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Carlos Nunes, responsável pela Delegação da Guarda da Globally International Consulting “A PLIE não só é importante como fundamental para o desenvolvimento da Guarda”
José Carlos Carreira Nunes, licenciado em Gestão de Empresas e mestre em Comércio Internacional é o responsável, na Guarda, pela Globally International Consulting. A empresa que presta consultadoria aos empresários que pretendem internacionalizar-se instalou-se na Guarda em Outubro de 2007.
A Guarda: Quem é Carlos Nunes?
Carlos Nunes: Um Egitaniense que vive em Madrid há 13 anos e que procura viver a vida sempre de uma forma positiva.
A Guarda: Que ligação tem à Guarda?
Carlos Nunes: Sou natural da cidade. Aqui vivi e estudei até aos 17 anos, altura em que rumei a Lisboa e posteriormente Madrid, contudo sempre continuei relacionado com a Guarda através de laços familiares e de amizade. Agora regresso através de um projecto empresarial o que me leva a viver entre a Guarda e Madrid.
A Guarda: Qual a sua ocupação profissional?
Carlos Nunes: Dedico-me à Gestão de Empresas e à consultoria em Comércio Internacional, e neste momento de corpo e alma na implementação do projecto Globally.
A Guarda: Como surgiu a sua ligação à empresa de Consultadoria Globally?
Carlos Nunes: Desde o início, por me identificar com as ideias, os valores e a missão deste projecto. Globally nasceu do encontro de ideias entre colegas, com formação em Comércio Internacional, da Universidade Pontifícia de Madrid. Decidimos criar um projecto, numa primeira fase de carácter Ibérico e, posteriormente Global, dai o nome dado à consultora. Entendemos que neste momento não se discute se deve ou não haver Globalização. Já é uma realidade sem retorno. O que pode haver são diferentes concepções de Globalização. A nossa é a de querer contribuir para um desenvolvimento sustentável das economias, através de valores como a Responsabilidade Social e a Ética Empresarial. Dessa forma, tanto nós mas fundamentalmente os nossos colaboradores e clientes, contribuiremos para um Comércio Internacional mais justo sem a exploração do mais débil.
A Guarda: Que razões o levaram a abrir uma Delegação na Guarda?
Carlos Nunes: Foram razões de carácter sentimental e de mercado. Sentimental porque quando estamos fora levamos no coração as nossas raízes e de alguma forma gostaria de poder contribuir, com a minha humilde colaboração, para o desenvolvimento da minha terra. E de mercado porque fizemos estudos que determinaram a viabilidade do projecto. Desses estudos resultou um dado surpreendente, em Portugal só encontrámos uma consultora em Lisboa que disponibilizava serviços especializados em Internacionalização.
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| "Falta a toda esta região transfronteiriça (Interior Norte e Castilla-Leon Oeste) um aeroporto de dimensão regional com ligação, sobretudo, a outras capitais europeias, que possa servir de alavanca para o desenvolvimento". |
A Guarda: Que serviços são prestados pela vossa empresa?
Carlos Nunes: A ideia que está na base da criação de qualquer dos nossos serviços é: poupar tempo e dinheiro aos nossos clientes. Temos 3 programas fundamentais: 1) Programa para a Internacionalização das empresas Ibéricas; 2) Programa para o Investimento em Espanha; 3) Programa de Gestão Global. 1) Programa para a Internacionalização das empresas Ibéricas. Este programa é constituído por sete módulos: estudo de viabilidade de internacionalização; estratégia de internacionalização; selecção de mercados; plano de internacionalização; viabilidade económico-financeira; procura de apoios institucionais; implementação. No caso de mercado de destino ser Espanha, o que normalmente se verifica para as organizações que começam os seus processos de internacionalização, excepto nos casos que os estudos demonstrem não ser adequado, a fase de implementação e seguintes enquadram-se dentro dos programas 2 e 3. Para todos os outros casos cujo mercado seleccionado não seja Espanha, fazemos também o acompanhamento, neste caso em associação com empresas consultoras similares a Globally nos países de destino que obviamente sendo consultoras locais conhecem melhor os mercados. O nosso objectivo é estabelecer acordos com o maior número de países, contudo, nesta fase, definimos como prioritárias quatro grandes áreas: Europa do Leste, América Latina, Africa (Magreb e Palop’s), Ásia meridional e oriental. E aqui devo referir que internacionalizar não passa só por exportar mas sim pela adopção de uma estratégia adequada a cada caso dentro de um grande leque de possibilidades, em muitos casos internacionalizar passa, por exemplo, por importar matéria-prima mais barata de forma a permitir melhorar a competitividade da organização. Temos situações que a empresa tem sede num determinado país, efectua as suas compras em vários mercados, envia essas matérias-primas directamente a outros países sem passar pela sede e comercializa os produtos acabados noutros países. Isto é a internacionalização no seu expoente máximo: procurar para cada situação o mercado com melhor vantagem competitiva e aproveitando dessa forma para também ela, enquanto organização obter vantagens, sem esquecer em nenhum momento a responsabilidade social e a ética empresarial para com todos os mercados envolvidos. 