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Arquivo: Edição de 13-11-2008

SECÇÃO: Sociedade

Concentração realizada em frente do Governo Civil

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Professores contratados pediram “cancelamento imediato” da prova de ingresso

Cerca de três dezenas de professores contratados da região da Guarda exigiram na quarta-feira, 5 de Novembro, do Ministério da Educação o “cancelamento imediato” da prova de ingresso na carreira, por considerarem tratar-se de uma medida “injusta”.
Ao final da tarde, os docentes concentraram-se em frente do edifício do Governo Civil, onde aprovaram um manifesto contra a medida governamental e procederam à queima simbólica de diplomas académicos.
João Louceiro, dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), estrutura que apoiou a realização do protesto, considerou na ocasião que a prova de ingresso é “uma medida bárbara” que decorre do estatuto da carreira docente. “É uma barreira que surge depois destes professores terem concluído os seus cursos com êxito”, afirmou o sindicalista, admitindo que contém princípios “inaceitáveis”. A título de exemplo, referiu “a exigência de 14 valores em cada uma das componentes para o professor poder ser aprovado”, admitindo tratar-se de uma medida do Ministério da Educação destinada a “rasteirar o futuro” dos professores.
O dirigente do SPRC também denunciou que a prova é realizada “em chamada única” e, caso um professor adoeça e não a efectue, “é rapidamente eliminado da carreira docente e da própria profissão”.
No manifesto aprovado durante o protesto e entregue no Governo Civil da Guarda, os docentes exigiram “o cancelamento imediato da realização da prova no decurso do presente ano lectivo, decisão que deverá decorrer já da reunião que a Ministra da Educação deixou prevista para a discussão desta matéria”.
Sofia Gomes, professora de Matemática contratada, justificou a sua presença no protesto por considerar que a realização da prova de ingresso “põe em causa o futuro de todos os contratados, uma vez que é eliminatória”. “Não tenho os cinco anos de serviço completo mas fiz o estágio profissional com a classificação de «bom», fui elogiada várias vezes e acho que não é com uma prova como esta que vão decidir se sou boa ou má e se vou ou não continuar no ensino”, declarou.
“Esta situação é totalmente inadmissível”, considerou Paulo Moreira, professor de Educação Física, também presente na acção de protesto. “Já fomos avaliados no nosso curso e esta prova desvaloriza por completo o curso que fizemos e a própria avaliação de desempenho que o Ministério nos impôs na escola”, disse.

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