóveis.
Estamos a trabalhar para ajudarmos a reabilitar o centro histórico e dar condições de atracção de pessoas ao centro histórico, seja sob o ponto de vista dos equipamentos ou habitação. É nisso que estamos a trabalhar de uma forma incessante para que no futuro próximo seja possível.

A GUARDA: Este ano o rei D. Sancho vai ser lembrado no Dia da Cidade. Como é que D. Sancho olharia, nos dias de hoje, para a cidade da Guarda?

Sérgio Costa: Bom, penso que continuaria ser um desafio. Ele foi o nosso povoador. Passados 823 anos, a Guarda precisa de ser repovoada, mas não só a Guarda, infelizmente, de Bragança a Beja temos este problema.
Estamos a perder população como sabemos. Nos últimos vinte anos teremos perdido qualquer coisa como seis, sete mil pessoas. É claro que temos de estar preocupados. Perdemos seis, sete mil pessoas e a população que nós temos é cada vez mais idosa.
Há necessidade de repovoar. Seria certamente um desafio, para o Rei D. Sancho, encontrar formas de repovoar o território.
Mas o repovoar o território não pode estar apenas e tão só dependente das autarquias e das câmaras municipais. O que pode vir a acontecer e já está a acontecer é o canibalismo entre câmaras vizinhas. É o canibalismo demográfico, chamemos-lhe assim. É preciso muito mais do que isso e o Estado Central tem aqui um papel muito forte. Quando digo o Estado Central não é só de agora, desde há vários anos, os anteriores, os actuais, os que vierem a seguir têm muito essa responsabilidade para criarem as medidas certas e adequadas para que as pessoas se fixem fora dos grandes centros. Caso contrário, o Estado Central vai continuar a gastar dinheiro nos grandes centros, em Lisboa e no Porto e já podemos falar em outros locais como Braga, Aveiro, Leiria, Setúbal, Algarve.
Mas se nós, nesta zona raiana do País, neste litoral transfronteiriço, como alguém diria, já temos cá as condições todas, só nos faltam as pessoas. Venham para cá as pessoas e haja condições para que elas se possam fixar com medidas fortes e de coesão territorial que o Estado Central tem de adoptar.

A GUARDA: Para conseguir esse povoamento, quais as medidas que considera mais urgentes?

Sérgio Costa: Há várias medidas, mas sob o ponto de vista da economia é fundamental, a economia dos impostos. Eu já fui falando sobre isso ao longo do último ano. Falei dos custos do trabalho que as empresas têm de suportar, as taxas da segurança social, ao nível do IRC… Podem-me dizer que não é constitucional! Então altere-se a constituição… Não vamos ter agora uma revisão da Constituição Portuguesa? Então faça-se a revisão da Constituição mas que não seja só a revisão da Constituição para nos distrairmos com esse assunto enquanto outras coisas andam à deriva.
Aproveitemos a revisão da Constituição Portuguesa para alterarmos precisamente este paradigma. Esta Constituição quando foi feita, o paradigma do País era outro. O País estava equilibrado, no pós 25 de Abril, em termos demográficos.
Ao longo dos últimos 50 anos desequilibrou-se completamente. Então se a nossa Constituição é muito importante sob o ponto de vista da democracia, mas sob o ponto de vista da economia e da coesão territorial não é nada equilibrada. É uma boa oportunidade para que isso seja feito.
Nós, como município, continuamos a trabalhar também, e temos esse assunto em mãos, para conseguirmos atrair cada vez mais empresas e mais pessoas para a Guarda. Nós estamos a fazer esse caminho, como outros autarcas estão a fazer. Reconheço que não é fácil mas não baixamos os braços.

A GUARDA: Mas isso também implica bons serviços de saúde e não só?
Sérgio Costa: Ao nível da saúde nós temos de ter as melhores condições no nosso Hospital para que as pessoas se possam aqui fixar. Ninguém vem para uma terra como a nossa se não tiver a garantia que os cuidados de saúde são bem prestados. Por isso é que nós temos falado no caso da obstetrícia, da maternidade, mas se tivermos de falar, no futuro, de outras especialidades também o faremos.
Queremos que haja condições físicas e de recursos humanos adequados no nosso Hospital. Lutaremos sempre por isso.
Sob o ponto de vista da cultura, a Câmara da Guarda tem dos maiores investimentos da região centro. Se devemos melhorar, sim, devemos melhorar. Temos de melhorar a programação, a oferta cultural.
Temos de continuar a apoiar, mais ainda, alguns projectos culturais do nosso concelho, fazer cultura com os de cá. Com mais alguns apoios podem aumentar a oferta cultural que nós temos. São estes desafios que nos andam a ser lançados. Temos de olhar muito para isso.
Ao nível desportivo é também muito importante reabilitar as nossas infra-estruturas desportivas. Temos que aumentar a capacidade instalada. Por isso é que nós temos no programa a construção de campos sintéticos e mais um pavilhão e a ambição da nossa cidade desportiva, para com tudo isto atrairmos pessoas para a nossa terra.
As pessoas procuram qualidade de vida e cada vez mais, com o trabalho à distância, isso é fundamental.

A GUARDA: Gostava de inaugurar alguma obra especial no Dia da Cidade?
Sérgio Costa: Repare, nós poderíamos ter inaugurado os Passadiços do Mondego, no dia da cidade, e fizemos questão de não o fazer. Os Passadiços do Mondego tinham de ser inaugurados da forma que foram inaugurados. Um dia absolutamente dedicado aos Passadiços dos Mondego. Afinal de contas, foi a obra que mais dinheiro custou à Câmara Municipal nas últimas dezenas de anos. Estamos a caminhar para os quatro milhões de euros. É isso que nos irá custar toda a obra assim que estiverem todos os pormenores concluídos.
Os Passadiços do Mondego são uma prenda do mês do Dia da Cidade, se quisermos. Tinha de ser feita toda aquela promoção, aquele investimento, naquele plano de comunicação que foi desenvolvido.
Mas aquilo que nós vamos inaugurar este ano é em modus operandi diferente. Vamos inaugurar instalações viradas para a economia. Para o espaço tecnológico do Centro Histórico tivemos de adquirir o edifício, tivemos de fazer investimento para colocarmos lá as empresas a trabalhar.
Agora, se eu pudesse inaugurar já, neste dia da cidade, a ‘Variante da Ti Jaquina’, gostava de a inaugurar. Mas é preciso fazer o seu caminho. É uma obra estruturante, muito importante para a nossa cidade e continuaremos a lutar por ela.