2) Programa para o Investimento em Espanha. Este programa nasceu da constatação de duas realidades: primeiro a grande maioria das empresas portuguesas que chegavam a Espanha não conheciam o mercado e segundo, sentiam muitas dificuldades na implementação dos seus negócios por não contar com o apoio na tramitação dos vários processos. A partir daí, idealizámos um conjunto de serviços que fosse capaz de apoiar as organizações, fundamentalmente empresas portuguesas, a implementar-se no mercado espanhol de tal forma que Globally seja o único interlocutor em Espanha com vista a economizar tempo e dinheiro a todos aqueles que escolham esse país como destino dos seus negócios. Do conjunto de serviços fazem parte: constituição de sociedades, domiciliação de sociedades, instalação de sociedades no Globally Velázquez Center em Madrid, desenvolvimento de redes comerciais, acordos de cooperação, procura de apoios institucionais. 3) Programa de Gestão Global. Com o programa de Gestão Global o objectivo é proporcionar aos clientes todos os serviços necessários ao normal funcionamento da empresa no dia a dia, nomeadamente processos administrativos diários, elaboração de facturas/recibos, assessoria fiscal, laboral, contabilidade, gestão comercial...
A Guarda: Quantos processos de internacionalização de empresas já foram elaborados desde a vossa instalação na Guarda?
Carlos Nunes: Um processo de internacionalização, seguindo a metodologia que temos definida, até ao início da fase de implementação demora 12 meses. Apesar de termos aberto a delegação algum tempo antes, a nossa apresentação oficial foi a 15 de Outubro de 2007, motivo pelo qual ainda não termos concluído os primeiros processos. Por outro lado, atrasámos outros projectos de forma a inclui-los em candidaturas no âmbito do novo QREN – sistema de incentivos à qualificação e internacionalização das PME, cuja primeira parte de candidaturas está neste momento em fase de apreciação e aprovação. Temos mais de duas dezenas de clientes, directamente ou através de colaboração, que apesar de determinada a viabilidade dos seus projectos e tomada a decisão de avançar independentemente do resultado, estão à espera para iniciar os seus processos de internacionalização. Temos outros clientes que decidem implantar-se directamente em Espanha através da constituição de sociedades e instalação no nosso Centro de Negócios sem passar pelo processo completo.
A Guarda: De onde são as empresas que vos procuraram?
Carlos Nunes: A instalação da Delegação na Guarda tinha como objectivo servir os Distritos de Guarda, Viseu e Castelo Branco, contudo neste momento temos clientes, ou em perspectiva de o vir a ser, em várias zonas do País, nomeadamente Aveiro, Porto, Santarém e Lisboa, fruto da colaboração que mantemos com algumas organizações de carácter nacional. Paradoxalmente, o Distrito com menos clientes, neste momento, acaba por ser o da Guarda.
A Guarda: A proximidade da Guarda com Espanha pode, de facto, ser considerada uma mais-valia para o futuro empresarial da região?
Carlos Nunes: Sem dúvida. Durante décadas, os dois países ibéricos estiveram de costas voltadas. Só depois da entrada de ambos os países na União Europeia (na altura Comunidade Económica Europeia) foram relançadas as relações comerciais, sendo hoje Espanha o nosso principal mercado, representando cerca de 30% do nosso Comércio Exterior. À medida que a União vai crescendo, Portugal, e de menor maneira também Espanha, são cada vez mais países periféricos, existindo grandes vantagens na criação de um bloco económico coeso na Península Ibérica. Isto obriga a mudar a mentalidade, principalmente no nosso país, devemos ver o mercado Ibérico como o nosso mercado natural e não apenas o mercado português. Nesta perspectiva de mercado Ibérico a Guarda passa a ter uma localização estratégica, deixando de ser uma zona de interior e periférica em Portugal para passar a estar praticamente no meio das duas capitais da Península Ibérica. Por outro lado possuímos óptimos acessos rodoviários e ferroviários que unem a região não só com as duas capitais mas também com portos (não podemos esquecer que a esmagadora maioria das mercadorias é transportada por barco) e com outras cidades importantes do Norte de Portugal e do Norte de Espanha. É devido a esta localização privilegiada que a Guarda possui, que muitas vezes a comparo com a cidade de Zaragoza, também ela no Interior de Espanha e que soube aproveitar a equidistância entre Madrid e Barcelona para criar uma das Plataformas Logísticas mais importantes da Europa, tendo registado um grande crescimento na última década sendo este ano sede da Expo. Contudo, devo referir que, em meu entender, falta a toda esta região transfronteiriça (Interior Norte e Castilla-Leon Oeste) um aeroporto de dimensão regional com ligação, sobretudo, a outras capitais europeias, que possa servir de alavanca para o desenvolvimento de um sector de turismo de qualidade e ajudar na mobilidade de quadros superiores e empresários.
