Entrevista: João Vaz, Presidente da Concelhia da Guarda da Juventude Socialista

João Vaz é o novo Presidente da Concelhia da Guarda da Juventude Socialista. É natural da Guarda onde fez toda a escolaridade obrigatória, concluindo o Secundário na Escola Secundária da Sé. Terminou a Licenciatura em Administração Pública na Universidade do Minho (Braga) em Julho de 2020. Actualmente trabalha na ADM Estrela como Técnico Administrativo de Recursos Humanos.Dedica maior parte do tempo livre à família, amigos e à política. Quando está sozinho gosta de ver filmes e ouvir podcasts.
A GUARDA: O que é que o levou a candidatar-se Presidente da Concelhia da Guarda da Juventude Socialista? 
João Vaz: Depois de 4 anos a militar na Juventude Socialista entendi que era o momento certo para assumir este papel. A conjugação do que aprendi com o meu envolvimento na JS nos últimos anos, a minha experiência associativa, a motivação e amizade dos novos militantes, o facto de agora residir e trabalhar na Guarda e de o Presidente cessante não se querer recandidatar, resultou na convicção de que reunia todas as condições para avançar com a candidatura. A GUARDA: Quais os critérios que teve em conta na constituição da equipa que o acompanha? Que é que faz parte da equipa?
João Vaz: Podendo escolher incluir entre 5 a 9 elementos na minha equipa, foi fácil para mim optar pelo número máximo de elementos. Primeiro, porque existem na nossa estrutura vários militantes capazes e com vontade de trabalhar em prol da Guarda, depois, porque possibilita que desenvolvamos mais trabalho e com melhor qualidade. Escolhi também uma equipa muito jovem, com idades entre os 17 e os 24, de forma a promover uma nova vitalidade à Concelhia e garantir a sua continuidade. É importante também notar que nesta equipa encontramos não só residentes da Guarda, como também de algumas freguesias rurais, como é o caso de Maçainhas, Vale de Estrela e Aldeia Viçosa, possibilitando perspectivas e o retracto de diferentes realidades. Fazem, assim, parte do Secretariado da Concelhia: João Vaz (Presidente), Diogo Proença (Vice-Presidente), Ana Pereira (Vice-Presidente), Manuel Henrique, Mariana Henrique, Beatriz Cagigal, Gonçalo Marques, Francisca Reis e Inês Dias.
A GUARDA: Quais os projectos que pretende levar a cabo enquanto Presidente da Concelhia da Guarda da Juventude Socialista? 
João Vaz: Este mandato vai ser sustentado em três grandes eixos: A reversão da tendência de perda de militantes; O contributo para a formação dos jovens; e o reafirmar do papel dos jovens na sociedade. Temos assistido a um decréscimo sucessivo do número de militantes na estrutura. Este fenómeno é justificado por várias razões: O facto do PS não ser poder ao nível autárquico, a actividade reduzida da estrutura nos últimos anos e a própria redução populacional. Ainda que de forma informal, o actual secretariado já vem trabalhando com o secretariado cessante durante o ano de 2021, no sentido de atingir a meta a que nos propomos anualmente: conseguir a entrada do dobro dos militantes, do que aqueles que saem (por atingir os 30 anos). Durante este ano civil já entraram mais de 15 novos militantes e prevemos que até ao fim do ano a marca ultrapasse os 20, números que já não se viam desde 2016. Entendemos também que é importante termos entre os nosso militantes jovens com realidades e perspectivas variadas e é, por isso, que estabelecemos como objectivo, até ao fim do mandato, ter militantes em pelo menos um quarto das freguesias do concelho. Ao nível da formação, entendemos que devemos ter um papel importante no que toca a criar oportunidades de formação, debate e partilha de conhecimentos, não só ao nível ideológico e histórico, mas também ao nível do funcionamento dos órgãos de poder local, central e europeu, da comunicação política e dos assuntos relevantes da actualidade. A formação e a capacitação dos jovens são um importante primeiro passo para a sua reafirmação na sociedade, possibilitante uma participação mais capacitada e confiante nos órgãos autárquicos, nas organizações e comunidades das quais fazem parte ou mesmo no diálogo com os que o rodeiam. A Estrutura procurará também, sempre que entender que faça sentido, emitir comunicados ou fazer pedidos de esclarecimento ao nível das matérias que considere relevantes e estruturantes para a juventude, para a região ou para o país.
A GUARDA: Quantos militantes integram a Concelhia da Guarda da Juventude Socialista? 
João Vaz: Actualmente a Concelhia da Guarda da Juventude Socialista tem 91 militantes e continua a ganhar novos militantes todos os meses. 
A GUARDA: É difícil cativar os jovens para a política? 
