|
Na semana dos Seminários
“A nossa diocese, graças aos esforços do Bispo D. Nuno Noronha, foi das primeiras de Portugal a levantar o seu seminário”. Remonta aos finais do Concílio de Trento a instituição dos Seminário, precisamente no ano de 1563. Não que até aí não se formasse o clero. Existiam as escolas claustrais em grande parte das dioceses e até em inúmeros mosteiros e conventos, mas cada bispo ou abade agiam, segundo critérios próprios. Havia regiões com maior ou menor preparação e surgiam, aqui e além, sacerdotes muito letrados e sabedores não apenas nas ciências profanas mas sobretudo nas matérias sagradas. Universidades surgidas, séculos antes, sob a tutela da Igreja, eram frequentadas por muitos jovens devotados às causas eclesiais. Claro que, nesses tempos da Idade Média, quando estabelecimentos de ensino não abundavam, só estudava quem era rico ou quem conseguisse um patrono. Daqui, a divisão entre baixo e alto clero. Em Trento, apareceu a regra fundamental para as escolas que preparariam os sacerdotes: “Deveriam oferecer uma educação religiosa sobre a Sagrada Escritura, sobre os Escritos dos Santos Padres, sobre a vida dos santos e sobre tudo o que é necessário para administrar bem os sacramentos e particularmente o da Penitência e ainda uma educação moral que os qualificará para a sua grande missão”. Estes cursos, mesmo depois de Trento, até ao século XVII, eram dados em poucos meses, no tempo suficiente para se apreenderem os temas indispensáveis da teologia, sobretudo de moral, e as regras das cerimónias litúrgicas. Aperfeiçoaram-se, no decorrer dos anos, os conhecimentos de várias matérias, até porque os crentes exigiam aos seus sacerdotes mais cultura e entendimento das disciplinas santas. Hoje, “o Seminário constitui no coração da Igreja o retomar constante da experiência pedagógica e espiritual da viagem vocacional e da aprendizagem da missão e do carisma do discípulo para que aí, pela oração, pela contemplação, pelo estudo e pela vida comunitária, se preparem apóstolos e pastores segundo o coração de Cristo” – como diz a Mensagem do Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Seminários. A nossa diocese, graças aos esforços do Bispo D. Nuno Noronha, foi das primeiras de Portugal a levantar o seu seminário. Desde então até hoje, mesmo nas horas difíceis de uma certa perseguição contra as instituições eclesiásticas, soube, com dificuldades, sim, mas com galhardia e amor, ajudar as casas de formação do seu clero e manifestar-lhe uma solidariedade nunca desmentida e uma ternura efectiva sempre operante. Nesta hora de crise de vocações que afecta quase todo o Velho Continente, a palavra do nosso Pastor terá de ser escutada e posta no coração depois de reflectida: “A todos convido para fazerem oração por esta intenção, mas também a dirigirem, em tempo oportuno, o convite directo àqueles que parecem reunir condições e fazer o seu encaminhamento para algum dos nossos Seminários ou Pré-Seminário”. Sob o lema “quem semeia com generosidade assim colherá” apontado para a semana dos Seminários, neste ano, teremos de atender ao problema da generosidade, pois conforme a dimensão da sementeira assim se espera o fruto, e ao compromisso empenhante de trabalharmos para que a mensagem se dilate e chegue ao íntimo de quantos o Senhor destinou para as tarefas apostólicas. Não bastará ser generosos nas nossas dádivas materiais, urgente se torna proclamar o anúncio e o convite de Deus.
|