A Guarda: O que pensa do projecto da PLIE – Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial?
Carlos Nunes: A PLIE não só é importante como fundamental para o desenvolvimento da Guarda. Pelo que comentei anteriormente relativamente à localização geográfica da cidade, este é o projecto que a região necessita. Pena é que, constantemente, tenha sofrido atrasos o que para os investidores não é um bom sinal, tendo alguns deles certamente optado por outras localizações. Pessoalmente considero que na instalação de projectos deve haver um equilíbrio entre multinacionais e PME’s com a balança a pesar mais para o lado das segundas. Não se deve cair na tentação de instalar só grandes projectos de multinacionais que se por um lado têm a vantagem de garantir postos de trabalho no imediato mas que podem supor problemas futuros uma vez que a deslocalização desses projectos é constante. Devem ser privilegiados projectos de médio e longo prazo criando condições que estimulem os empresários locais a investir mesmo sendo micro e pequenas empresas. Não podemos esquecer que as PME’s são a base da economia.
A Guarda: Como classifica os empresários e o tecido empresarial da região?
Carlos Nunes: Estive afastado do contacto empresarial da região durante bastante tempo, contudo o que tenho podido observar nestes últimos meses é uma cidade parada no tempo. À ideia generalizada que estamos em crise (o que seria discutível em várias situações), junta-se uma surpreendente apatia e um sentimento de não poder contrariar a situação. Ora, é precisamente nas fases negativas dos ciclos económicos, que alguns defendem como necessárias, que se separam as boas das más organizações empresariais, sobrevivendo apenas as primeiras. Acontece que hoje, as economias e o comércio desenvolvem-se à escala Global a uma velocidade vertiginosa, o que significa que, se não apanhamos o comboio rapidamente, podemos perdê-lo irremediavelmente e continuar a lamentar a “invasão” espanhola ou de produtos “made in China”. Por isso, é fundamental que os empresários da região aproveitem as oportunidades e tenham reacção, iniciando uma onda de dinamismo através da reestruturação dos seus projectos empresariais e elaborando estratégias de médio/longo prazo que tenham como prioridades, através da Internacionalização, a diversificação de riscos e a criação de dimensão empresarial. Essa oportunidade chama-se QREN (Quadro de Referencia Estratégico Nacional) e tem de ser agarrada como se fosse a última ou uma das últimas de que dispomos. Contudo o QREN não vai resolver problemas estruturais mas sim ajudar aqueles projectos que demonstrem viabilidade. E, esse é sempre o nosso princípio, primeiro determinar a viabilidade do projecto e só depois recorrer aos apoios, caso existam, para ajudar na sua concretização. Consideramos que elaborar uma candidatura sem ter um projecto sólido é um erro.
A Guarda: Com quem é que a Globally pensa estabelecer parcerias para promover a atracção de novas empresas para a Guarda?
Carlos Nunes: Neste momento temos protocolos de colaboração com várias organizações, fundamentalmente Câmaras de Comércio e Associações Empresarias, tanto generalistas como sectoriais. Por outro lado, e tal como referi anteriormente, temos assinados acordos de colaboração com empresas consultoras em vários mercados, que representam e promovem os serviços de Globally nesses países. Contudo, para promover a atracção de novas empresas é necessário que se verifiquem duas condições fundamentais: contar com o apoio dos organismos e instituições locais e definir uma estratégia. De nada serve a Globally promover institucionalmente a Guarda como destino de investimento externo, junto dos associados ou clientes dos seus parceiros se não estiver autorizada para o fazer e se localmente não forem realmente apoiados na sua implementação. Por isso, entendemos que para além dos acordos que temos no exterior, as parcerias a estabelecer devem ser na origem, ou seja, juntar na Guarda Organizações e Instituições, sejam elas públicas ou privadas, que possam contribuir para a atracção de novas empresas e definir uma estratégia comum que tenha por finalidade contribuir para a consolidação do tecido empresarial na região numa perspectiva de médio e longo prazo e não cair na tentação de resolver problemas de curto prazo. Dessa forma, sabendo que contamos com o apoio e uma estratégia, procuraremos contribuir com o nosso grão de areia para o desenvolvimento empresarial da região.
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