João Vaz: Bem, essa é uma questão ambígua. Sou completamente adverso à perspectiva generalizada de que hoje em dia os jovens não querem saber de nada além dos seus telemóveis. Se olharmos à nossa volta, o movimento associativo na Guarda tem ganho uma nova força. Vimos nos últimos anos o aparecimento de algumas associações juvenis que estão a ganhar destaque entre os jovens, as Associações de Estudantes das Escolas Secundárias estão a formalizar-se, a Associação Académica da Guarda e os Núcleos do IPG estão mais activos e vemos também movimentos informais que se juntam à volta de causas como o ambiente e a protecção animal. Mas se é fácil fazer os jovens interessarem-se e envolverem-se em causas, tem-se revelado cada vez mais difícil atrais jovens para a política partidária. A classe política está desacreditada, os dois grandes partidos políticos portugueses estão desgastados após anos de alternância no poder e os partidos mais pequenos tem perdido espaço em relação aos partidos populistas e utópicos que agora aparecem. Ao nível autárquico temos visto por todo o país o crescimento dos movimentos “independentes”, sem valores claros, sem responsabilização histórica, sem identidade e sem compromisso, tornando-se muito mais apelativos à participação dos indivíduos e, por consequência, os jovens.  
A GUARDA: As legislativas antecipadas aprecem como o primeiro desafio. Qual vai ser o envolvimento da Concelhia da Guarda da Juventude Socialista neste processo?
João Vaz: As eleições antecipadas apanharam todos de surpresa. O previsto era enfrentar este desafio no fim do mandato, com uma equipa já num estado mais consolidado e mais maduro, tanto na concelhia como na distrital. Ainda assim, esta equipa vem com um bom balanço das autárquicas onde já mostrou a sua disponibilidade, capacidade e vontade em trabalhar com os vários órgãos do Partido e da Juventude Socialista. Há que ter em consideração que, numas eleições com este cariz, na minha opinião, as estruturas concelhias não devem assumir um papel de destaque, mas sim adoptar uma postura de colaboração com as dinâmicas impostas pela Federação Distrital, actuando, de acordo com estas orientações, em proximidade junto da população do nosso concelho.
A GUARDA: António Costa continua a ser um bom candidato a Primeiro Ministro?João Vaz: O António Costa continua a ser um bom candidato, tal como continuaria, se assim lhe tivesse sido permitido, a ser um bom Primeiro-Ministro. Naturalmente, que os mandato e meio do nosso Primeiro-Ministro não foram perfeitos. Só se pode criticar quem faz e o actual Governo fez muito pelo nosso país. Não nos podemos esquecer que o mandato que agora vai terminar foi um dos mais desafiantes da nossa democracia. Entre a Presidência do Conselho da União Europeia, o combate à pandemia do Covid-19 e os esforços feitos no sentido de minimizar a crise económica e social que resultará desta pandemia, foi um mandato extremamente trabalhoso e onde, na minha opinião, o governo superou o que podia ser esperado. Infelizmente, o desejo de holofote do senhor Presidente da República e a irresponsabilidade dos partidos à esquerda do PS, promoveram aquela que pode ser uma crise política com graves consequências para o nosso país. A previsão é de uma configuração parlamentar sem alterações significativas, mantendo a crise orçamental. Existe ainda a preocupação de que a falta de entendimento à esquerda e as guerras internas nos principais partidos da direita, promovam um crescimento, na Assembleia da República, de partidos populistas como o Chega. A única esperança de estabilidade, de recuperação económica, de reforço social, a única saída para esta crise é a maioria absoluta do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas.
A GUARDA: O que é que a Guarda pode ganhar com a reeleição de António Costa?
João Vaz: Há projectos claros do Governo de António Costa que beneficiam a Guarda. Foi garantido, pelo Governo, que o primeiro Porto Seco do país seria na Guarda, e que existe uma grande vontade de concretizar este projecto, de grande relevância económica para o concelho, com brevidade. Ao nível da Saúde, é compromisso do nosso Primeiro-Ministro a concretização da 2ª fase de requalificação do Hospital, tendo já começado pelo lançamento do concurso para a requalificação do Pavilhão 5. É também de aplaudir a deslocalização da Secretaria de Estado da Acção Social para a cidade da Guarda, possibilitando um contacto mais próximo e um trabalho com uma perspectiva mais realista sobre as necessidades da população e neste caso, a população da Guarda. É no interior e também na Guarda, onde encontramos a população mais vulnerável socialmente e também onde encontramos uma das médias de remuneração mensal mais baixas do país, é, por isso, extremamente relevante para os cidadãos da Guarda os sucessivos aumentos do salário mínimo nacional. Vários outros projectos do Governo poderão ser implementados na Guarda, para isso, é necessário que o Partido Socialista continue a governar.